34º LIVRO DO ANO

"STONER", JOHN WILLIAMS


"Stoner" é o tipo de livro que você vai lendo, lendo e quando vê, acabou. Assim mesmo: é uma história tão linear, tão fiel ao passar dos anos da vida do personagem que a vontade de saber o que acontecerá só vai aumentando. É um livro emocionante também, mas isso tem a ver com o leitor, com suas experiências e o que acredita ser a vida. Filosófico? Talvez... mas não é isso mesmo que é a vida da gente?

O livro foi lançado pela primeira vez em 1965 e passou em brancas nuvens. Foi rejeitado por várias editoras até encontrar uma que se dispusesse a publicá-lo, mas não teve grande êxito. Em 2003 foi relançado e, surpresa: sucesso de público! Como algumas histórias tem o seu tempo certo, não é mesmo? O autor, morto em 1994, não viu sua história tornar-se um sucesso.

O livro conta a vida de William Stoner, filho único de um casal de fazendeiros que meio que por acaso vai parar na faculdade e, também por acaso, descobre-se apaixonado por estudos literários. Assim, seu curso de Ciências Agrárias acabou por levá-lo ao cargo de professor assistente. 

E assim vamos acompanhando a vida de Stoner: seu cotidiano na faculdade, quando conhece aquela que seria sua esposa, a decepção com o casamento logo nos primeiros dias, o nascimento da filha... O que mais chama a atenção é estoicismo latente de Stoner: sua calma aceitação a situações em que esperamos que ele fique nervoso, raivoso, desesperado... Ele é plácido, não reage... ou pelo menos não reage como se espera  dos personagens de livros. E é aí que está o encanto: Stoner é muito real, muito crível. Sua aparente aceitação de tantas situações não difere muitas atitudes que nós temos que tomar no cotidiano. Stoner pode ser eu, você ou algum conhecido nosso: um colega, um parente. Em muitos momentos eu me vi em Stoner, mesmo em momentos em que eu esperava que ele reagisse de modo diferente. Por isso acredito que sua reação diante dessa história vai depender muito do que você vive, de suas crenças e particularidades. Você pode se identificar com Stoner mais do que gostaria...

As situações pelas quais Stoner passa são, para mim, revoltantes: o casamento que, na noite de núpcias, já era o prenúncio do fracasso foi sendo empurrado, mesmo dormindo no sofá e tendo tocado em sua esposa pela última vez um pouco antes dela engravidar. Depois disso, confinado ao sofá, ao quartinho, a varanda... mas nunca na cama do casal. Aí você pode pensar: mas era a época (lembre-se, o livro vai do nascimento de William, em 1891 - uma breve explanação sobre infância e juventude - até sua morte em 1956), mas será que hoje em dia não há tantas pessoas que se submetem a esse tipo de situação por "n" motivos? A sua profissão, talvez o que ele mais amava fazer - fez por longos 40 anos- também foi ameaçada por ele ser fiel ao que acreditava. Foi perseguido, prejudicado... mas não iria contra seus princípios.  Em sua "passividade", Stoner era muito correto, justo. Isso só exemplificando alguns momentos do livro. Mas, como a vida, essa narrativa é cheia de nuances.

Mas posso te garantir: é um livro marcante, em muitos momentos revoltante, em outros profundamente emocionante. Participamos da vida de William Stoner do início ao fim. E o que pode ser mais interessante do que isso: viver uma outra vida.

Vale a pena cada linha, cada capítulo!

BOA LEITURA!!!


Meu livrinho e o marcador da TAG- Experiências Literárias... <3

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