25º livro do ano

"A vida secreta de Fidel", Juan Reinaldo Sánchez
Fidel Castro é o tipo de homem que já se tornou uma lenda, uma referência. Mas não é um herói. Sem dúvida alguma, tem uma personalidade marcante e parece-me ter sido um homem muito inteligente. Porém, tão louco como qualquer outro ditador, com sede de poder mais e mais, custe o que custar.
Bater no peito, ter orgulho do que fez é uma coisa. Ele é a encarnação da Revolução, o homem que mudou o país. Que lutou por seus "ideais" até o fim. Mas, como acontece sempre, ele destituiu um déspota para implantar a sua própria ditadura.Cuba. Coincidência ou não - talvez não existam coincidências - hoje estamos em eleições no Brasil. O segundo turno que elegerá nosso presidente. "A festa da democracia". Democracia embasada num povo pobre e dependente do assistencialismo governamental. 
Uma democracia que já mantém há doze anos o mesmo partido no poder, partido esse que "simpatiza" com o Castrismo desde de sua fundação. Um partido que dizia-se ser de esquerda, mas que aprendeu a tirar proveito do que "melhor" a direita capitalista poderia oferecer. Um partido que não tem mais trabalhadores há muitos anos. Um partido que governa com sujeira, que persegue, que sujeita aqueles que discordam deles às mais vis perseguições. "Tortura branca", termo que li recentemente: a lei lhe dá a vitória, mas quem está próximo a você é orientado por este partido a te assediar moralmente, a minar sua resistência psicológica... A mais pura ditadura.
E tudo indica que completarão 16 anos no poder.
É um temor que me assola...
Sempre tive curiosidade em saber mais sobre Cuba, afinal seria o Paraíso: um líder carismático e inteligente promovendo a igualdade social entre seu povo. Muito melhor do que um conto de fadas...
Mas, obviamente não é assim que ocorre.
Fidel, a Revolução encarnada, é cruel e manipulador. Péssimo perdedor. E, talvez o pior dos defeitos: ingrato. Minha análise é baseada no que li, nenhum estudo profundo foi realizado. Mas ele utilizou as melhores casas, um ditador rico e próspero, que prega a escassez entre o povo e vive como um rei, cercado de asseclas e puxa-sacos no geral, cheio de filhos bastardos e cruel, muito cruel. Nem um pouco diferente de Gadafi ou Sadham.
O autor do livro é um dissidente diferente, pois esteve junto a Fidel durante 25 anos de sua vida, 17 deles como guarda-costas pessoal, aquele que estava pronto para dar a vida por el comandante en jefe. 
Tanto tempo enganado?
Mais do que isso: a lavagem cerebral é pesada, constante. Fidel foi visto como Deus por muito tempo e quem não o via assim preferia manter o silêncio para manter a vida e a liberdade. Hoje em dia, Fidel está morrendo. E o sistema imposto por ele morrerá também, a qualquer momento. Há levantes, há olhos voltados para Cuba. Eu não acredito que o Capitalismo Selvagem seja o melhor sistema, pelo contrário: ele é massacrante e injusto. Mas viver sob o falso manto da igualdade encobrindo uma pobreza quase absoluta também não é opção.
Sánchez escreve de forma clara e direta, algumas vezes com uma linguagem bem coloquial, lembrando passagens significativas como se estivéssemos numa conversa de botequim ou num fim de tarde após o almoço. É gostoso de ler e nos faz refletir.
E refletir é muito bom.
Não vou contar nada, mas é o segundo livro de mais um refugiado que leio neste ano. E em ambos, Fidel é retratado como uma figura emblemática, marcante e cruel.
Vale a pena cada parágrafo.





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