17º LIVRO DO ANO

"SERIAL KILLERS- ANATOMIA DO MAL", de Harold Schechter
 Com faixa. (imagem da internet)
Sem faixa (imagem da internet)

Eu sou fã desse tipo de literatura. Acho incrível o trabalho que agentes, detetives, profilers, psicólogos forenses fazem para tentar decifrar a mente de pessoas que são capazes das maiores atrocidades contra outras pessoas. Já li vários livros sobre o tema, gosto muito de saber a respeito disso por pura curiosidade, apesar de saber que é um tipo de leitura que causa arrepios na maioria das pessoas.
Este livro especificamente me despertou em alguns momentos uma agonia, um desespero, uma sensação de vazio e medo. Em vários momentos eu precisei parar de ler para respirar um pouco antes de continuar... São detalhes que devem ter sido pouco divulgados à época das investigações, pois são horripilantes. Tem de tudo: tortura, canibalismo, necrofilia... Tudo o que de mais asqueroso a mente de um ser humano doente possa imaginar, alguns desses seres praticaram. Eu fico pensando o quanto de preparo psicológico os agentes envolvidos precisam ter para conseguir lidar com isso. Fora a família das vítimas. Como viver ao saber certos detalhes que podem ter ocorrido com um ente querido?
Tenso.
"Serial Killers- anatomia do mal" apresenta-se como uma espécie de enciclopédia sobre os principais serial killers da história forense. Traz detalhes (ricos detalhes, cabe ressaltar) sobre a personalidade, a infância e principalmente o "modus operandi" de cada criminoso, sempre também colocando qual foi o fim de sua vida. A apresentação do livro é em capa dura, com detalhes como impressões digitais e essa espécie de "fita" de segurança em volta dele, que dá um visual muito interessante. Tem fotos do assassinos, destaque para a maneira como os serial killers são retratados na cultura pop em livros, filmes, músicas. Traz curiosidades sobre crimes que jamais foram desvendados, disseca os métodos, trata também sobre o fascínio que os assassinos causam a algumas mulheres e sobre a chamada "murderbilia", o hábito de colecionar pertences dos assassinos, seus "instrumentos" ou produções "artísticas" dos mesmos. Também mostra como esse termo - serial killer - foi cunhado apenas a partir dos anos de 1980, o agente do FBI responsável por utilizá-lo pela primeira vez.
O livro é completo, em alguns momentos é de embrulhar o estômago, mas tem tudo o que você pode imaginar sobre esse macabro universo dos crimes em séries. São 473 páginas, fora a bibliografia.  Ao final de cada capítulo, o autor deixa a indicação de livros sobre o tema ( a maioria ainda sem publicação no Brasil, mas fica a dica para os interessados.)
Se você quer saber mais sobre gente como Ted Bundy, Charles Manson, Andrei Chikatilo, Ed Gein, H.H. Holmes... e outras pessoas que , por algum motivo começaram uma escalada de assassinatos, tortura e terror, essa é a melhor indicação.
Achei interessante as fotos, algumas perturbadoras ilustrando o livro, desenhos amedrontadores, mas especificamente as fotos dos killers. Pessoas aparentemente comuns, alguns até mesmo "miúdos" ou com uma aparência abobalhada. Esse é o maior terror que podemos passar: um assassino que pode ser seu vizinho de andar ou o palhaço que vai ao hospital fazer graça para criancinhas doentes e depois estupra jovens rapazes. Isso é o mais interessante, do ponto de vista da psicologia: como, em que momento , houve esse insight de começar a matar de maneira tão cruel? Nem todo mundo com uma família violenta ou disfuncional é um psicopata ou um serial killer, mas todo serial killer tem um histórico de abandono, abuso e maus tratos em geral. Em que momento será que a mente sai do controle? Afinal, boa parte destes assassinos continuava trabalhando, alguns inclusive com família e filhos, enquanto mantinham mulheres acorrentadas ou cabeças decepadas nos armários. Outros não: o comportamento estranho já atraia a atenção dos vizinhos. Outros são bonitos, como Paul Bernardo e Ted Bundy. Outros deixaram um rastro de sangue, com vítimas que jamais foram encontradas. Outros estabelecem um padrão de matar ou um tipo físico "preferido". 
Enfim...
É um livro muito interessante, detalhado... Chego a dizer que é um dos mais completos que já li sobre o tema. Mas é preciso uma boa dose de coragem...


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