42º LIVRO DO ANO

"DOZE CONTOS PEREGRINOS",  GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ



"Doze contos peregrinos" é um livro que me parece escrito com amor. 

Simples assim.

Gabriel Garcia Márquez, esse colombiano nascido em 1928 nas imediações de Barranquilla recebeu, em 1982, o Prêmio Nobel de Literatura e tem como grandes destaques as obras "Cem anos de solidão", "O amor nos tempos do cólera", "Memórias de minhas putas tristes" (já quero todos, óbvio), entre outros. Gabo é (foi) um homem de convicções: amigo de Fidel, criticava o imperialismo norte-americano e teve sua entrada barrada por muitos anos no país. O discurso dele na entrega do Nobel (disponível no site do Prêmio) destacou problemas que são típicos dos países latino- americanos.

Gabo escreve com lirismo estes doze contos. A presença do inesperado está em muitos deles, a fantasia aparece em outros, mas sempre de uma maneira tão comum, tão banal que é possível que você se surpreenda sem sequer se dar conta.

Destaco, particularmente, os contos "A santa", "Só vim telefonar" (fabuloso!), "Assombrações de agosto", "Maria dos Prazeres"... Mas todos são muito bons. São um convite a exercitar seu poder de enxergar o inesperado com olhos de criança, ou ver que o improvável está onde menos se espera, como quando um sonho pode ser mal interpretado e trazer algo melhor do que o que se esperava. Como nossa mente pode estra subjugada a algum poder de "viajar" e que este poder pode existir de fato... Quando falamos de coincidências ou de fatalidades será que elas são só isso mesmo ou há algo de fantástico por trás desses acontecimentos?

É um livro curtinho, 250 páginas e a leitura é rápida de  forma que você engole o livro e nem percebe que já acabou. Ao final de cada conto, tem o ano em que ele foi escrito. Outra curiosidade desta obra é que ela foi escrita e chamada de "contos peregrinos" porque Gabriel quis contar a experiência de latino-americanos ao redor do mundo. Então, após a escrita, Gabriel voltou aos lugares que citou em seus contos para verificar se condiziam com suas descrições... E, segundo ele, foi traído por suas lembranças! Ou seja, ao retornar, jogou tudo o que havia produzido fora e reescreveu um por um. 

Valeu a pena!

BOA LEITURA!


"O que você viveu ninguém rouba."
Gabriel Garcia Márquez
                                                                                                        (1927-2014)


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