39º LIVRO DO ANO

"MILLENNIUM 4 - A GAROTA NA TEIA DA ARANHA", DAVID LAGERCRANTZ



A (até então) trilogia Millennium escrita pelo sueco Stieg Larsson sempre foi vista com bons olhos. As três tramas envolvendo a hacker socialmente deslocada Lisbeth Salander e o renomado jornalista Mikael Blomkvist tiveram início, meio e fim e sempre receberam mais elogios do que críticas.


Porém, não $ei por qual nece$$idade (apena$ uma me ocorre ne$te momento...) a família autorizou o autor David Lagercrantz a continuar a trama e eis que surge o quarto livro.

Pois bem, vamos lá...

Seria crueldade achincalhar o autor, mas é certo que quem (como eu) já leu a trilogia chegará a este livro com certa expectativa, obviamente. Ninguém escreve igual a ninguém, por isso temos estilos e autores que se consagraram no universo literário, mas mesmo assim é necessário frisar que se você, enquanto autor, se dispõe a escrever utilizando uma gama de personagens que já apareceram em outras histórias que não de sua autoria, você será cobrado por isso.

Algumas coisas que eu notei neste livro que, para mim, destoaram muito do "original" (você só vai entender bem se já tiver lido a trilogia. Senão vai ficar esquisito... esteja avisado!):


  • Lisbeth tornou-se "desejável". A personagem sempre foi conhecida por ser masculinizada, com um visual punk desleixado, cheia de  piercings e tatuagens... Veja bem, não estou dizendo que quem tem piercings e tatuagens NÃO possa ser desejável, longe de mim. O que estou dizendo é que Lisbeth sempre fez de tudo para passar o mais desapercebida possível ou, se chamar a atençaõ ser repulsiva. Ela queria ser repulsiva, agredir o outro com a sua aparência, entende? E aqui, por algumas vezes, vi insinuações sobre sua sedução. Beira o risível... 
  • Lisbeth antes era completamente avessa a contato humano, fossem cumprimentos, beijos, sorrisos, conversas olho-no-olho... Ela não gosta desse tipo de contato. Mesmo quando ela estava apaixonada (ou o mais próximo disso) de Blomkvist, ela não tinha isso de troca de olhares ou beijos apaixonados. Não faz parte da personalidade dela. Ela tem uma história dura de vida e se tornou assim por um monte de motivos. Mas aqui, ela está... estranha. Falando demais, interagindo demais. Incentivando pessoas. Usando exclamações. Sei lá, não parece a Lisbeth.Não a Lisbeth de Larsson.
  • Blomkvist também está muito apaixonado pela Erika, editora da revista em que trabalha. Não que ele não gostasse dela antes, mas agora está muito meloso.
  • Uns diálogos meios óbvios do tipo desse entre Erika e Blomkvist:
       "- (...) você sabe a senha do meu computador?
       - Claro, não temos segredos."

      Em uma palavra: des-ne-ces-sá-rio.

  • São quase 200 páginas só de contextualização. Tem que ter um pouco de paciência... O autor relembra alguns personagens, dá detalhes do novo enredo, enfim. Tenha fé.
  • Há um momento em que Blomkvist vai encontrar um outro personagem importante da trama que parece demais - DEMAIS- com um momento em que ele vai encontrar um personagem importante no livro 3. Coincidência demais, impossível não lembrar. Achei um equívoco colocar duas situações tão parecidas.
  • Em alguns momentos a história está didática demais. Muita explicação, muitos números... Por se tratar de uma invasão hacker, tem hora que o autor quer esclarecer tantos pormenores que acaba ficando chato. Os diálogos longos, cheios de detalhes não se parecem com  diálogos que você possa ter com seu amigo de escritório, por exemplo. Fica artificial. Fica chato.
  • Um monte de personagens. Uns que vão participar de dois capítulos, mas estão lá com nome e sobrenome sueco, pra facilitar (ou não) sua vida. Faz parte...
  • Gente, e os olhares! Tudo é pelo olhar! "Fulano viu no olhar duro...", "Apesar de ter um olhar sedutor, pode ver uma mudança..." Para que conversa se só de olhar todo mundo entende o que está acontecendo??? Meio forçando uma situação, mais uma vez, desnecessária...
É complicado porque ao analisar a escrita do autor  ela não é ruim. Não de todo. Se fosse um romance ou romance policial com outros personagens, criados por ele mesmo, talvez a coisa até engrenasse. Mas são personagens criados por outra pessoa que já ganharam vida em três outros livros. Fica difícil levar essa história a diante sem fazer comparações.

A história em si versa sobre uma invasão hacker ao sistema da NSA, agência de segurança estadunidense e as consequências disso, porque você já imagina quem está por traz disso, o que deveria te empolgar durante a leitura é o porquê. Afinal, a Salander que conhecemos não faz nada sem uma razão, sem um motivo. Precisamos entender o motivo.  Mas, tenha fé pois será um caminho árduo.

Sinceramente? Péssimo não é, mas não é minha Salander favorita. nem de longe.
Fique com a trilogia. Ela já se chama trilogia por um motivo: TRÊS LIVROS BASTAM.

A escolha é sua...


Boa leitura!


P.S.: ainda fica com toda a cara de que vai continuar, viu? Sabe aqueles filmes da Marvel que terminam e já deixam um monte de perguntas para o próximo filme? Então, é assim... Tanto a história nos livros vai continuar com esse autor como no cinema (mas acho que sem o Daniel Craig e apenas a partir deste livro aqui) segundo o que li pela internet. Então, amiguinhos, segurem a emoção porque vem mais por aí... Só o tempo dirá!

    


Comentários

Postagens mais visitadas