35º LIVRO DO ANO

"O MORRO DOS VENTOS UIVANTES", EMILLY BRONTE




Esse livro, considerado um clássico da literatura, foi lançado em 1847 e foi duramente criticado por sua temática que trazia mulheres fortes, enfrentando homens numa época em que a mulher não era sequer considerada um ser digno de opinar em situações importantes - dentro ou fora de casa. Esse livro teve outro momento de destaque mais recentemente na época da febre juvenil da "saga" Crepúsculo, que trouxe o amor quase impossível de Bella e Edward. Esta história ganhou uma edição com uma capa que fazia alusão as capas da época pré- filme (informação irrelevante) porque era o livro favorito dos personagens principais...

 As capas das edições da saga na época...


A capa do "O morro dos ventos uivantes" lançado para aproveitar a onda...

Sendo um livro lançado há mais de um século, acredito que eu possa contar alguns detalhes que isso não será considerado spoiler... ou não! Eu conheço várias pessoas, mas muitas mesmo, que nunca sequer ouviram falar da história, especialmente de detalhes. Eu mesma conhecia os nomes dos personagens, alguma coisa sobre o enredo, mas somente agora tomei conhecimento da história completa. No início do post coloquei algumas capas, mas obviamente há várias e várias edições. Eu li no meu Kindle

Vamos lá!

"O morro dos ventos uivantes" é o nome da propriedade que estará presente no centro de uma disputa que vai permear todo o livro e muitos acontecimentos essenciais para a história. A trama gira em torno de Heathcliff, um menino "cigano" que foi "encontrado " em Liverpool e levado para a citada propriedade por Earnshaw, o patriarca da família. Heathcliff é o nome dado ao garoto, que será chamado assim por toda a sua vida (sem sobrenome) e em nenhum momento fica claro o que quer dizer o termo "cigano" (negro? mulato? indiano? cigano mesmo?), mas obviamente é para menosprezar a ascendência do garoto. Mesmo assim, os filhos de Earnshaw reagem de maneira distinta a presença do rapaz: Hindley, o menino, fica enciumado achando que o pai prefere o garoto do que ele. Catherine, a garota, se apega a ele e tornam-se grandes amigos. Porém, essa amizade vai se transformar em amor, mas um amor turbulento: Heathcliff não sabe como demonstrar seus sentimentos e Catherine sabe que ele  não é o genro que seu pai espera ter. Num acesso de desespero, ela confessa esse amor impossível à Nelly, a empregada da casa e Heatcliff a escuta escondido, fugindo em seguida. Mas é claro que até chegar nesse ponto muita, mas muita coisa vai acontecer acentuando o gênio de Heathcliff, que talvez só seja tão irascível por ser tratado como é por algumas pessoas. Talvez ele apenas se defenda... enfim, vamos em frente.

A partir daí (da malfadada declaração de Catherine) tem início a segunda parte da história: anos depois, Heathcliff retorna, ninguém sabe como, nem de onde... Não chega desprovido, mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu com ele nesses anos. E então, ele inicia uma lenta e sórdida vingança, poupando somente Catherine, que nunca o esqueceu mas que agora está casada, morando na Granja Thrushcross (uma propriedade próxima do Morro dos Ventos Uivantes que também tem importância na trama) junto com o marido, a cunhada e os empregados.

Minha intenção não é fazer um resumo do livro, então vou parar por aqui, porque ainda tem muita coisa para acontecer...

Por se tratar de um clássico, achei a leitura muito fácil, muito fluida. Esperava um pouco mais de dificuldade. Achei o início é um pouco confuso - são vários personagens e umas "idas e vindas" no tempo da história que me fizeram voltar páginas em alguns momentos, mas nada que comprometa: depois você pega o ritmo e tudo fica mais fácil.

Vamos conhecer a história através da narrativa da empregada Ellen "Nelly" Dean, testemunha ocular dos fatos e em alguns momentos protagonista deles. Ela está contando a história para Mr. Lockwood, um homem que está interessado em alugar a propriedade da Granja Thrushcross e, devido a uma doença (causada após um primeiro contato nada amistoso com Heathcliff, então proprietário da Granja e do Morro também, vejam vocês) pede a Nelly que explique o motivo de tanta animosidade naquela casa. Ele foi até lá para conversar sobre o aluguel com o senhorio mal humorado e passa por uma experiência no mínimo curiosa (para não dizer desagradabilíssma) com todos os moradores: o empregado, uma bela jovem, um rapaz e o próprio Heathcliff  fazendo jus a fama de mau... Quando precisa passar a noite no local devido a uma tempestade fica impressionado com a falta de compaixão e educação de todos. Mas, apesar disso, acaba tendo que pernoitar na casa (que aliás tem esse nome por sofrer com ventos fortíssimos que chegam a "cantar" nas janelas). Após a experiência, ele acaba de cama, pois chegou a se molhar na chuva... (perceba que há uma narrativa que vai e volta no tempo da história).  A autora foi muito feliz ao usar esse subterfúgio, pois apesar da história começar "de  trás pra frente" aos poucos vamos compreendendo o que aconteceu de maneira até mais simples. Como eu disse, é uma questão de "pegar o jeito" da leitura (minha experiência, fique claro).

É um livro muito bom, clássico fácil de ler e de gostar. Tem momentos tensos, tristes, revoltantes... Mas é muito gostoso ir descobrindo pouco a pouco o que aconteceu àquelas pessoas. Para saber um pouco mais (recomendo ler após o término da leitura do livro) tem umas análises interessantes na Wikipedia (recomenda-se cautela com tudo o que se lê na internet, especialmente esses sites de conteúdo aberto...)

Existem várias adaptações também para o cinema e até minisséries. É uma história de amor, mas principalmente de paixão, aquela paixão que chega a doer de tão avassaladora que é. E todas as consequências que vem com ela, atingindo todos a seu redor. Para o bem e para o mal.

Particularmente, Heathcliff é um protagonista difícil de se amar, mas é inegável que se pode compreendê-lo. Mesmo Catherine não é exatamente uma heroína... Acredito que há uma crítica social em muitos personagens, com suas manias e pirraças infantis e descabidas. Uma ousadia para uma mulher: escrever e criticar! Ou seja, só por aí já vale a pena... Muito, muito bom! Recomendo a leitura!

APROVEITE!

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