10º Livro do ano

"O demonologista", Andrew Pyper
Cheguei a este livro através de uma resenha que vi num vídeo de um youtuber que eu gosto muito (eu saio da adolescência mas ela não sai de mim...assumo e sei disso). Me interessei muito, afinal terror sempre foi  meu gênero favorito. Além disso, há aqui uma diagramação perfeita: capa linda, todo com jeitão de livro antigo... Mais um capricho da Darkside Books!Enfim, vamos a ele:
Embarcamos numa jornada com o professor da Universidade de Columbia, David Ullman, especialista em narrativa religiosa judaico-cristã e profundo conhecedor da obra de John Milton intitulada "Paraíso Perdido"  que traça um perfil diferente daquele narrado pela bíblia cristã sobre a expulsão do primeiro casal de humanos do paraíso na Terra. É uma narrativa muito mais favorável ao Diabo do que a Deus, que é colocado como uma ser intransigente e mal-humorado. 
Ullman é envolvido numa trama no momento em que sua vida pessoal está de ponta cabeça, em meio a um processo de separação e que seu único ponto de apoio é sua filha Tess, de nove anos. Uma garotinha que é muito apegada ao pai pois parece-se em muitos aspectos emocionais com ele. 
Após um estranho convite, Ullman vai à Veneza com sua filha e presencia um evento incrivelmente apavorante que vai mudar sua vida. Subsequente, ainda abalado e apenas disposto a sumir dali, sua filha cai do alto do hotel em um dos canais da cidade. O corpo passa a ser procurado em vão...
Dentro do mais profundo abismo em que um pai amoroso pode estar, David Ullman passa a compreender que talvez haja uma maneira de recuperar sua filha através de estranhos "sinais" que passa a receber... Intuições, sonhos, pessoas... mas ele precisará pagar um preço relativamente alto.
Dentro desta trama, Ullman vai se jogar numa jornada de questionamentos, em que nem ele mesmo sabe se está em sua sã consciência ou delirando em sua dor... mas sempre com o firme propósito de recuperar sua filha.
Dito assim, parece uma história muito boa. O mote para essa história, na verdade é muito bom. O problema é o desenvolver da história. Ela não ganha densidade conforme vai se desenvolvendo. Ullman é raso, meio perdido... Você não consegue ter grande simpatia nem por ele nem pela colega que o acompanha em alguns momentos. Quando parece que a história vai ganhar ritmo e ir se aprofundando, volta ao grande nada. Você vai lendo e esperando que, em algum momento (e posso estar sendo preconceituosa aqui) o livro vai fazer com você o que em geral os bons livros de horror (leia-se STEPHEN KING) costumam fazer: depois da apresentação de cenários e personagens, a história te engole e não solta mais! Neste livro que tinha tudo para ser bom, você fica na expectativa de ser engolido... e nada! Não flui. Não te convida a continuar. Acaba ficando meio... sem graça. 
O autor quis dar uma "misturada", como se tentasse escrever como outros autores e não dá em nada. 
Uma pena, pois minha expectativa por essa história era grande por toda a mídia que vi entorno do livro. Ou seja : caí num grande golpe publicitário...
O livro se parece muito com grande parte dos jovens de nossa sociedade: capa linda, mas conteúdo deixando a desejar. 
Se não tiver outro livro na fila, arrisque-se. Quem sabe sua experiência pode ser melhor.
De 0 a 10: 6

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