Filmes? Por que vê-los...

É só um pitaco, já que não tenho formação para criticar de forma mais profissional, mas como fiz uma postagem sobre o livro "O lado bom da vida" me sinto à vontade para falar do filme, que tem no elenco Bradley Cooper (até então um desconhecido para mim...)Jennifer Lawrence (idem)Robert De Niro ( Surpresa!) e foi dirigido por .  Bem...
Não consegui assistir o filme até o final. Achei chato, confuso...Na verdade, vi um atentado contra o livro. Não sou suficientemente ingênua para achar que o livro estará na tela à risca, sei da necessidade das adaptações para contar uma história, já que são mídias completamente diferentes. O livro vai te ganhando de forma gradativa, já o filme tem que te conquistar de maneira imediata, para que você não faça o que eu fiz ontem: desligar. Mas, mesmo assim, fico me perguntando o que leva um autor a deixar que sua história, que foi forjada no decorrer de um tempo que ele dispôs à ela, modelada pouco a pouco (já que escrever não é fácil)  deixar que ela seja modificada de tal forma que você não consiga vê-la na tela! 
Voltando ao filme de ontem, quem não leu o livro pode até se encontrar em meio àquela confusão de fatos que vão sendo despejados sobre a audiência. Como eu li, eu me senti mais perdida ainda -  e sem perspectiva de me encontrar!
Me lembrei da obra do Stanley Kubrick, um cineasta que realizou filmes que ficaram na história do cinema, todos adaptações de obras literárias. Particularmente, li duas que viraram filmes: "Lolita", de Vladimir Nabokov e "O iluminado" de Stephen King. Pois bem, com todas as adaptações necessárias, consegui ver as características fundamentais dadas pelo autor ali, na tela. Em ambos os filmes, o  cineasta consegue contar a história do livro. Aliás, eu sou da opinião que o livro é sempre melhor, mas com Kubrick dá até para considerar já que ele não dilacera a história. A Lolita de Nabokov é até mais insinuante do que a de Kubrick, mas você vê retratada a personagem daquilo que foi lido. Acontece o mesmo com o livro de King, apesar das modificações e do autor não ter curtido o resultado final. Mas daí a esse "O lado bom da vida"...
Quer outro exemplo de adaptação deprimente de um bom livro? "O mistério de Feiurinha". Pedro Bandeira, grande autor de clássicos juvenis de antigamente, como "A marca de uma lágrima" e " A droga da obediência", conseguiu fazer um conto de fadas de uma maneira inovadora. Crianças de 10-12 anos, quando tem contato com o livro mostram interesse em lê-lo, pois é gostoso, divertido... Como, eu me pergunto, como ele deixou que a Xuxa e sua mega produção destruíssem a obra dele para fazer um encontro de amigos em um transatlântico?! Só pelo dinheiro? 
Enfim, foi só um desabafo. Eu gosto de ler (muito) e gosto de escrever. Mas escrever exige muito de um autor: transformar a ideia em palavra é a coisa mais fantástica que o ser humano conseguiu fazer no mundo. Reler o escrito, modificar, reescrever trechos, às vezes capítulos inteiros, pesquisar para compor personagens, paisagens...e depois entregar para um roteirista e dizer "tome, modifique e destrua o que for necessário para que uma ideia que tive leve multidões ao cinema." Acho que eu que sou muito apegada.

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