12º LIVRO DO ANO

"A BIOGRAFIA ÍNTIMA DE LEOPOLDINA", de Marsilio Cassoti
Eu sou uma admiradora de História. Me encanta compreender como uma determinada atitude tomada em um momento pode influenciar a vida de pessoas que nunca vimos ou que sequer imaginamos quem sejam. A História do Brasil não poderia ser diferente: nossa cultura, a maneira como nos portamos, bons e maus hábitos em todos os âmbitos da sociedade poderiam ser melhor entendidos se a nossa história, o nosso começo, fosse estudado e compreendido de fato. Mas, memória histórica é uma coisa que está apenas começando a ser encarada como algo sério por aqui...
Diante disso, um dos meus personagens favoritos por sua sorte e influência sempre foi a Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, uma mulher de origem não nobre mas que conquistou o príncipe regente e futuro imperador do Brasil, Pedro I. Ela foi a amante que influenciou D.Pedro e eles ficaram juntos por anos. Ele deu títulos de nobreza à ela e sua família, reconheceu os filhos que teve com ela, deu-lhe propriedades e status. Causou furor. Não foi a última amante do nobre, mas foi sem dúvida aquela que marcaria o seu nome na história desse  país. Já li dois livros sobre sua vida, fora outros sobre o tema que sempre retornam à ela. Difícil falar de D.Pedro sem falar de Domitila, tamanha sua influência na vida do monarca.
Com isso, ocorreu-me conhecer o outro lado: Leopoldina, a imperatriz austríaca, esposa desse homem fisgado por "Titila".
Nenhum pré-julgamento, uma vez que seria ingenuidade imaginar que os monarcas não possuíssem amantes, que contatariam para a sociedade sua virilidade, já que o ser humano é sexual em sua essência. Casamentos eram apenas moeda de troca e uma maneira de se negociar reinos e alianças. Mas sempre tive interesse em saber mais sobre a esposa traída, já que a maioria dos livros de história a retratam como uma mulher inteligente, mas deprimida, dona de pouca beleza, um tanto acima do peso e com belíssimos olhos azuis.
Pois bem, Marsilio Cassotti utiliza-se das muitas cartas escritas por Leopoldina durante sua vida, desde a adolescência na Áustria para compor um perfil. Uma menina geniosa, brincalhona, inteligente e sarcástica, inteligente e consciente de seus deveres como mulher de sua época.
Contudo, eu compreendi Leopoldina como uma mulher com esperança quando da ocasião de seu casamento. Acho que ela não esperava - quem esperaria?- passar por tudo o que passou. A brusca mudança de clima, de costumes (Portugal pelo jeito era visto certa reserva pelos outros reinos, com uma espécie de preconceito), o marido belo, garboso e conquistador... O destino de ser uma boa mãe de muitos filhos, especialmente meninos que pudessem suceder o pai no reino... 
Leopoldina deve ter se desiludido muito cedo com a vida que a recebeu aqui. Apesar de inteligente e de saber articular politicamente junto aos poderosos, ela sofreu humilhações que nenhuma mulher gostaria de sofrer. D.Pedro, a certa altura, não fazia nenhuma questão de esconder seu tórrido romance com Domitila, chegando a nomeá-la camareira da Imperatriz.
O livro é muito bom, tem muitas referências históricas e traça um perfil muito claro de Leopoldina. Sem correr nenhum risco de contar algo que você já não saiba, Leopoldina morre no final. E tive muita pena de vê-la morrer assim, com algum tipo de infecção, triste, humilhada e calada, sublimando cada vergonha a que foi submetida pelas atitudes do marido -um homem mimado, irascível e imaturo, apesar de precisar tomar atitudes que influenciariam na vida de todo um povo.
A descrição da morte dela me levou lágrimas aos olhos. Ela cumpriu o papel que lhe foi dado. Merecia ao menos ter conseguido voltar à Europa como desejou tantas vezes já perto do fim.
Domitila foi uma mulher esperta e inteligente, de alguma maneira soube manipular o homem poderoso que por ela se encantou. Mas Leopoldina foi uma vítima: foi criada para ser uma princesa. 
E foi.
De 10 a 0 : 10!

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