30º livro do ano

"À espera de um milagre", Stephen King
Não pretendo ser repetitiva e já me autodeclarei grande fã da obra de Stephen King, mas é inegável o fato de que ele sempre consegue me surpreender!
"À espera de um milagre" foi um livro comprado em outubro, mais por ser de autoria de quem é do que pela história em si. Conversando com as pessoas, muitas me recomendaram o filme, dizendo que era uma história emocionante etc, etc. Eu confesso que sou muito covarde para histórias emocionantes, porque eu me entrego à dor do personagem, o que considero ser um defeito que se reflete em meu dia-a-dia...e, sabendo do livro, minha preferência sempre será esta.
Enfim, para encerramento de 2013 (e já com uma lista considerável de desejos de leituras para o ano que em breve se inicia...) escolhi me emocionar.
E que emoção!
O livro, conforme explica o autor logo no início, surgiu de um momento de agitação literária em sua mente, quando ele estava finalizando "Desespero" (que li este ano) e trabalhando no roteiro para a televisão de "O iluminado" (que, sinceramente, acho dispensável no currículo de King, transformando numa batalha de egos entre ele e Kubrick; uma tolice egocêntrica já que cada um é um gênio em sua área, mas enfim...ele é o dono do livro, o dono da história e deve ter seus demônios pessoais, quem não os têm, não é mesmo???) Portanto, com trabalho o suficiente em andamento. Mas, durante suas noites insones, ele escreve mentalmente: monta histórias inteiras, reescreve partes...e numa dessas noites, surgiu "À espera de um milagre", que foi colocado no papel mas sem muito tempo para ser devidamente trabalhado (segundo o dono da história, veja bem, virginiano detalhista). Mas, por se tratar de uma excelente história, foi lançada nos EUA em capítulos semanais - seis no total. E, claro, foi um sucesso.
A história trata da chegada ao corredor da morte em 1932 do detento John Coffey, que chama a atenção por seu tamanho desproporcionalmente gigantesco, condenado por ter estuprado e matado duas irmãs de nove anos. Apesar da grave acusação, Paul Edgecombe, o chefe dos guardas no Bloco E - o bloco da "Velha Fagulha", como é chamada a cadeira elétrica - nota que algo está errado: John tem medo do escuro, é meio abobalhado, mal se lembra do que comeu ontem e chora copiosamente o tempo todo. Fala pouco e tem pouco significado o que diz...
Não dá para falar muito sem contar a história, então vou me limitar por aqui.
É uma história sobre humanidade, mas especialmente sobre tudo o que compõe a humanidade: amor, esperança, solidariedade, soberba, maldade, ódio, consideração, tristeza, desespero, dor, injustiça, justiça...
Chorei, chorei muito. Emocionante, lindo, tocante. 
Outro detalhe é que a narrativa é de Paul já muito idoso, de um asilo onde ele escreve a memória deste marcante ano em sua vida. E as observações que ele faz sobre a velhice...
Fechei o ano com chave de ouro!
Aqui o trailer do filme, mas lembre-se: NADA NUNCA vai se comparar à riqueza de detalhes proporcionada pela leitura.
Fantástico. Toca tão profundamente porque fala da nossa alma humana, tão imperfeitamente humana. 

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