31º LIVRO DO ANO

"O TALENTOSO RIPLEY", PATRICIA HIGHSMITH


"O talentoso Ripley" é o segundo livro que leio da aclamada autora de literatura policial Patricia Highsmith, que tem muitos, muitos livros deste gênero e que voltou à baila desde que o filme "Carol", baseado em  um de seus livros que não trata sobre suspense policial, foi indicado ao Oscar deste ano (não sei bem em quais categorias, mas sei que é estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara). Seus livros são verdadeiros thrillers, possuem uma escrita fluida, fácil de acompanhar e tramas muito bem construídas, muito bem "amarradas". Obviamente, eles são situados na década de 1950, ou seja, outro mundo - um mundo sem exames de DNA ou Luminol e nós, leitores que porventura estejamos habituados à séries como CSI ou qualquer outra série policial temos que situar nossas mentes para compreender os acontecimentos.

Sobre a história deste livro lançado em 1955, ela já foi adaptada para o cinema duas vezes: uma em 1959 (com Alain Delon no papel principal) e outra em 1999, com Matt Damon. Este segundo eu já assisti e posso dizer que é muito, muito bom e não fica devendo absolutamente nada ao livro!

A trama gira em torno de Tom Ripley, um trambiqueiro que vive em Nova York dando pequenos golpes para conseguir dinheiro. Até que um dia ele é procurado por um milionário que lhe pede um favor: ir até a Europa convencer seu filho, Dickie,  a voltar para os Estados Unidos. Sua mãe está doente e ele, como filho único, é esperado que seja o herdeiro dos bens de seu pai, o Sr. Greenleaf. É muita sorte, já que Ripley encontrou om Dickie em Nova York uma vez, mas por terem alguns contatos em comum o pai do ricaço resolve fazer-lhe esta proposta. Esperto como é, Tom decide abraçar a oportunidade com braços e pernas. É a chance dele conhecer a Itália e ainda garantir um dinheirinho extra. Ele embarca para a Itália e vai ao encontro de Dickie em um pequeno vilarejo a beira mar, bucólico e digno de romances.

Ripley acaba sendo recebido com certo distanciamento por Dickie, já que ele não se conhecem ou tem alguma intimidade de fato. Mas, com sua lábia e contando com o estado de espírito do rapaz, Ripley acaba sendo aceito em seu círculo de amizades e, mais do que isso, acabam se tornando inseparáveis. Marge, uma outra estadunidense que está na cidadela -Mongibello- escrevendo um romance faz parte do grupo. Na verdade, eram só ela e Dickie já há alguns meses e ela não vê com muitos bons olhos a aproximação de Ripley...

                                Imagens de Mongibello... Lugarzinho bucólico... Parece saído de filme mesmo....

Na verdade, Marge desconfia muito da conduta de Ripley, especialmente por sua excessiva admiração por Dickie. Ela desconfia que Ripley está apaixonado por Dickie... e compartilha sua opinião com ele. É interessante citar que essa questão - a homossexualidade de Ripley - fica sempre subentendida, talvez já pela época em questão (1955) ou porque a autora não quis se prender muito a isso. 

A partir daí as coisas vão acontecendo. E quantas coisas! Ripley é um espertalhão, mas também é inseguro, instável emocionalmente. Ele precisa se equilibrar o tempo todo entre as histórias que cria e a realidade, contar novas mentiras para encobrir anteriores. Ele pode por tudo a perder a qualquer momento e muitas vezes age por impulso, o que é péssimo para alguém que precisa ter sempre o controle total das situações. E vamos acompanhando o aprimoramento de Ripley em suas técnicas: disfarce, falsificações... E, se você nunca leu o livro ou assistiu o filme, eu paro por aqui e deixo o convite: livro excelente, interessante e de fácil leitura. Ripley não é exatamente um herói e você vai escolher se torcerá ou não por ele. Mas vale a pena fazer sua escolha!

BOA LEITURA!

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