9º livro do ano

"A dança da morte", Stephen King
Há muito que não escrevia por aqui. Não que isso represente grande diferença no mundo, mas quando começo uma coisa não gosto de deixá-la pela metade, o que inclui este modesto - mesmo- blog. Simplesmente, as coisas este ano estão um pouco estranhas. Não estou conseguindo manter meu ritmo de leitura habitual e não há uma causa aparente para que isso esteja acontecendo. Simplesmente está acontecendo. 
Comecei a ler este livro meio que despretensiosamente. Não foi intencional: terminei o livro anterior e não estava conseguindo emplacar nenhuma leitura. Comecei um outro, parei, o mesmo aconteceu com mais um... Aí, peguei esse e a mágica aconteceu. Minha edição é de bolso, da editora Ponto de leitura (não achei a imagem correspondente), tem a módica quantia de 1566 páginas!!! Impossível carregá-lo na bolsa, quase uma bíblia. Aí a leitura ficou limitada a quando eu estivesse em casa... e por isso demorou um pouco mais de um mês. Mas, mais uma vez, um show do mestre.
King estende-se na história porque gosta de ser detalhista. Um filme baseado na história de King nunca, nunca mesmo conseguirá ser fiel à história (abro um parentese para a obra prima de Stanley Kubrick, "O Iluminado", mas que nem de longe é fiel ao livro. Mídias diferentes pedem linguagens diferentes...)Ele esmiúça, detalha, faz com que seu leitor entenda o início da história que terá início logo mais. E, neste caso, mais uma vez, são várias histórias que irão se cruzar. pelo menos cinco personagens principais. E nós vamos saber da vida de cada um deles. Expectativas, trabalho... O que estava acontecendo quando tudo aconteceu.
O resumo básico que pode ser feito de uma forma bem tosca, apenas para ser entendido é o seguinte: um super vírus escapa de uma base do exército nos EUA. Ele é letal: altamente contagioso e com um ciclo de 24 horas. Ou seja: em 24 horas, você está morto. E uma morte que envolve febres altíssimas, tosse, muco (muito muco) manchas no pescoço, gânglios alterados... Uma coisa pra ser lembrada.
Esse vírus praticamente varre a humanidade. Os sobreviventes são poucos, muito poucos mesmo: dois ou três em cada cidade. Dificilmente, duas pessoas de uma mesma família conseguiram sobreviver.
O colapso se instala conforme a doença avança: logo, não há mais energia, não há água. Cadáveres nas estradas, dentro de carros que agora se empilham em estradas que seriam possíveis rotas de fuga. Os poucos sobreviventes tem agora de lutar para continuarem vivos. Afinal, nem todos os que sobreviveram são "bonzinhos": há ladrões, estupradores e agora qualquer pneumonia mal tratada ou um apêndice supurado podem ser sinônimo de morte, pois não há médicos. E. convenhamos, sobreviver a uma situação dessas é um convite para a loucura.
E há mais um detalhe (vindo de King, sempre haverá mais um detalhe): os sobreviventes passam a ter sonhos. Sonhos estranhos que envolvem uma velha negra de nome Abagail... e um Homem Escuro. E ambos tem seus convites, suas propostas.
Nesse clima de tensão, onde tudo pode acontecer (ou nada acontecerá) a história vai ganhando corpo. Mas atenção: são vários protagonistas e os coadjuvantes que vão chegando são importantes para cada passo que a história dá. Em momentos, você está acompanhando o desenrolar de um, no capítulo seguinte você dá uma salto para a vida de outro antes de voltar para o primeiro. É agonizante, pois o Autor consegue fazer você querer devorar o capítulo para explicar logo o que aconteceu que ficou no ar...Ah, detalhe: tem capítulos com quase cem páginas, outros com três. Sim, este é o universo kinguiano.
Não vou falar demais para não contar a história de forma empobrecida. Mas é muito interessante essa perspectiva nestes tempos de ficção barata, apocalipse zumbi e invasões alienígenas. Mais uma vez, King usa o possível, o provável para nos colocar num clima de tensão, suspense... Medo. Não é terror, é temor.
Valeu cada linha.

De 0 a 10: DEZÃO!

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