11º LIVRO DO ANO #mulheresparaler

"A REDOMA DE VIDRO", SYLVIA PLATH


Este livro é do tipo que acaba sendo lido além de sua capa. É um livro com camadas... Sua história ultrapassa o que está apenas impresso.

Sylvia Plath foi uma poetisa, romancista e contista norte -americana que ficou conhecida por toda sua obra, especialmente por seus poemas e por seu diário. Sylvia tinha o hábito de escrever diários desde os 11 anos de idade, que acabaram virando livro também (imagina a qualidade do que está escrito...se eu escrevesse diários duvido que virassem livros!). Durante toda a vida lutou contra a depressão e acabou suicidando-se logo após o lançamento deste livro, aos 30 anos de idade, deixando marido e dois filhos. Este romance é considerado semi-autobiográfico e suas poesias seguem o gênero poesia confessional.

O livro conta a história de Esther Greenwood, uma jovem que parece estar conquistando o mundo. Saiu do interior, foi para a faculdade, estava fazendo um badalado curso de férias que conquistou graças ao seu talento com as palavras e, de repente, desabou. Foi desta maneira que senti a história e imagino que essa doença aja exatamente assim: tudo está indo bem, de repente um estopim, qualquer acontecimento bobo, banal faz com que tudo caia. E vamos acompanhando esse calvário de Esther que só pensa em dar fim a própria vida, que se vê dizendo coisas que nem sabe por que, concordando com palavras  que ela nem ouviu e tramando, todo o tempo, uma maneira de acabar com esse sofrimento que ela considera ser viver.

É uma história triste, principalmente quando a gente analisa o contexto em que ela foi gerada. É impossível mensurar até que ponto Esther é Sylvia e vice -versa. A consciência da doença e o fato de não conseguir fazer nada para sair desse estado de permanente agonia, essa incapacidade de reagir entristece cada página após sua queda. Até um certo ponto é apenas a história de uma jovem descobrindo a vida longe de casa, um romance banal, comum. Depois vira uma luta diária. Ela luta para morrer e você torce pela volta por cima. A família a ajuda (tenta ajudar), ela passa por tratamentos que são longos, alguns penosos demais, o desejo de isolamento dela só aumenta e ela ainda tem que lidar com as vicissitudes que só a vida proporciona. 

A gente não tem noção do quanto é forte. E nunca vivi esse tipo de situação. Tenho dias mais tristes, dias mais desanimados, mas meu organismo me ajuda a superar. E quando seu cérebro joga contra você, como faz? Não imagino...

Já vi  gente dizendo que este é um tipo de livro que não deve ser lido por qualquer pessoa, ou melhor, não deve ser lido em determinados momentos da vida. Acredito que pessoas mais sensíveis, ou que já tenham vivido esse tipo de situação podem não reagir muito bem a essa narrativa. Para mim foi triste. Tanto que foi uma leitura rápida, fluida, porque eu queria saber como terminava. Como se , de alguma forma, a gente pudesse vislumbrar o que passava pela cabeça da autora no momento em que escrevia. Como se pudéssemos prever o desfecho da história real, como se ele pudesse estar ali, descrito de alguma forma. 

Sylvia vedou o quarto dos filhos numa tarde fria do inverno londrino, deixou inclusive a janela aberta apesar do tempo. Tomou calmantes e deitou a cabeça numa toalha dentro do forno com o gás ligado. E livrou-se do peso que carregou por 30 anos. Seu marido foi o principal divulgador de sua obra.

Não há nada mais complexo do que a cabeça de um ser humano...

BOA LEITURA!

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