4º LIVRO DO ANO

"AURA", CARLOS FUENTES


"Aura" traz uma história no mínimo peculiar. Muito peculiar...

Um rapaz jovem lê um anúncio no jornal em uma manhã comum. Oferece-se emprego para historiador que tenha morado na França e domine o idioma. O salário é bom. Muito bom...

Ele estranha porque o endereço é de um lugar que há muito tempo foi tomado por comércio ou fábricas, ele não se lembra de ter vistos casas por lá. Mesmo assim, vai até o local e encontra uma casinha espremida entre muros. Perdida, solitária e escura. Ao bater na porta, nota que o batedor - a cabeça esculpida de um cachorro - parece encarar-lhe. Uma voz diz para que entre, vá por um corredor contando treze passos, vire à direita e suba uma escada. A voz - parece feminina - lhe diz quantos degraus são necessários até chegar onde ela está... E o encontro entre os protagonistas acontecem.

E assim começa essa história narrada sempre no futuro: "Você lê o anúncio", "Você subirá no ônibus ainda com a lembrança do anúncio", "Você andará pelo corredor escuro até chegar na cozinha e encontrará a mesa posta para duas pessoas" (essas são tentativas de exemplos para que você compreenda o que estou querendo dizer, espero que tenha dado certo.) Há um clima de suspense e mistério durante a leitura, mas o autor não enrola e coloca logo as cartas na mesa. O leitor percebe  que algo estranho está acontecendo ali, mas há alguma coisa que falta ser explicada, falta uma peça no quebra-cabeça que vai se desenhando. Há uma segunda personagem igualmente misteriosa que aparece de repente e alimenta ainda mais a dúvida de que há algo errado ali ou apenas um estranho sonho? Se for só um sonho, quem o alimenta? Por que acontece da maneira como acontece? Por que parece tão real?

E o desfecho é sensacional!

O livro é na verdade um conto, lembra muito aqueles contos longos típicos dos grandes escritores. Mas é uma leitura encantadora, que te prende porque você quer saber o que está acontecendo. Tudo é muito estranho, como se a história acontecesse em meio a uma neblina que vai confundindo o Felipe (nosso historiador) e nós mesmos.

Vale a leitura!



Comentários

Postagens mais visitadas