49º LIVRO DO ANO

A DAMA DAS CAMÉLIAS, ALEXANDRE DUMAS FILHO



Romance de época ambientado na Paris do século XIX este livro narra a história de Marguerite Gautier, cortesã disputada por ser jovem e bela e acostumada a ter todo o luxo que o dinheiro pode comprar. Ela era uma mulher "mantida", um tipo específico na sociedade da época (uma posição mais elevada do que a prostituta de rua e de cabarés, mas ainda obviamente mal vista). Conhecemos sua trajetória pelas palavras de Armand Duval, um rapaz bem nascido de uma próspera família do interior da França. Tendo ido a capital estudar Direito, numa noite em um espetáculo teatral, Duval apaixona-se perdidamente por Marguerite e faz de tudo para se aproximar dela, usando de seus contatos e conhecidos em comum. Ele se surpreende ao ver que pode ser correspondido, o que acaba acontecendo... Porém, Marguerite não quer nem pode abrir mão das regalias que goza devido a sua posição social e de seus compromissos assumidos. Armand, então, louco de paixão, aceita as imposições quanto a horários e momentos em que poderão estar juntos, mas o tempo todo precisa equilibrar-se entre a desconfiança, o ciúme e o amor. Até o desfecho trágico (que conhecemos logo no início do livro) muita coisa acontece... É muito triste ver como por vezes um casal pode ser influenciado pelos preconceitos de uma sociedade tão hipócrita!

Eu confesso que em muitos momentos fiquei com raiva das atitudes de Armand. Ele queria namorar uma cortesã mas não queria "dividi-la" com ninguém e tinha muita dificuldade em confiar em Marguerite por isso. Imaturo e infantil em muitos momentos, ele é o tipo de cara que põe tudo a perder por si mesmo... porém, com os diálogos e as cartas trocadas entre os personagens, é possível sentir o conflito que eles vivem o tempo todo, sem contar os personagens secundários que orbitam o casal, sempre querendo tirar algum proveito manipulando situações. E, olha, numa época sem internet e rede sociais, as notícias se espalhavam bem rápido!

A história contada por Alexandre Dumas Filho dizem ser uma espécie de adaptação de sua própria história, tendo ele mesmo se apaixonado por uma cortesã. O romance, quando foi adaptado para o teatro pouco tempo depois de seu lançamento como livro, foi considerado  escandaloso. 

Fácil leitura, interessante e atual. Bem se vê a pouca evolução social do ser humano. Muuito bom!

BOA LEITURA!





"Marguerite assistia a todas as estreias e passava todas as noites nos espetáculos ou bailes (...) com três coisas que nunca a deixavam (...): o binóculo, um saco de balas e um buquê  camélias. Durante vinte e cinco dias do mês , as camélias eram brancas, e durante cinco eram vermelhas;nunca se soube a razão dessa variedade de cores (...)"
(pág. 21)

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