27º LIVRO DO ANO

OUTUBRO: TENHA MEDO!

"O bebê de Rosemary", de Ira Levin


A primeira edição desta história é de 1967. Portanto, há todo um contexto a ser inserido aqui para que essa história  possa ser compreendida como uma história de horror. Comparada à vida alucinada que temos hoje numa sociedade completamente diferente desta em que a narrativa acontece, eu diria que beira a ingenuidade alguns momentos do livro.
Mesmo assim, nada que comprometa a história, considerada um clássico especialmente depois que filme dirigido por Roman Polanski foi considerado um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. 
Vale lembrar que a história também deu origem a uma minissérie de dois capítulos na TV estadunidense.
Vamos à história:
Rosemary e seu marido, Guy, estão prestes a se mudar para o edíficio Bramford, conhecido palco de acontecimentos grotescos, como ter sido morada de uma dupla de serial killers femininas que matavam e comiam criancinhas, um conhecido evocador de Satã que sofreu uma tentativa de  linchamento na porta do edifício e outros crimes que não tornam o lugar muito convidativo, sempre envolvendo mortes. Mesmo assim, com sua arquitetura e aura charmosíssimas, o casal (especialmente Rosemary) abrem mão de um outro lugar para poderem morar ali.
A vida de ambos vai transcorrendo dentro da normalidade: Guy, aspirante a ator de sucesso, quer conseguir se destacar nesse concorrido universo enquanto Rosemary, apesar de ser formada, não trabalha fora, passando seus dias cozinhando para o marido e arrumações do novo lar... O casal vai conhecer moradores antigos do edíficio, entre os quais o casal Castevets, Mimi e Roman, muito atenciosos e que despertam em Guy e Rosemary certo carinho por serem velhinhos e solitários, apesar de serem fonte de zombaria por serem muito engraçados. Eles vão se aproximando cada vez mais, especialmente depois do ambicioso Guy ser informado por Roman que ele teria alguns contatos por ser conhecido de produtores, atores e diretores...
Acredito que o desenrolar da história não seja novidade para ninguém... mas, enfim, vamos evita os pormenores e dizer que Rosemary finalmente fica grávida (coisa que ela queria muito por vir de uma família grande, mas que Guy queria esperar até se "estabelecer" no ramo artístico. A gravidez é marcada por desejos estranhos, dores e a constante intromissão dos Castevets na vida do casal, inclusive com a indicação de um médico e a ministração de uma beberagem especial feita por Mimi para fortalecer o bebê.
A coisa aí é que fica engraçada: a intromissão dos vizinhos velhinhos é tanta que acho difícil não ter vontade de cortar os laços de amizade. Eles vão se afastando de toda a vida social que eles tinham antes, tornando-se quase exclusividade do estranho casal de velhinhos.. O ritmo de escrita deste livro lembrou-me muito "Horror em Amityville", de dez anos depois, mas ainda com um tipo de escrita bem parecidas: diálogos curtos, sem muitas explicações, marcados por aspas. A história se desenvolve rapidamente, tanto que o livro é curto (219 páginas) e o final é um pouco diferente do filme, sendo mais detalhado... Inclusive, acho que essa é a grande diferença, já que eu me lembro de algumas passagens ou falas do livro que estavam na íntegra no filme.
O autor conseguiu não ficar preso a grandes explicações sobre o parto, nem detalhou grandemente toda a gravidez de Rose. Isso foi bom, porque acredito que ficaria arrastado e tiraria da trama aquele ar de cotidiano: coisas esrnhas acontecem, mas sempre inseridas na realidade, no dia-a-dia e você fica com uma certa dúvida - ou seja , as dúvidas de Rose passam a ser as nossas: estaria ela imaginando ou não? Seria só mania de perseguição? Apenas a mente de uma jovem mãe, um pouco assustada com a breve nova realidade? É muito legal como em alguns momentos há uma mistura de sonho e realidade, bem escritos e deixando essa sensação de dúvida sempre mais forte. 

No mais, é uma história com ritmo, não dá vontade de parar de ler  especialmente após o parto. 
Lógico que, hoje em dia com os avanços da modernidade não há exatamente um medo (pelo menos eu não senti), mas aquela sensação de desconforto, de "por quê?", de revolta com a ingenuidade de Rosemary e o egocentrismo de Guy, sempre justificado por ser "ator". Típico livro para se ler de uma talagada só...

Vale a leitura para conhecer uma outra maneira de se contar uma história.

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