1º LIVRO DO ANO

"O REI DO INVERNO", BERNARD CORNWELL

 

Este é o primeiro livro de uma trilogia chamada "As crônicas de Artur", uma incrível novela de cavalaria escrita por Bernard Cornwell, que só estou conhecendo agora mas já considero pacas... rs O autor tem várias outras novelas de cavalaria e, a julgar por esta aqui, devem ser maravilhosas! (provavelmente eu descobrirei logo sobre isso...)

"O rei do inverno" vai nos apresentar personagens que talvez você já conheça, mas sob um viés de personalidade que eu ainda não havia encontrado. A narrativa é conduzida por Derfel, um monge que, atendendo ao pedido da rainha Igraine, passa a escrever em pedaços de pergaminho a história do tempo de Artur, que a fascinam. O próprio Derfel foi um guerreiro de Artur que começou como lanceiro e se tornou um dos homens de confiança do então "príncipe". Artur era, na verdade, o filho bastardo do rei Uther, mas conhecido por ser um homem de presença, inteligente e com uma conversa que conquistava a atenção de todos e prezava a paz e a justiça.

A Britânia enfrenta uma "invasão cristã" após a saída dos romanos. A religião pagã - ou "Religião Antiga" , com deuses, mistérios, feiticeiras, maldições, sacrifícios- está sendo ameaçada. Derfel nos conta, logo no  início, que ele mesmo escapou de uma sentença de morte - foi atirado em um poço por um druida durante uma invasão na vila onde morava (era comum os exércitos andarem com um druida e eles tinham permissão ara andarem por onde quisessem, mesmo em tempos de guerra) - e, como escapou, a alma do druida passou a pertencer-lhe e Merlin decidiu levá-lo para seu povoado e criá-lo lá, junto com outras crianças que por algum motivo, ele tenha julgado especial. Apesar disso, Merlin está desaparecido: saiu para buscar a antiga sabedoria da Britânia há anos e ainda não retornou nem deu qualquer sinal de vida.

Ali também vivem Morgana, irmã de Artur e uma respeitada feiticeira. Mas aqui ela está bem diferente: deformada após escapar de um incêndio, ela está manca e usa uma máscara de ouro para esconder uma deformidade no rosto. Nimue, uma jovem feiticeira também vive ali e será a miga de Derfel, como uma irmã e protetora. Os diálogos entre os dois são incríveis, muito inteligentes.

A história fala de Artur e sua proteção a Mordred, o neto do rei Uther. Após a morte do filho legítimo, é Mordred que herdará o trono da Dumnonia. Acompanhamos o parto difícil de Norwenna e a constatação de que Mordred tem um pé torto - o que é considerado um mau presságio. Artur torna-se o principal líder militar britânico do século V, amado por muitos e odiado por outros tantos. É muito, muito bonita a parte da história em que Derfel conta como conheceu Artur: para nossos dias é como se ele fosse um "superstar", alguém que ele só conhecia por ouvir falar até o dia em que se encontram.

"(...) Mas aquele escudo era seguro por um homem como eu nunca tinha visto antes; um homem magnífico, um homem montado num grande cavalo e acompanhado por homens iguais; uma horda de homens espantosos, homens emplumados, homens co armaduras, homens que brotaram dos sonhos dos deuses para vir a este campo da morte.(...)

Porque, Artur, finalmente, tinha chegado."
(pág. 126)

Obviamente, o trono é muito cobiçado e isso vai gerar uma série de disputas entre os reinos e é esse desenrolar de fatos que vai fazer a trama ficar cada vez mais genial. Uma decisão de Artur colocará em perigo a paz da Britânia e ele fará de tudo para conseguir reverter essa situação. Eu acredito que não foi uma decisão que valeu o risco, mas talvez, assim como Artur, eu também tenha chegado muito tarde a esta conclusão.

Não vou falar mais nada correndo o risco de contar a história toda. Mas, sim, Derfel é um narrador fiel, que nos faz sentir na pele cada risco corrido, cada juramento de amizade, cada vez que "seu sangue vira pó"... Trechos emocionantes, um livro e uma história que é impossível não se apaixonar. A diagramação do livro tem letras pequenas e margens estreitas, são quase 540 páginas mas a leitura é muito fluida porque a narrativa é leve sem perder o ritmo. Mesmo nos momentos mais tranquilos da história o seu interesse é constante, porque tudo é muito bem escrito. 


Olha que lindo esse trecho sobre amizade:


"Os bardos cantam o amor, celebram as chacinas, exaltam reis e lisonjeiam rainhas, mas se eu fosse poeta escreveria elogiando a amizade."
(pág. 307)

Esta parte antes de falar sobre Galahad, irmão de Lancelot (esse Lancelot, vou te contar, viu...), amigo-irmão de Derfel. Ele conta que eles se entendiam pelo olhar ou conversavam por horas. É uma coisa linda de se ver! Me emocionou.

Dá muita vontade de falar mais, de contar mais, mas como eu j´disse, melhor não arriscar para não fazer um resumo porque dá vontade de falar desse livro por hooooras....

Enfim, um livro que abriu o ano com chave de ouro! Escolhi para meu desafio do calendário e foi uma excelente escolha!

Recomendo a leitura! Aliás, recomendo MUITO a leitura!!!

Se você chegou até aqui, obrigada e volte sempre!


TCHAU!

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