44º LIVRO DO ANO

"DIAS PERFEITOS", RAPHAEL MONTES

"Dias Perfeitos" é o segundo livro do jovem escritor carioca que já me deleitou com o incrível "O vilarejo", lido ano passado no Mês do Horror. Este é seu segundo livro lançado (o primeiro é "Suicidas"). O rapaz é talentoso e com certeza se firmará entre os novos autores brasileiros que estão aparecendo aí, como Gustavo Ávila (do fantástico "O sorriso da Hiena") para citar um exemplo. 

Vamos ao livro:

"Dias Perfeitos" é um suspense que nos contará a história de Téo, um jovem estudante de medicina que leva uma vida rotineira entre a faculdade, o laboratório e sua casa, onde cuida da mãe paraplégica. Desde os primeiros parágrafos nota-se que Téo é diferente: ele não é apenas metódico e solitário. Ele se preocupa em demonstrar emoções que as pessoas esperam que ele tenha - não que de fato esteja sentindo. Ou seja, tem características que atribuímos aos psicopatas. Ele se acha muito superior, inteligente, olha com desprezo todos a sua volta mas essas reações só acontecem na cabeça dele. Na superfície, ele é apenas tido como um tipo calado e observador.

Por insistência da mãe (e por ser o que ele julga que a sociedade espera dele) Téo vai a um churrasco e conhece Clarice. Quase imediatamente, ele fica obcecado pela jovem. Passa a segui-la, descobrindo seu endereço, seu telefone... E, meio que ao acaso, ele a sequestra. Aproveitando-se do que já descobriu sobre os planos da garota e que ela o recebeu em casa ( meio que gostando do joguinho de espionagem feito por ele), jamais ela imaginaria que isso  poderia acontecer. Aliás, quem imagina que pode passar por uma coisa dessas? Mais um ponto para a criatividade do autor!

Não fique bravo(a) achando que isso foi um spoiler, pois você já sabe disso ao ler a orelha do livro. E, acredite, sua experiência de leitura está apenas começando. Ela não será em nada prejudicada por essa informação.

Os protagonistas passam a viver uma louca aventura por cidades do Rio de Janeiro. A tensão é constante e vai se estabelecendo por toda a história. Téo consegue inspirar raiva o tempo todo: ele é irritante, cauteloso, inteligente... Um vilão perfeito. Ou o que podemos chamar de psicopata do dia-a-dia. Às vezes, influenciados pelos filmes estadunidenses, achamos que psicopata é aquele que mata - o serial killer. Esquecemos que entre nós existem psicopatas: pessoas comuns que não conseguem ter empatia por nada nem ninguém, capazes de manipular emoções para atingirem os objetivos que tiverem em mente. E Clarice? Clarice tem muitas nuances, é misteriosa em muitos momentos... Surpreendente também.

E o final é... o final é... Perfeito. Acho que esse é o melhor adjetivo. Fiquei feliz com o final do livro? Não, de jeito nenhum. Mas foi um final coerente, um final muito mais crível do que se tivesse terminado como eu estava torcendo. Aquele final que te deixa com a boca aberta pensando "Oi??? Como Assim???" Maravilhoso!! Se o bom ator é aquele que te faz amar ou odiar um personagem, o bom autor faz isso também, manipulando nossa imaginação!

História bem escrita, com ritmo constante, apaixonante. É difícil parar a leitura, pois a cada página a ansiedade aumenta. Reviravoltas mantém sua atenção, as atitudes dos protagonistas muitas vezes nos perturbam, mas é isso que um bom livro faz: mexe com suas emoções.

Valeu cada linha!

BOA LEITURA!!!

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