20º LIVRO DO ANO

"Duma Key", Stephen King
A vida anda meio enrolada... O final das férias, o acúmulo de trabalho, alguns cursos aqui e ali,  a retomada do tricô e a mania de sempre estar conectada colaboraram para que este livro demorasse muito a ser terminado. Me sinto obrigada a fazer este "mea culpa", acho que nunca demorei tanto tempo para ler um King...
Mas valeu muuuuuuito a pena!
No final, tive que procrastinar alguns compromissos para conseguir terminar, mas não me arrependo. "Duma Key" é uma brincadeirinha de 829 páginas (!!!) - (li a versão pocket), bem ao estilo do mestre, que nos traz  a história de Edgar Freemantle, um bem sucedido empresário do ramo da construção civil que após um terrível acidente, termina por perder seu braço direito e ter parte da cabeça esmagada, o que causou sem dúvidas sequelas terríveis em sua memória. Durante a sofrida recuperação e após alguns incidentes sem muita explicação, a esposa pede divórcio e ele vê seu mundo tão corretamente estruturado mudar radicalmente...
Com isso, seguindo os conselhos de seu psiquiatra, Edgar resolve fazer uma "cura geográfica", saindo do lugar de todo dia para uma ilhota paradisíaca chamada Duma Key, na Flórida. Aquela coisa de se isolar para melhorar, mudar de ares.
Comprei o livro bem despretensiosamente, achei a história meio sem graça quando li a sinopse, mas sendo um King resolvi arriscar. No começo, confesso, achei a história bem "normal", por assim dizer. O Edgar está ferrado e é digno de pena, ou  se não isso, digno daqueles pensamentos em que você se pega questionando qual era a pretensão de Deus naquele momento: o cara estava bem, com grana após anos de batalha, num casamento estável, com duas filhas jovens, bonitas e encaminhadas na vida e vê tudo ruir por conta de um caminhão sem o sinal de marcha-ré... Coisas que podem acontecer com qualquer um, mas que a gente nunca acha que acontecerá com a gente...
Já em Duma Key, Edgar dá vazão a um talento que estava adormecido: o desenho.
E a partir daí, as coisas vão se modificando. E tudo quanto parecia normal começa a ganhar contornos sobrenaturais. Mas aquele tipo de sobrenatural sorrateiro, aquele que vai se esgueirando pelas paredes silenciosamente, sem grande barulho... Você fica em dúvida se algo está realmente acontecendo ou se tudo está normal e você está imaginando coisas...
E aí vem a confirmação e você vê que sua imaginação não pode fazer certas coisas que estão acontecendo.
Ou seja: boa parte da primeira metade do livro é de, podemos dizer, ambientação: o Autor vai te guiando pela vida de Edgar, mostrando suas dores, físicas e psíquicas, e sua luta diária para retomar uma rotina para chamar de "vida". Mas depois, é o momento de transformar tudo isso em mistério, medo e tensão. Depois da página 480, aproximadamente, a atmosfera fica densa, pesada... você fica realmente com medo, ansioso...
Livro excelente para os admiradores do gênero. E para quem é fã de Stephen, mais uma obra prima e uma aula de como fazer.
Altamente recomendável!
 O dono da bola.
Abaixo, algumas imagens (retiradas da internet) inspiradas pela história e que terão significância para quem conhecê-la.
Persefone.


Edgar pintando.

Reba.

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