15º LIVRO DO ANO #mulheresparaler

"O DIÁRIO DE ANNE FRANK", OTTO H. FRANK E MIRJAM PRESSLER




 Sempre bom relembrar, apesar de achar que não exista no mundo alguém que ainda não tenha ouvido falar na história de Anne Frank, mas como o mundo de hoje nos mostra que tudo é possível...

Anne Frank foi uma garota alemã que morava na Holanda juntamente com seus pais e sua irmã mais velha. A família já veio fugida da Alemanha em 1933, por conta da ascensão nazista e, com o cerco alemão se fechando novamente, a família resolve  esconder-se num anexo em um  escritório na Rua Prinsengracht, 263, em Amsterdã. Junto com eles, outra família, os Van Pels (pai, mãe e filho também adolescente) e Fritz Pfeffer, um dentista. Ou seja, oito pessoas espremidas em dois cômodos.

A narrativa vai se modificando no decorrer do livro. A principio, Anne é a típica adolescente preocupada com seus estudos, seus amigos no colégio, a quantidade de admiradores que possui e por aí vai. Mesmo com a mudança para o anexo secreto (é assim que ela chama o local onde estão escondidos), há um otimismo da parte da garota, sempre dizendo o quanto ela anseia e acredita no final da Guerra e na derrota do fuhrer e fazendo planos para seu futuro (ela queria ser jornalista e escritora, tinha pavor de ficar restrita a ser apenas uma dona de casa como sua mãe), além de fazer observações que são condizentes com sua idade. Não há exatamente uma preocupação, que vamos ver se tornar maior e mais constante de acordo com o passar do tempo. Anne também relata várias vezes as brigas que teve com sua mãe, com quem aparentemente não se dava muito bem e como foi alimentando uma paixão por "Peter", o filho da família com quem passa a dividir o anexo.

Me deu muita pena ler os trechos em que ela fala de seus planos futuros, da vontade de sair e ver o mundo, sentir novamente a natureza... 

Achei que não me agradaria muito essa leitura, por isso a evitei durante muito tempo, mas pelo contrário: é muito fácil de ler, muito rápido até. Temos que contextualizar: acredito que Anne era muito madura em relação às adolescentes de 15 anos de hoje em dia, mas que isso deveria ser da época, mesmo assim dá pra ver que era uma menina escrevendo, com preocupações tolas típicas da idade que vão sendo soterradas pelo medo da Guerra, por acordar ouvindo bombardeios cada vez mais próximos, pela preocupação com a fome sempre rondando, enfim, por todo o horror que ela estava vivendo ali. Não deixa de ser emocionante, mas achei que fosse mais piegas, mais apelativo - não é. Na verdade, Anne escrevia o que sentia vontade de escrever e só se preocupou um pouco mais com a maneira como o fazia quando soube que o ministro Gerrit Bolkestein pretendia recolher relatos de testemunhas oculares sobre tudo o que estava acontecendo. A partir daí, Anne passou a sonhar com a possibilidade de fazer sucesso com sua escrita, algo que ela sabia que fazia muito bem.

No prefácio do livro é explicado que há versões que a própria Anne fez após esse anúncio e outras modificações foram por conta de anotações encontradas por seu pai e acrescentadas. O diário foi guardado por Miep Gies, que trabalhava no escritório e encontrou-o jogado após todos serem levados em 4 de agosto de 1944. A hipótese mais provável é que eles foram denunciados.

Todos os que foram levados naquele dia morreram, exceto Otto, o pai de Anne. Ela e a irmã morreram possivelmente por conta de uma epidemia de tifo num campo de concentração em Hannover. Calcula-se que ela morreu entre fevereiro e março de 1945, o campo foi libertado em 12 de abril de 1945. 



Foto aleatória das minhas marcações.... ;-)



Obviamente, há controvérsias sobre o livro. Alguns acusam o pai de Anne de ter forjado o diário para ganhar dinheiro,  mas o fato é que o endereço na Holanda se transformou na Casa de Anne Frank, um museu.


Aqui achei um blog com mais detalhes sobre a história de Anne Frank, com imagens bem interessantes....

As duas primeiras fileiras mostram as pessoas que estavam no anexo e, a última fileira, as pessoas que as ajudavam a ficar escondidos. (tirei do blog que está linkado ali no parágrafo anterior).

Bom, é isso. 

Um livro simples, mas com uma mensagem profunda que nos deixa refletir sobre o que é o ser humano, a guerra, o preconceito e o que um homem com carisma, retórica e poder é capaz de fazer. 

Aproveite a vida!



"Não quero que minha vida tenha sido em vão, como da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte!"

(Anne em 05 de abril de 1944)





"Não acredito que a guerra seja apenas obra de políticos e capitalistas. Ah, não, o homem comum é igualmente culpado; caso contrário, os povos e as nações teriam se rebelado há muito tempo!"
( Anne em seu diário em 03 de maio de 1944)









Anne tornou-se um rosto para os milhões de judeus vitimados pelo nazismo. A simplicidade de seu ato tornou-a símbolo de uma época que não deve ser esquecida, mas jamais repetida.

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