4º livro do ano

"Não brinque com fogo", John Verdon
Eu, como leitora, gosto muito de acompanhar um personagem através de vários livros. Por exemplo, a deliciosamente apaixonante família irlandesa Walsh, criada pela fantástica Marian Keyes (cada irmã já tem uma história, só falta o livro da mais nova e desbocada Hellen) ou o agente-detetive Myron Bolitar, criação de Harlan Coben, outro autor que gosto muito. John Verdon é autor de thrillers policiais e escreve de uma maneira eletrizante, intrigante, de uma maneira que te deixa com vontade de terminar logo para ver o que acontece, qual será o próximo passo. Os outros dois livros dele, "Eu sei o que você está pensando" e  "Feche bem os olhos" seguiram essa linha: um suspense muito bem escrito, claro e ao mesmo tempo tenso (li e recomendo, são ótimos para quem curte o estilo policial). Todos eles são protagonizados pelo detetive supostamente aposentado Dave Gurney. Supostamente porque ele ficou conhecido como o "supertira" logo no início de sua carreira muito bem sucedida, permeada por soluções de casos aparentemente insolúveis. Por isso, mesmo aposentado aos 48 anos de idade, ele sempre acaba se envolvendo - ou é envolvido- em casos policiais difíceis, para desespero de sua esposa querida, a Madeleine, que espera pelo dia em que ele ficará realmente em casa. 
"Não brinque com fogo" trata de uma assessoria que Gurney resolve fazer para atender ao pedido de uma amiga. A filha dela, Kim, está trabalhando em um projeto jornalístico que se propõe a tratar de como as famílias de vítimas de crimes famosos estão passada a tragédia. Ela escolhe como início falar com as famílias de seis vítimas de um criminoso chamado de Bom Pastor. Ele atirava na cabeça de pessoas que estivessem dirigindo o modelo Mercedes preto. Matou seis e despareceu, sem deixar pistas. 
Kim começa uma investigação despretensiosa, visando mesmo ver a atual situação das famílias. Dave a ajudaria mais dando uma seriedade ao sua pesquisa, só isso. Mas, aparentemente, ela faz ressurgir lembranças que não deveriam ser remexidas. E aí, Gurney, que iniciou como um simples consultor, passa a ter em mãos mais uma vez um caso que, apesar de ter sido dado como arquivado - pois não havia pistas que apontassem para alguém- está cheio de arestas a serem aparadas...
Nesta história Kyle, o filho do primeiro casamento de Gurney, aparece tentando resgatar a relação tão abalada dos dois. Uma história paralela bonita, tocante...mas me deixou com a impressão de que Verdon está preparando o herdeiro para poder deixar Dave gozar sua aposentadoria de fato. Enfim, é uma opção: Kyle parece ter herdado a mesma perspicaz intuição do pai. Vamos ver...
A história é boa, mas fica devendo um pouco às suas antecessoras. Pode ser que eu tenha criado muita expectativa, pois no decorrer da trama eu estava certa do envolvimento da pessoa "X" e ele (o autor) conseguiu dar uma reviravolta inesperada e no final...Bem, no final não era nada do que eu estava pensando. Ok, pode ser apenas um conflito de ego: eu estava certa de que tinha adivinhado o final e, no entanto o autor quis me mostrar que estava errada. Coisas que acontecem. E bons autores são assim: simplesmente nos surpreendem! Aliás, a cena em que Gurney confronta-se com o assassino foi de uma descrição excelente!
No geral, o desenvolver da história é muito bem desenhado, a trama consegue intrigar o leitor. Você não tem vontade de parar, como toda boa história que te pega. Gostoso de ler! Vale a pena!

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