14º Livro do ano

"Novembro de 63" , Stephen King
Passei o mês de maio envolvida com mais um gigante de King (720 páginas!). Para mim, comentar sobre uma obra de Stephen King é muito complicado, porque simplesmente não consigo ser imparcial. Sou uma fã confessa do escritor; ele é o meu preferido e consegue me surpreender sempre!Nunca um livro repete elementos de outro: você pode dizer que ele é o rei do terror e suspense, mas não com fórmulas prontas ou pré-definidas. Ler Stephen King é ter uma aula de como uma história- qualquer história- pode ser fantasticamente interessante, mesmo que a princípio você não acredite nisso. Ou que não pareça possível...
É um livro longo, mas sem dúvida eu não o terminei antes por pura falta de tempo pois a história tem um ritmo constante que te agarra...Não é uma delícia quando um livro te sequestra para dentro dele? Ler um King é assim!
O título se auto-explica, é uma viagem no tempo: Jake Epping, um professor de inglês, depara-se com o inexplicável - um buraco no tempo que faz com que ele volte a setembro de 1958. A tal "toca do coelho", como de Alice, está nos fundos da lanchonete de Al Templeton, um idoso já muito doente. (Aqui abro meu primeiro parêntese para uma confissão: quando li a sinopse, o que mais me inspirou a querer ler esta história foi o pensamento de como poderia uma história dessa ser levada adiante sem tornar-se chata ou perder-se pelo caminho. Retorno no tempo? Efeito borboleta? Convenhamos, tem que ser muito inteligente para não tornar-se enfadonho...) 
Pois bem, Al explica a Jake sua descoberta, as vezes em que viajou até o passado e propõe a ele: volte no tempo, espere até 1963 e impeça o assassinato de John Kennedy. Segundo Al, que fez uma série de estudos e observações e anotou tudo em um caderno , impedir esse fato mudaria o rumo da história do mundo, impediria uma série de acontecimentos (guerra do Vietnã, assassinato de Martin Luther King, entre outros) tornaria o mundo como conhecemos uma lugar diferente, possivelmente melhor...
Será?
Aceitando como opção a ser considerada a história de Al, Jake volta no tempo com uma nova identidade, disposto a esperar 5 anos até poder interferir na história do mundo. Nesse meio tempo, ele monitora Lee Harvey Oswald para ter certeza de que ele agiu sozinho, ou mesmo que tenha sido ele o assassino para poder impedi-lo no momento certo... Mas cinco anos são muito tempo e ele resolve fazer algumas alterações insignificantes no caminho, modificando as vidas de pessoas de seu cotidiano, como uma espécie de pré-teste para o grande momento.
Insignificantes?
É aí que a trama torna-se interessante e cada vez mais te carrega para dentro dela. O passado passa a ser tratado como uma entidade, algo ou alguém que não aceita interferências e que fará o possível para impedi-las. Jake torna-se George, passa a ter outra vida e outros interesses que podem mudar a SUA história. E o amor muda tudo de foco...
Stephen King consegue ser astuto, perspicaz, inteligente e verossímil. Sua narrativa é toda embasada em fatos históricos, personagens reais que vão se encaixando numa ficção e que dançam sem maiores dificuldades com os personagens inventados. É como se a história fosse se reinventando, linha por linha, página por página. É suspense, é drama, é romance, é filosófico... O autor nos leva por tantas emoções!
É uma leitura incrível, mais do que apenas uma aventura. Ele revisita cenários conhecidos mas os transforma. Ele cria um perfil psicológico, ainda que imaginário, mas embasado em pesquisas, de um personagem que assombra o imaginário estadunidense. E, enquanto isso, nos leva a viver em paralelo uma linda história de cotidiano, uma história de como a vida é a mais incrível aventura já escrita.
Stephen King é o cara!
Olha o cara aí.


As rosas vermelhas recebidas no aeroporto e depositadas entre o presidente e a primeira dama.

Comentários

Postagens mais visitadas