33º LIVRO DO ANO

"A BALADA DE ADAM HENRY", IAN McEWAN


Esse é mais um livro que recebi da TAG-Experiências Literárias, espécie de "clube do livro" do qual participo. Achei uma coincidência incrível porque eu estava louca atrás do livro "Reparação" desse autor, que não estava disponível onde costumo comprar e, de repente, me chega esse aqui... Ou seja, oportunidade de ler e conhecer o estilo do autor antes de chegar ao que eu já queria ler dele, provavelmente o livro mais famoso (que também já solucionei meu problema: chegou lá na livraria e já comprei... rs eu e minhas compulsões...)

Bem,  vamos lá.

A história versa sobre a vida da juíza Fiona Maye, reconhecida no meio jurídico inglês por sua firmeza e desenvoltura, tendo se destacado na resolução de conflitos na área do direito de família. Porém, apesar de estar solucionando tantos problemas de outra famílias, Fiona está passando por um problemão que apenas ela pode resolver: seu casamento está em profunda crise. Prestes a completar sessenta anos, Fiona assiste o companheiro buscar consolo nos braços de uma mulher bem mais jovem, alegando que Fiona distanciou-se e se tornou fria com o passar do temo e a excessiva dedicação ao trabalho. Eles não tem filhos, se conheceram na faculdade e tem uma longa trajetória juntos. Ela pondera as acusações do marido e, até certo ponto, concorda com elas, porém está ferida e se sente humilhada pela atitude dele que, no auge de uma discussão chega a sair de casa. 

Em meio a esse turbilhão, chega até ela o caso de Adam Henry, 17 anos, filho único de pais Testemunhas de Jeová e portador de um tipo de leucemia que exige imediato tratamento e, consequentemente, transfusão de sangue para impedir sua brusca evolução e consequente morte do jovem. Segundo a religião professada, é proibido receber sangue de qualquer espécie no corpo, já que o sangue é a "vida", a "alma" de um corpo e possui uma espécie de "santidade" para os Testemunhas de Jeová. Pela idade de Adam ele ainda é menor e, portanto, responsabilidade de seus pais, que negam a transfusão. O Hospital, então, entra com um recurso na corte solicitando que a mesma seja realizada independentemente dos valores religiosos dos pais, já que tais valores certamente levarão Adam à morte. (Quem já teve contato com pessoas que professam essa religião com certeza sabe que existem vários casos envolvendo Testemunhas de Jeová e a questão do sangue. Inclusive, o autor passa um bom tempo situando o leitor nas crenças da religião, para que ninguém fique deslocado). Fiona, então deve decidir o que fazer, já que supostamente em três meses Adam será um adulto capaz de decidir por si próprio, quando completará dezoito anos e, atualmente, ele está decidido a não receber sangue. A fim de definir com certeza até que ponto ele tem noção do que pode realmente acontecer e não está apenas influenciado por seus pais, Fiona decide visitar o garoto antes de decidir o que fazer.

A partir daí tem início uma história muito interessante, pois você quer entender o que vai acontecer com as duas tramas que vão sendo tecidas: de um lado, a vida pessoal de Fiona, cheia de detalhes (em alguns momentos o autor vai dissecando os trâmites de casos que Fiona está julgando ou que tiveram grande repercussão; sua história de vida até chegar no cargo que ocupa...inclusive, achei que e alguns momentos o autor poderia ser um pouco mais sucinto, mas nada que comprometa a leitura) e, de outro, Adam, que é um menino muito inteligente, até muito maduro para a idade e que vai fazer a juíza repensar algumas coisas de seu supostamente tão bem estruturado mundo após o encontro de ambos.

Livro rápido, menos de 200 páginas e especialmente rápido porque interessa saber o que vai acontecer -  não dá vontade parar... Achei o final emocionante, fugiu do "lugar-comum" dos romances "água com açúcar" que estão assolando o mercado editorial atualmente. Vale a pena ler, tem qualidade e emoção!

BOA LEITURA!

Olha o marcadorzinho que vem com o livro para os assinantes TAG... <3

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