10º LIVRO DO ANO #mulheresparaler

"QUARTO", EMMA DONOGHUE

*Eu li no meu Kindle, mas esta é a capa que esta edição física tem. Ou tinha, porque como virou filme, é capaz de vir com o poster do filme, o que eu acho dispensável...

Cheguei ao livro por conta do filme - que ainda não assisti... Com todo o alvoroço no Oscar deste ano com a atuação do pequeno Jacob Tremblay (que dizem que arrasa) e tendo Brie Larson como vencedora na categoria melhor atriz, inevitável que o livro apareça. Eu nem tinha intenção de ler, já que tenho uma lista enorme de livros que já quero ler neste mês, mas xeretando em minha biblioteca Kindle, lá estava ele. E, ó... vou te falar uma coisa: é muito difícil parar de ler este livro!

                                                       Jacob Tremblay, o Jack


                                            Brie Larson, a Mãe do Jack


                                             Os dois em cena...

Pois bem, vamos à história.

Logo no primeiro capítulo, percebemos que a história se passa em um quarto, onde Jack vive com sua mãe. É o mundo deles. Jack é um menino de cinco anos que nunca conheceu o Lá Fora, como ele diz. Seu contato com o mundo exterior é limitado ao que ele consegue enxergar pela claraboia do lugar e assistir na TV, que tem problemas de interferência na imagem, já que conta apenas com uma antena interna. Jack adora a Dora Aventureira. Mas essa limitação, obviamente, não representa um problema para ele, já que não conhece nada além do que vê ali: seus poucos brinquedos (muitos inventados e montados com restos de embalagens pela Mãe), seus livros (já desgastados), as histórias que a Mãe conta e sua cama no guarda-roupa.

A narrativa é toda conduzida por Jack, amenizando o aterrorizante fato de que o quarto é o cativeiro em que sua mãe foi aprisionada há sete anos atrás, quando foi abordada por um estranho na rua aos dezenove anos. Ela, dentro de suas parcas possibilidades - já que depende de seu sequestrador para conseguir qualquer coisa, por simples que seja - vai tentando colocar um pouco de normalidade no cotidiano deles. Jack tem seus brinquedos, tem o horário de TV restrito (para o cérebro não virar geleia), faz exercícios físicos dentro do pouco espaço que tem (e é muito lindo ver como a mãe vai transformando o ambiente e criando brincadeiras com os móveis, o tapete...) e se mostra muito inteligente apesar da pouca idade. A Mãe (que no livro é só Mãe mesmo, não tem um nome específico), no dia do aniversário de cinco anos do menino começa a contar-lhe que existe um mundo de verdade, não só aquele que ele vê na TV. Imagine só a surpresa de Jack, que até então só sabia da existência De Verdade de si mesmo, da Mãe e do homem que ele chama de Velho Nick, mas que nunca viu o rosto. Só sabe que ele vem à noite, quando ele já está dormindo no guarda-roupa, que faz "a cama ranger" (que dó, gente, que dó) e que traz o que eles chamam de Presente de Domingo: as necessidades listadas pela Mãe, que podem ou não serem satisfeitas, independendo da necessidade dela e do garoto.

Pois bem, um determinado acontecimento gera uma espécie de "punição"por parte do Velho Nick e é este o estopim para que a Mãe queira, desesperadamente sair do cativeiro, especialmente livrar Jack daquele pesadelo.  Com tudo o que ela já passou e passa, a necessidade de livrar o filho dessa tortura faz com que ela tenha que tomar uma decisão drástica. E começa então a instruir o pequeno sobre o que eles deverão fazer para que possa conhecer o Lá Fora...

É uma história cativante, difícil de parar de ler. A narrativa é contínua, os personagens são muito bem construídos e você consegue viver as emoções de cada um deles. Você vai compreender a raiva, a revolta, a desesperança, a coragem, o medo... vai vivenciar cada uma dessas situações. É uma história simples, mas muito bem construída e por isso apaixonante. Sem contar que, infelizmente, o mundo moderno conhece histórias terríveis de cativeiros longos e dolorosos, como o caso de Natascha Kampusch na Áustria e o chamado Sequestros de Cleveland, nos Estados Unidos. Chocante imaginar uma situação dessa, vivenciar como vítima ou como família da vítima. Muita dor e sofrimento... Por isso, ao conseguir colocar leveza numa história tão densa, Emma Donoghue merece todos os méritos!

Vale a pena conferir!

BOA LEITURA!


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