16º LIVRO DO ANO

"A IMPROVÁVEL JORNADA DE HAROLD FRY", RACHEL JOYCE



Este livro é um recente lançamento da Suma de Letras e recebi pela TAG- Experiências Literárias (espécie de clube de livros que já falei aqui). Recebi, confesso que olhei e dei uma torcidinha na boca, tipo "Vishi... não vai rolar...") Coloquei inclusive na minha pilha de livros por ler em março, já que era uma autora e eu estava disposta a ler apenas autoras... Mas algo muito despretensioso.

Pois bem.

Após o "Anne Frank", ainda tinha uns dias de março e eu já de olho em outras leituras para abril, pensei em começar um livro curtinho, só para encerrar o mês e peguei esse..

QUE HISTÒRIA INCRÍVEL!!!



Dito isso, vamos ao resumão:

Harold Fry, um senhor aposentado há pouco mais de seis meses  recebe uma carta de uma velha amiga, dizendo que tem pensado muito no passado e se lembrou dele, que estava numa casa de repouso, pois seu câncer era inoperável. Ou seja, ela estava aguardando a morte. Harold fica abalado com a notícia, mais até do que esperava, pois já mal se lembrava de Queenie, apesar de terem sido bons amigos há alguns anos atrás. Então, ele resolve escrever uma breve carta, dizendo que lamenta e que espera que ela melhore. E sai para postar sua carta no correio. Um senhor de mais de 60 anos, de gravata e docksides...



 ...com a carteira no bolso, resolve ir ao posto dos Correios mais próximo. No caminho, ele vai se lembrando de tudo o que viveu com essa amiga, do quanto o apoio dela foi importante para ele em determinada época difícil de sua vida. E, chegando ao Correio, ele resolve ir até a próxima caixa de postagem, pois seus pensamentos estão fervilhando e caminhar está sendo útil. A caixa fica um pouco mais distante, mas mesmo assim ao chegar nela ele resolve ir até o correio que fica num posto de gasolina com uma loja de conveniências. E, numa conversa até boba com a atendente da loja, ao comprar um hambúrguer, ele toma uma decisão que vai mudar sua vida: ele resolve IR até o lugar onde sua amiga Queenie está esperando a morte. Afinal, apenas um carta é muito pouco por tudo o que ela fez por ele. E então, ele escreve:


E ele começa sua caminhada pela Inglaterra, disposto a manter Queenie viva...

Nessa Jornada completamente improvável vamos desvendando a vida de Harold e sua esposa Maureen. Primeiro Harold e seu jeito extremamente reservado, sempre evitando ao máximo contato e sempre com a impressão de que está sendo incômodo. Percebe-se que ele adoraria ser invisível... Ficamos sabendo que ele não foi um filho desejado nem por seu pai, nem por sua mãe, que foi embora quando ele tinha treze anos. Um pai que bebia e, depois da partida de Joan, passou a trocar de mulher como quem troca de copo e que, quando Harold fez 16 anos, foi convidado a se retirar da casa do pai. Por sua paixão por Maureen, primeiro e único amor, mas descobrimos que há entre eles um distanciamento e frieza que parecem insuperáveis. Por seus problemas com David, seu único filho, que não fala mais com ele. E vamos descobrindo o porquê de cada uma dessas situações.

Ou seja, a jornada de Harold Fry acaba sendo mais interna do que externa. Ele está caminhando para encontrar Queenie, mas nesse percurso ele está se encontrando também, ou descobrindo onde foi que se perdeu... Ele quer salvar Queenie, mas não percebe que está se salvando, principalmente...

Olha aqui o mapa da jornada.

Falando assim, parece autoajuda (nada contra quem curte, mas eu particularmente não gosto desse gênero), mas não é. É um livro com uma história profundamente tocante, emocionante. Você mergulha na  narrativa sem perceber, sem se ater no quanto está afundado nela. Simplesmente falarei por mim: eu adquiri uma empatia tão grande com Harold que não conseguia largar o livro. A autora consegue colocar Harold como um peregrino da vida moderna, com todos os empecilhos e vantagens que isso pode trazer. Ele , um homem tão contido, de repente se vê sendo notícia, sendo seguido... enquanto só queria ser ele mesmo! Ser o amigo da Queenie, novamente.

Eu me alegrei com Harold e me emocionei em diversos momentos, especialmente já próximo do fim da jornada. Quando terminei de ler, abracei e beijei o livro, com lágrimas nos olhos, porque me despedir de Harold foi muito tocante. Talvez seja um livro que faça algumas pessoas pensarem em sua vida, mas não o vi assim. É a história de uma vida, que pode acontecer com qualquer um que saiba o que é lealdade e gratidão. Na jornada, tudo o que foi enterrado de qualquer jeito porque era doloroso demais para ser enfrentado vai retornando e cobrando seu preço. E Harold e Maureen veem que não há outro jeito a não ser enfrentar. e decidir o que é melhor a se fazer. E que ninguém é inocente, mas apenas humanos. E só isso já é complicado demais!

Lindo livro, linda história, vale muuito, muito mesmo ler!

Fica o convite. Aproveite a Leitura!

"As pessoas estavam comprando leite, enchendo seus tanques de gasolina ou até mesmo postando cartas. E o que  ninguém mais sabia era o peso estarrecedor que cada um trazia por dentro. O esforço às vezes sobre-humano para ser normal e fazer parte das coisas que pareciam fáceis e cotidianas. A solidão desse esforço."
(pág.74)




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