23º Livro do ano

"Nosferatu", Joe Hill
Imagino que seja muito difícil lidar com as questões de parentesco quando se tem uma dose exacerbada de talento na família. Atores que são filhos de atores são um bom exemplo e também mais visíveis: se são bons, justifica-se dizendo que é genético, não tinha como não ser. Se é ruim, é criticado: como pode, tendo o pai/mãe/irmão que tem? Obviamente, isto acaba por se estender a outras profissões. E, ainda exercitando minha imaginação, quando o antecessor é um gênio, uma sumidade, a coisa deve atingir níveis estratosféricos.
Joe Hill é o primogênito dos três filhos de Stephen King e, na minha modesta opinião, um bravo: tendo King por pai, ainda assim lançou-se como escritor e do mesmo gênero que seu progenitor (reconhecidamente um dos melhores do gênero terror/horror, senão o melhor de sua época. Não preciso me estender, como fã que sou...) Não tenho receio nenhum em dizer que li o primeiro livro de Hill, "A estrada da noite", tendo como primeiro motivo a herança genética do autor. 
Não me arrependi.
O livro é uma obra-prima do gênero e quem é fã não pode deixar de ler. Ele amedronta mesmo, intimida e ao mesmo tempo te deixa ansioso pela próxima página. Eu já li três vezes e sempre me surpreendo.
Tornei-me fã e li o também muito bom "O pacto" e " Fantasmas do século XX". Inclusive, "O pacto" já virou filme.
Enfim, eis que depois de um longo e tenebroso inverno, foi lançado no Brasil "Nosferatu".
O título aportuguesado tira um pouco do encanto do original:
Mas, mesmo assim, é surpreendente.
A narrativa é sobre duas histórias que em determinado momento vão se cruzar. A primeira é sobre Vic Mcqueen, uma garota que descobre o impossível: uma maneira de viajar no tempo para encontrar coisas. Uma bicicleta e a velha Ponte do Atalho completam esse cenário surreal.
na outra ponta, está Charlie Manx. Ele tem um carro, um Rolls-Royce 1938 que, muito além de ser apenas um clássico, é uma máquina que viaja principalmente dentro da mente doentia de Manx. Esse estranho e tenebroso lugar tem um nome: Terra do Natal.
Vic encontra Manx em um dia que sai em busca de encrenca e acaba tornando-se a única vítima a escapar dele.
Muitos anos depois, eles vão se reencontrar, mas muita coisa aconteceu e mudou na vida de ambos. E é esse o mote de uma história fantástica, assustadora, que traz a releitura dos clássicos. Não é uma história de vampiro, também não é uma releitura de Christine: é um apanhado do melhor de cada um deles que acaba por se tornar um coisa inédita, incrível e única!
Joe Hill conduz muito bem a narrativa, consegue amarrar a história e encaminhá-la para um final crível. Sua história é detalhada, clara e fluida. Proporciona uma leitura prazerosa e os amantes do gênero não terão do que reclamar.
                                                                   Manx e sua Terra do Natal


Não acredito que Hill tenha a pretensão de herdar os leitores de seu pai, mas ele tem tudo para continuar o legado iniciado por King. Não diria que são parecidos na maneira como escrevem, mas há aquela fluidez no caminho das letras...
Excelente Leitura!
Essas são algumas imagens que encontrei na internet ao pesquisar o livro de Hill.

                                                          Tem muitas imagens legais no Tumblr...
E para finalizar, o dono da obra:
P.S>existe nos EUA uma HQ que é um prequel da história de Charlie Manx. As histórias antes da história. Muito interessante!!!

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