23º LIVRO DO ANO - MÊS DO HORROR

OUTUBRO: TENHA MEDO!

"O Rei de Amarelo", Richard W. Chambers
"O Rei de Amarelo" é um livro de contos meio sombrio, meio triste. Cada conto tem em sua atmosfera carregada, estranhamente sufocante, mesmo aqueles que são mais realistas são cheios de intrigas, fracassos... Mas não apenas isso. Falando assim eu posso causar uma má impressão do livro. É um livro, em sua primeira parte com um ritmo de sobrenatural bem dosado, bem construído e, na segunda parte, muito humano com todas as nuances que isso pode implicar.
São dez contos, a maioria ambientados em Paris e quase todos possuem artistas como seus protagonistas (pintores, escultores...) como o próprio autor do livro o era. O original deste texto foi publicado em 1895.
É interessante destacar que o amarelo é uma cor que era relacionada à podridão, ao pecado. As vestimentas do rei tem esta cor para associá-lo a tudo o que é ruim, errado, sórdido, sujo. Este título é de uma peça que será citada algumas vezes nos quatro primeiros contos. É atribuído à ela o dom de endoidecer aquele que a lesse completamente, como se ela fosse amaldiçoada. 
Os protagonistas são jovens estudantes de arte, como eu já disse, numa Paris em ebulição que às vezes remete à época de lançamento dos contos (início do século 20) ou em algum futuro distópico. São boêmios, dispostos a aproveitar os amores que a vida oferece, de preferência com alguma compensação...
Particularmente, gostei muito dos primeiros quatro contos, que tem sempre uma referência sobrenatural ( que é meu gênero favorito). Sempre com elementos como do observador misterioso - existirá ou não?, do sonho premonitório e de mau agouro, de visões estranhas... Gostei de todos!
Depois, o quinto conto é uma espécie de buraco no tempo, como se tivesse acontecido um encontro entre duas pessoas de tempos diferentes. Como  se o lugar onde se passa o conto fosse um local mágico, que possibilitasse esse mergulho entre passado e presente.
Muito bom!
Depois, no apanhado de poemas em prosa "O paraíso do profeta", vemos uma espécie de transição do caráter fantástico inicial do livro para uma ambientação mais realista no final, ou melhor , nos contos finais. Não há mais citações sobre "O Rei de Amarelo", mas parece haver uma conexão entre os personagens, como se os contos estivessem interligados, às vezes são personagens parecidos com outros, ou com os mesmos nomes... não consegui ter certeza se eram os mesmos personagens vivendo em tempo diferentes de suas vidas ou apenas a utilização de mesmos nomes. Acredito ter sido proposital.
Enfim...
Uma boa chance de um livro curto, mas muito interessante no começo e meio romântico-decadente no final. Chambers já trabalha com aquele conceito de anti-herói muito comum nos dias atuais: os protagonistas não são totalmente bons, nem completamente ruins - humanos com seus vacilos comuns a humanos...
Bom livro, leitura leve para quem ainda não encara um terror mais... pesado, digamos assim.

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