25º LIVRO DO ANO

OUTUBRO: TENHA MEDO!

"A estrada da noite", Joe Hill
Aproveitando o ensejo do Mês do Horror, reli pela quarta ou quinta vez este livro INCRÍVEL do Joe Hill! E, acredite se quiser, ainda me assusta! Essa maravilha foi publicada no Brasil em 2007, pela editora Sextante.
Joe Hill tem o DNA, inegavelmente! Sou admiradora de seu trabalho e não acho nem um pouco repetitivo ou plagiador. Ele tem seu estilo, mais sucinto, um ritmo próprio de conduzir a escrita. Já disse de uma outra vez e repito que imagino ser muito difícil ser filho de um talento admirável e herdar esse mesmo talento. Ter que carregar para sempre todo o peso de suportar comparações e sempre ter que responder se o pai lê seus originais, se ele o inspira etc etc não deve ser fácil, mas acredito que Hill já conseguiu mostrar seu diferencial.
Joe e "Daddy". Ele, de barba, esconde um pouco a semelhança física de ambos.


Aqui, a dedicatória do livro. Fofo!

Vamos ao livro (me esforçarei ao máximo para não dar spoiler...)

Judas Coyne, vocalista da já extinta mas ainda famosa banda de rock pesado O Martelo de Judas, vive curtindo a aposentadoria mas ainda conserva alguns velhos hábitos, como namorar garotas que tem idade para serem suas filhas, chamá-las não pelo nome, mas pelo nome de seu estado de origem e colecionar objetos bizarros. Por exemplo, um crânio perfurado de um camponês "possuído" (o buraco foi feito para os demônios saírem...), a confissão de uma "bruxa" datada da época da inquisição, quadros pintados pelo John W. Gacy, aquele palhaço de dia e serial killer de jovens rapazes à noite e por aí vai. Portanto, quando ele viu uma oferta que chegou em seu e-mail oferecendo a compra de um fantasma, ele não pensou duas vezes: o que era para ser um leilão foi finalizado com a oferta mais alta - a dele- pelo suposto fantasma. 
A ex-dona do fantasma ainda garantia que enviaria uma coisa concreta simbolizando a negociação: o paletó do morto.
Pois bem, quando a aquisição chega, Jude está vivendo com Geórgia... na verdade, Marybeth, uma menina de 20 e poucos anos, branca como a neve e completamente gótica. 
A partir da chegada do paletó, coisas estranhas começam a acontecer e Judas logo descobrirá que o tal fantasma - o aterrorizante Craddock McDermott - não veio parar em sua vida ao acaso. Na verdade, a vida deles se cruzou quando Jude namorou a enteada do morto, que se suicidou após a separação - nada amigável - dos dois...

A partir dessa incrível premissa já apresentada na primeira página do livro, Joe Hill vai nos conduzindo por uma trama arrepiante, cheia de sustos e cenas de suspense muito bem descritas que nos deixam com um certo medo de ir beber água no meio da noite...(eu fiquei, ué, fazer o quê?).  O fato da ação estar presente logo de cara faz com que o autor mantenha o ritmo sempre acelerado, mas muito bem escrito. Difícil um momento calmo (na verdade, não me lembro de momentos calmos durante o desenvolver da história), o que torna a leitura uma delícia! (nunca fico mais de três dias com esse livro, sempre termino muito rápido porque simplesmente não dá pra parar!) Ele tem uma coisa fantástica com as descrições dos olhos do fantasma, a maneira como ele se porta até conseguir contactar Jude que é apavorante, a fala calma e cadenciada de Craddock... Tudo é muito bem escrito e descrito.
Perfeita para ler à noite, antes de dormir (ou de não dormir, vai de cada um).
Joe Hill é, sem dúvida, um excelente escritor do gênero horror e já tem seu público cativo (eu me incluo...) 
Pelo o que (rasamente) procurei na internet, houve uma conversa sobre uma possível adaptação para o cinema em 2009, mas que acabou não se concretizando*.

Mas o livro é excelente para quem gosta de sentir um frio na barriga, com uma escrita dinâmica e que te prende do início ao fim.

Boa leitura!!!


*Sinceramene, melhor não fazer filme se for pra fazer uma nhaca de adaptação como aconteceu com o livro "O Pacto" ("Horns" no original), que no Brasil ganhou o estúpido nome de "Amaldiçoado" na versão cinematográfica e com Daniel Radcliffe no papel título. Sério, tem dinheiro que pague ver a sua história, criada com tanto amor nas entranhas do seu cérebro completamente destruída na tela do cinema????
Devo ser muito pobre mesmo para não compreender isso...

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