28º livro do ano

"Os sete", André Vianco
Pois então...
Final de ano para professores em geral é muito corrido. São provas finais, diários, papelada burocrática e efetivamente reunião de pais, fora os cursos, portfólios, conclusões, amigos secretos......Enfim, uma correria louca que modifica a rotina. E, com isso, mudam-se alguns hábitos. Eu, que sou fã de livros digamos, "físicos" apelei para a leitura no tablet em PDF. Com algumas buscas na internet achei vários arquivos em PDF e optei  por este livro, escrito por um brasileiro (paulistano criado em Osasco) e um dos poucos que eu já vi com vários títulos publicados. Com o nome gravado no mistério e terror, resolvi conhecer esta história que fala sobre a descoberta de uma caravela afundada no litoral sul brasileiro e com um estranho caixão de prata dentro dele... A partir daí, é liberado o mal sobre uma cidadezinha gaúcha e espalha-se lentamente pelo país.
Quando li a sinopse, achei interessante. A história atrai de fato...
Mas...
Não gostei. A narrativa é confusa, rasa, os vampiros são caricatos ("Ó, gajo!") e há uma confusão no decorrer da história: você não sabe muito bem quem está falando ou que aconteceu com determinados personagens secundários. Como leitora de Stephen King, eu sei que o absurdo pode ser visto como plausível se escrito de forma correta. O mal está no fundo de uma cratera, numa casa que tem alma, numa máquina de determinada indústria ou em algum lugar inimaginável. Mas, sem dúvida, eis o segredo: saber como escrever, como colocar esse mal num contexto que vai aterrorizar porquê você não duvida que pode realmente acontecer comigo, com você, enfim, que o mal seja uma entidade que pode se manifestar espontaneamente e repentinamente. No livro, fica tudo tão confuso que acreditar passa a ser um desafio.
No entanto, achei que poderia estar influenciada pelo cansaço de final de ano, por ler no tablet em PDF sendo que prefiro SEMPRE o papel... MAS, eis que minha amiga também estava lendo o mesmo livro e...tcharam! estava achando chato e cansativo , para usar as palavras dela. Então, o problema de fato não era comigo.
O chato de chegar a essa conclusão é que dá um desânimo danado de ler outra obra do autor. "Os sete" foi o primeiro best-seller de Vianco (O primeiro livro foi "O senhor da chuva", de 1998) e eu acredito que se possa sim aprimorar a escrita. Mas dá um certo receio de pois desses vampiros portugueses. 
Nota: nada contra os vampiros serem de Portugal, é até legal a jogada pois eles falam uma língua que entendemos o que torna possível o contato com os brasileiros e em dias que vampiros brilham ao sol, eles serem portugueses é até aceitável. Mas o fato é que na prática fica muito estranho pensar em vampiros falando com o sotaque português - muitas vezes, ininteligível para nossos ouvidos. Pode ser pessoal, mas achei até engraçado alguns momentos...
André Vianco tem muitos fãs e num país como o nosso ganhar dinheiro com literatura é uma proeza considerável. Mas "Os sete" não causou uma boa impressão. Nem de longe.


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