9º LIVRO DO ANO

"GUERRA MUNDIAL Z", MAX BROOKS


Vamos desconsiderar essa capa horrorosa que mais parece de DVD do que de livro, ok? Mania dessas editoras de fazer capa de livro com foto de filme! Não gosto... 

Mas enfim, vamos ao que interessa.

O filme "Guerra Mundial Z", estrelado e produzido pelo maravilhosoincrívellindofantástico ator Brad Pitt me surpreendeu muito positivamente e é um dos meus favoritos sobre esse tema. O filme  (caso você não tenha assistido) trata sobre um vírus que se fortalece muito rapidamente no organismo humano, transformando pessoas em mortos-vivos que só querem morder e atacar. Gostei do tipo de zumbi mostrado, que diferentemente da maioria dos zumbis que você já viu, tem velocidade impressionante. Brad é um funcionário da ONU que é recrutado para ajudar na busca de uma cura ou solução para a pandemia que está tomando conta do planeta. O clima é sombrio, de suspense...  Muito bom mesmo! 

Eu sempre tive um certo preconceito com este tipo de "ser sobrenatural", não era a meu personagem favorito no mundo do terror. MAS, depois que "The Walking Dead" apareceu na minha vida, eu já li e assisti bastante coisa sobre zumbis, inclusive sobre o "pai" de todos os zumbis cinematográficos, George Romero, que sempre deveria levar crédito por toda criação que envolvesse zumbis... Por isso, meu interesse pelo livro. (Em tempo: The Walking Dead tem seu ápice, na minha opinião, até a terceira temporada. Depois, tem altos e baixos, mas continua boa. Agora, já na sexta, está meio perdida...Ah, e na série os zumbis são chamados de "walkers", nunca de zumbis).

E me surpreendi mais uma vez de forma positiva.

A narrativa é bem diferente do filme. Aqui, um pesquisador que não tem nome vai nos apresentando vários relatos que ele colheu de testemunhas - ou melhor, sobreviventes - ao que passou a ser conhecida com Guerra Mundial Z. O cenário que se desenha é de um mundo pós-apocalíptico, com o que restou da humanidade tentando se refazer da grande tragédia. Se você espera uma explicação óbvia e rápida para a origem de todo o mal, não vai gostar do livro por que o autor investe em narrativas - algumas longas, outras mais curtas, contando as impressões daqueles que viveram a Guerra.  Não há exatamente a origem de tudo - por "tudo" entenda-se uma espécie de vírus que foi chamado de "raiva africana", uma coisa que de alguma forma se modificou e que em contato com o organismo humano provoca o inconcebível: após uma febre altíssima, a pessoa morre, mas retorna completamente modificada, irracional, temível: é uma espécie de animal, não fala mais, só emite grunhidos e tenta a todo custo morder - um carnívoro voraz. Mas o organismo está morto, vai putrefazendo aos poucos, não consegue absorver os nutrientes daquilo que come. As vítimas deste vírus só podem ser mortas com uma intervenção radical no cérebro. Em nenhum outro lugar do corpo você consegue impedir que ele avance, ou seja,  o cérebro continua sendo o centro nervoso, apesar de tudo estar morto.

Como eu disse, o autor vai nos apresentando relatos de vários tipos de pessoas: gente que tinham uma vida comum e que de repente se viu lutando contra essa ameaça, em meio a exércitos, pessoas que tentam criar estratégias  que pudessem ajudar a erradicar a ameaça, gente tentando recomeçar do zero em alguma cidade que esteja se recuperando, gente que não consegue recomeçar - porque o que viram, ouviram, sentiram e perderam foi demais para eles... Pessoas ligadas ao governo, o próprio governo. Relatos de como países diferentes conseguiram considerar possibilidades  para combater o mal : muros, submarinos, bunkers... cada coisa, cada possibilidade para fugir do grande mal...

O livro é legal, uma ficção interessante, mas você tem que gostar do tema senão vai achar enfadonho. Além disso, Max Brooks dá uma cara de "oficialidade" ao texto. É uma história "adulta" (apesar de não gostar muito de classificar assim).  Em meio a todo o terror, ele coloca como as relações - ou a falta delas- entre países dificultou a troca de informações cruciais para combater a infecção logo no início, como a indústria farmacêutica se aproveitou do pânico gerado pelos primeiros ataques e continuou lucrando com placebos, como governantes ainda se aproveitaram de mudanças radicais na sociedade para se promoverem de alguma maneira. A questão das crianças sem pais, dos animais sem dono, do dano (considerado por muitos irreversível) ao meio ambiente com toda a mudança eco ambiental sofrida nas tentativas de acabar como os zumbis também são abordadas no livro e tonam a história crível, interessante. Em notas de rodapé, o autor consegue dar ainda mais credibilidade à história.

Bom livro para passar o tempo. Para quem gosta do tema, uma distração de bom gosto, muito bem pensada e escrita.

BOA LEITURA!

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