26º LIVRO DO ANO

OUTUBRO: TENHA MEDO!

"A condessa sangrenta", Alejandra Pizarnik


Eu gosto muito de histórias sobre serial killers, é o tipo de literatura que me atrai porque me intriga. Onde, dentro da cabeça de um ser humano aparentemente normal, reside  o transtorno de se matar, torturar e machucar outro ser humano? Quando isso tem início, qual é o gatilho que dispara o mal assim, com tamanha precisão?
Há poucas histórias sobre mulheres serial killers, o que não significa que elas não existam.
Assim, vez por outra já encontrei histórias sobre a condessa Elizabeth Bathory, uma condessa húngara que, na sua sede de preservar sua juventude e beleza, banhava-se com o sangue de jovens plebeias que trabalhavam no castelo ou moravam nos arredores.
Este livro da Editora Tordesilhas, ricamente ilustrado por Santiago Caruso, traz a história de Elizabeth com a escrita de Alejandra Pizarnik e com alguns detalhes que tornam apenas mais cruéis as atitudes pervertidas, como a descrição de algumas torturas realizadas: enfiar um círio em chamas na garota torturada, arrancar pedaços dos ombros das criadas e mastigá-los para acalmar suas dores de cabeça,  congelar garotas no frio da Hungria... Uma criatura perversa. 
Como pertencente a uma das mais antigas e nobres famílias húngaras, a condessa se enxergava como acima do bem e do mal. Portanto, não via como errado o que fazia.
Particularmente, acho estranho que tenham demorado tanto tempo para descobrirem quem era de fato essa mulher, mas contextualizando, estamos falando do século XVII e tudo que um nobre fizesse poderia ser perdoado. Sendo assim, só se deram conta do tamanho do estrago quando, juntamente com uma feiticeira de sua confiança, chegaram a conclusão (então com aproximadamente 50 anos de idade) que o processo de retardar o envelhecimento não estavam dando certo por se usar sangue plebeu. Então, fizeram a armadilha perfeita: após anúncio, 25 filhas da alta sociedade aceitaram se hospedar no castelo para receberem aulas de etiqueta e, em troca, apenas fazer companhia à pobre condessa solitária e viúva.
Pois bem, duas semanas depois restavam apenas duas: uma exangue e a outra morta por suicídio...
Ao ser descoberta, foi condenada a morrer sozinha em seu castelo. Julgou-se que a morte seria de muita bondade para essa mulher tão cruel...
O livro traz um resumo da vida adulta de Elizabeth, as ilustrações são sombrias mas encantadoras, de muito bom gosto e que retratam toda a sedução e crueldade que envolviam a condessa.
Na internet já existem bons textos sobre a condessa, sua vida e morte e detalhes como desde a infância ela já parecia ser doente (ataques epilépticos, crueldade exacerbada...) Neste livro mesmo, a autora fala de melancolia, que seria essa a doença da condessa (uma espécie de depressão, doença grave que merece tratamento e atenção especial) Pelo o que eu li, não houve provas das barbáries cometidas, ela foi acusada apenas com o testemunho de quem trabalhava e vivia próximo ao castelo e com base em uma espécie de agenda descoberta nos aposentos dela, onde constavam mais de 650 nomes femininos. Logo, não se sabe até que ponto tudo isso é verdade absoluta. Talvez parte o seja e outra parte ficou por conta de que passou a história adiante...
Boa leitura, simples, sucinta. Vale mais bela beleza sombria do texto e das ilustrações.

Comentários

Postagens mais visitadas