16º livro do ano

"História de O", Pauline Reage
Livro de um dia, assim defino essa história.
Fiz meu "mea culpa" no último post sobre como negligenciei meus hábitos de leitora nos últimos meses e, fuçando aqui e acolá na internet achei um canal no Youtube que gostei muito que me levou a ver um vídeo sobre 50 tons de cinza... 

(Aqui eu abro um grande parêntese sobre o livro "50 tons de cinza", da E.L.James. Eu vivi na pele a febre 50 tons: li os livros emprestados, quis ganhar o box, ganhei e reli todos os três livros, me "apaixonei" primeiro pelo Christian Grey e em seguida pela história... E ficava de cara feia quando alguém falava mal da história perto de mim, defendia a história, a autora e o direito de ler. Porém, passado algum tempo... Este ano eu decidi ver o filme com a Dakota Johnson e o Jamie Dornan - que ficou um lindo Christian, assim como a Dakota conseguiu ser a Anastasia songamonga perfeita - e eis o meu susto: eu  NÃO CONSEGUI ASSISTIR o filme, dado o nível de tosquice da história!!! Tudo muito rápido, muito superficial, muito inverossímil... Mas o pior ainda estava por vir: analisando friamente a questão, o filme é absurdamente fiel ao livro - pelo menos os 20 minutos iniciais que consegui assistir, porque não deu... Gente, ela ligando pra ele bêbada de uma festa, acordando na casa de um estranho e achando tudo normal... Que coisa mais infantilóide! Algumas pessoas criticam o fato da Anastasia ser virgem, coisa que eu acho irrelevante: podem ser raras, mas eu acredito que ainda existam mulheres que façam essa opção e a vida sexual de cada pessoa pertence exclusivamente à ela. Mas as atitudes dela e do Grey estão muito longe de serem reais, críveis. Ele é um pseudo-dominador boboca e ela aceita tudo tão... Naturalmente. Não, nem sei se naturalmente é a melhor palavra. Ela se apaixona, mas mesmo assim tudo é tão superficial. Rápido demais para contar uma história que não é tão simples assim.
Não volto atrás: tive minha fase Grey, curti. Ponto. Mas agora que passou eu consigo analisar por outro viés: é uma história com muitas falhas, mal escrita, a parte dita "erótica" é chula e impossível biologicamente de acontecer... Enfim, caí na rede mas consegui sair dela. Maturidade literária? Talvez. Mas eu não apostaria muito nisso, afinal eu vivo caindo nesse tipo de pegada. Preciso primeiro da minha maturidade mesmo... )

Nesse vídeo, Tatiana Feltrin fala sobre o livro que li. 
Vamos à ele.
"História de O" é de autoria de Anne Declos publicado sobre o pseudônimo de Pauline Reage em 1954. Retrata a história de O (tratada apenas assim, acredito que seja uma forma de anulá-la, como se saber seu nome e sua história de vida não fosse importante já pelo contexto da história que será narrada), como diz o título, uma mulher que trabalha como fotógrafa de moda e que aceita que seu amante (assim ele é descrito) René a apresente como escrava sexual após passar por um castelo em Roissy, arredores de Paris, como se fosse uma espécie de escola: a submissa aprende a aceitar sua condição e aprende como deve se portar adequadamente ao seu senhor.
Assim como não sabemos o nome de O também muito pouco é dito sobre sua vida, seus valores morais ou criação/educação. À nós é apresentada apenas a submissão de O.
A história se desenvolve e vemos O pôr em prática tudo o que "aprendeu", mas em momento algum existem palavras chulas ou grotescas. É uma literatura realmente erótica, mas não ofensiva. No decorrer da trama entra em cena o Sir Stephen, um inglês aparentado com René que a recebe como um "presente" das mãos do próprio irmão. 
A princípio, O tem algum conflito emocional, mas consegue aceitar e ter orgulho de sua condição de submissa - ou seja, ela passa a pertencer a Sir Stephen e deve fazer tudo o que ele quiser, inclusive aceitar outros homens, ser observada por estranhos enquanto faz sexo, objetos que modelam ou deformam seu corpo de acordo com os desejos de seu dono. É interessante ver como O vai se tornando submissa mesmo, aceitando sua condição de objeto, de se vestir como é mandada, se portar de maneira tal que, se não  fizer, pode ser punida, atender aos desejos de Sir Stephen a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar.
Gostei muito da história, é erótica de verdade, é crua sem ser ofensiva, realmente trata da relação de uma submissa e seu dominador. 
Eu li a versão em pdf, mas acredito que não esteja faltando nada, pelo contrário: a história é curtinha mesmo, sem inventar muito.
Segundo a Wikipedia, "História de O", "o livro provocou fortes reações do público e da crítica, e recebeu o prêmio de literatura erótica Les Deux-Magots, em 1955."
Recomendo!
(aqui abro outro parêntese: vou parar de dar nota para minhas leituras. Valem a pena, não valem a pena... mensurar com uma nota é muito raso, melhor deixar a impressão que tive e aí cada um toma a decisão que achar melhor.)
É isso!


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