30º livro do ano

"Treze Almas", Marcelo Cezar
Este romance mediúnico me atraiu por propor-se a tratar do mistério que ronda as treze almas, quer dizer, as treze pessoas que foram vítimas do incêndio do edifício Joelma e que foram encontradas carbonizadas no elevador do edifício. O que gerou a lenda ou comoção entorno destas vítimas é que elas jamais foram reconhecidas ou reclamadas por qualquer pessoa. Treze pessoas em um edifício de escritórios, possivelmente sem nunca terem se visto antes morreram literalmente "assadas" e nunca, nunca foram procuradas por ninguém. Curioso. Estranho. Pois bem, os treze corpos foram enterrados como indigentes e aí teve início a lenda...
Com uma história dessas, obviamente surgiram outras. Logo os túmulos passaram a receber peregrinos rezando pelas almas esquecidas ou fazendo pedidos  e dizendo ser atendidas.
Lógico, acontece que estamos no Brasil e aqui o sincretismo acontece naturalmente (católicos tornam "santos" as pessoas que nem mesmo o Vaticano sabe que existem, pessoas acendem velas para santos e também acreditam em espíritos. Isso acontece de maneira tão natural que eu não consigo estranhar...) Logo, surgiram histórias de gritos vindos dos túmulos e as pessoas passaram a ofertar água, colocando copos ou jogando água sobre eles.
Essa história sempre fascinou a minha mente que se recusa a aceitar que somos só isso, só essa vida. 
Bom, toda essa introdução foi para justificar a escolha. Não sou religiosa e, ao mesmo tempo, teimo em acreditar duvidando... Já li muitos livros espíritas pelos mais diversos motivos: aprender, entreter, entender, tentar aceitar... enfim, pelos mais diversos motivos...
E com este livro, lembrei-me porque parei de ler.
Se os livros são mesmo inspirados (e nota-se que quem os escreve o faz em levas, isto é, são seguidos, muitos em sequência...) acredito que haverá uma evolução na literatura espírita. Porque, hoje em dia, o que eu leio me decepciona. São histórias em que os protagonistas tem papéis muito bem definidos (o bonzinho, o malvado, a futura convertida, o resistente...) coisas que sabemos que não existem. Não sobre a terra. Sem contar como as pessoas falam de Alan Kardec e aceitam seus ensinamentos naturalmente, sem questionar. Acho que não me vejo retratada nestas histórias, então elas se tornam chatas, repetitivas... Distantes da realidade. Os textos são muito simplórios, de uma gramática pobre, sem grandes reviravoltas. E inúmeras coincidências. Algumas tão óbvias que chegam a irritar.
Me decepcionei um pouco. Esperava mais da história. Enrolou-se muito para ficar interessante nos três últimos capítulos... Ao menos interessante para mim.
Não vou falar sobre os personagens, era tanta gente indo e voltando, todos ligados de alguma forma que ficou confusa. E pouco interessante.
Longe do que eu esperava.
Não quero parecer soberba, entendo que sejam histórias que pretendem evangelizar e, por isso, tem uma linguagem fácil e acessível a todo tipo de público. Mas acredito que possam ser menos prolixas. Mais ricas. Mais reais.
Enfim, é só uma opinião.

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