11º Livro do ano

"Tamanho 42 não é gorda", Meg Cabot
Do gênero "chick lit", finalmente consegui ler este livro, do qual eu já estava com uma boa impressão. É a primeira vez que leio algo de autoria de Meg Cabot, famosa mundialmente por sua série "O Diário da Princesa", mas devo confessar que esta primeira experiência foi muito proveitosa. Lembra muito o estilo de Marian Keyes, mas isso é mais um elogio do que algum tipo de crítica e também levando-se em conta que ambas escrevem o mesmo gênero fica difícil evitar as comparações. Talvez Marian invista um pouco mais em questões emocionais mais complexas como estupro e violência contra a mulher. "Tamanho 42" traz uma história leve, que tem o intuito de divertir mas que não deixa de ser interessante. 
Dei boas risadas com as tiradas e devaneios de Heather Wells, a protagonista dessa série. Heather tem um interessante histórico de vida: em sua adolescência, foi uma cantora-teen de sucesso entoando aquelas baboseiras que toda mulher que foi adolescente sabe do que se trata - e muitas, inclusive esta que vos escreve, curtiu bastante (digo isso sem nenhuma vergonha, já que a adolescência é uma fase da vida em que se comete uma série de atrozes besteiras para se chegar a idade adulta mais ou menos pronta para encarar o que nos espera pelos próximos 70 anos... E New Kids on The Block reinou absoluto em meu coração por alguns bons pares de anos... mas voltemos ao livro). Após viver seu auge por volta dos dezoito, apaixonar-se pelo filho do dono de sua  gravadora e integrante de boy-band de sucesso Jordan (e terminar tudo após flagrá-lo numa situação tipo "boca na botija"),Heather ainda teve que sobreviver ao duro golpe de ver sua mãe fugir com todas as suas economias...e seu empresário...para a Argentina. Uma tragédia de vida digna de qualquer novela.
Depois de tantos solavancos (fim de carreira, fim de relacionamento, fuga da mãe, calote e alguns quilos a mais) Heather consegue emprego como auxiliar em um alojamento estudantil, tentando assim refazer sua vida - o que inclui fazer um curso superior - algo que ela reconhece sentir falta e necessidade, mas que estava fora de cogitação na época do grande sucesso. Afinal, os objetivos eram outros...
É nesse ambiente, no edifício Fischer, lotado de jovens universitários distantes de seus pais e cheios de vontade de viver que um acidente ocorre: uma menina é encontrada morta  no fosso do elevador. Para a polícia, mais uma infeliz consequência do famigerado "surfe de elevador", brincadeira perigosa e imbecil que é praticada por jovens após alguma bebida e quando se veem em grupo, o que é normal nessa época da vida. Mas Heather passa a desconfiar que algo está errado a partir da segunda morte... já que o perfil das duas jovens em nada coincide com o grupo que costuma estar envolvido nesse tipo de bobagem.
Com tudo isso acontecendo, ela ainda tem que lidar com o ex-namorado Jordan, que ainda a procura apesar de não estar solteiro e também com a  paixão que nutre atualmente pelo ex- cunhado, o único que estende-lhe a mão quando ela estava em queda livre em direção ao fundo do poço...
Enfim, é uma história leve, divertida, bem articulada, que faz com que a leitura acompanhe esse mesmo ritmo. Uma leitura para descansar e dar boas risadas! O mistério se revela interessante, sendo que o desfecho foi muito bem colocado, mas sem nunca perder o nível de comédia, às vezes com um pezinho no pastelão. Eu me identifiquei em muitos pensamentos de Heather e é muito fácil se ver torcendo por ela! Ela é uma mulher jovem, cheia de problemas e que está acima do peso para os impensáveis padrões de beleza que imperam nos dias atuais: impossível não se identificar! Muito boa também a introdução de cada capítulo, que traz um trecho de uma música da Heather nos áureos tempos: dá pra entender porque ela fez a exigência que fez ao dono da gravadora Cartwright...
 Super recomendo!

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