19º LIVRO DO ANO

"Dá-me teus olhos", Torsten Pettersson
Quando eu era adolescente era apaixonada pela Itália. Eu procurava me informar mais sobre o país, os pontos turísticos, os hábitos, a história.... E olha que isso era bem mais difícil do que nos dias de hoje! Sem Internet (sim, houve um tempo em que não existia internet !), o negócio era dar um jeito com a boa e velha Barsa, revistas que trouxessem alguma matéria sobre o país, enfim, opções diversas mas nem sempre alcançáveis. Eu adoraria conhecer a Europa, especialmente a Itália, mas meu pavor de voar talvez adie um pouco mais esse sonho. Contudo, hoje em dia, passados tantos anos desde minha adolescência, posso dizer que tenho uma grande, profunda e tremenda admiração pelos países escandinavos. Especialmente pela cultura. Um povo que se adaptou a um clima frio, com uma mitologia incrível, com um pensamento desenvolvido, países organizados... Suécia, especialmente, figura em meus sonhos de consumo para passeio e moradia... Sonhar ainda não está cobrando imposto, então....
Fiz esta pequena introdução para explicar minha escolha. Autores escandinavos ou histórias ambientadas nesses países sempre sairão com alguma vantagem nas minhas escolhas literárias. Não tem muito sentido, mas é assim que funciona, fazer o quê? Vira e mexe tem um por aqui...
Neste livro da editora Claridade, o autor (nascido em 1955 em Turku, uma comunidade sueca na Finlândia - por isso ele é considerado sueco, mesmo tendo nascido em território finlandês. Achei isso interessante... e professor na Universidade de Uppsala, a mais antiga e prestigiada da Escandinávia) traz a história de Harald Lindmark, experiente comissário criminalista ( que equivale ao investigador para nós) que se vê às voltas de um crime hediondo: uma mulher encontrada morta num parque de Forshalla, na Finlândia, nua e sem os olhos. Obviamente, a corrida contra o tempo tem início: a crueldade dá a entender que pode ser obra de um Serial Killer e, portanto, ele pode atacar novamente a qualquer momento... 
Com a ajuda de sua parceira Sonia Alder, jovem e inexperiente mas cheia de vontade, Harald tenta a todo custo achar o culpado. Até que outro crime acontece, com as mesmas características. E começa aqui uma corrida contra o tempo para a captura do assassino chamado de Caçador.
A história é um bom romance policial, que te dá boas pistas sobre o criminoso no decorrer da trama, mas não consegue escapar do velho clichê: policial experiente e admirado por todos tem sérios problemas emocionais após a perda de um ente querido (neste caso, a esposa) e conta com a equipe para auxiliar nas investigações, apesar de sempre ter as melhores ideias sobre o que deve ser feito. Ainda assim, é uma boa história, interessante e que te dá vontade de continuar a ler até chegar ao fim. Esta minha edição tem alguns erros de grafia que não comprometem, mas que infelizmente estão ficando cada dia mais comuns (palavras com letras faltosas, vogais fora do lugar na sílaba e frases iniciadas com minúsculas. Como eu disse, não são muitas, mas antes não eram nenhuma... Erro de revisão?) A narrativa é em primeira pessoa, mas os narradores vão se alternando: ora Harald, ora o próprio assassino, ora as vítimas... Corre paralelamente uma história que trata de tráfico de mulheres, também bem interessante, mas quase no final do livro é que você vai compreender porque ela está lá. Mas é legal porque você está sempre mudando de visão sobre a trama, vendo sempre a perspectiva de outro personagem e aprendendo um pouco sobre uma outra cultura, bem diferente da nossa. Enriquecedor ler livros que trazem narrativas do cotidiano de outras culturas, você aprende sem perceber...
Gostei, me lembrou um pouco os primeiros livros do Harlan Coben e do excelente John Verdon, que tem Thrillers policiais maravilhosos.
Altamente recomendável, vale a pena experimentar!

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