50º LIVRO DO ANO

"NA NATUREZA SELVAGEM", JON KRAKAUER


Jon Krakauer, jornalista que colabora com as principais publicações estadunidenses, como a revistas Outside e National Geographic e jornais como The Washington Post e The New York Times nos traz detalhes de uma história emocionante mas, principalmente, peculiar. Neste livro ele vai narrar a trajetória do jovem Chris McCandless que foi encontrado morto em setembro de 1992 dentro do ônibus que está na capa do livro. Esse ônibus fica no Alasca e foi deixado para atrás há alguns anos, exatamente para servir de  abrigo para aventureiros e caçadores. Ele tinha 24 anos.

Seria muito simplista de minha parte apenas dizer da "burrice" ou inconsequência do rapaz, que em geral é o primeiro comentário de quem lê superficialmente a história. Afinal, para apimentar esse enredo, podemos acrescentar que Chris vinha de uma família abastada e que sua vida acadêmica corria muito bem. Financeiramente viável, tinha tudo para ter uma carreira bem sucedida no que quer que se propusesse. Afinal, além de tudo, ele tinha uma inteligência acima da média. Sempre se destacou nos estudos, também cantava, corria e era um empreendedor desde a mais tenra idade. Ele estava à frente de seu tempo e poderia ser o que quisesse. 

E escolheu ser livre.

O livro é a narrativa da aventura de Chris, quando em 1990 após concluir a faculdade ele decide doar todo seu dinheiro, abandonar seu carro, mudar de nome e cair no mundo. Ele vai andando pelo país carregando sua mochila com seus livros favoritos - Jack London e Tolstoi inclusos - mas tem por objetivo chegar ao Alaska, pois é lá que ele vai coroar seu objetivo: viver apenas da natureza, sem contato humano, provando a si mesmo que conseguiria. Ele cortou qualquer contato com seus pais e sua irmã e seguiu fazendo trabalhos aqui e ali, comendo quando possível, às vezes bem às vezes, nem tão bem assim, pegando carona e admirando o mundo. Durante a leitura você percebe que Chris era muito diferente de todo mundo. Ele não conseguia se encaixar nessa sociedade. Ele, quando adolescente,  se preocupava em saber que havia pessoas passando fome e virava as noites de sexta não na balada, mas conversando com mendigos e prostitutas, comprando hambúrgueres para distribuir entre os moradores de rua. Ele era correto de uma maneira difícil de compreender, especialmente nos dias de hoje que vemos apenas jovens que querem ser lindos e famosos, totalmente ocos mas bonitos. Chris era praticamente um outsider. Ele gostava de pessoas mas não parecia ter paciência para aguentar os ditames sociais.

Também são muito tocantes os capítulos que Krakauer dedicou à família, à sua conversa com os pais e a irmã de Chris - Alex Supertramp, como ele passou a se denominar. Não tem como não se emocionar quando você conversa com uma mãe que perdeu seu filho. Não é natural, não parece correto. E vê-la contando como reagia sempre que via um andarilho, o que pensava nas noites de frio e chuva... Imaginar onde está seu filho, se está bem, se está comendo... Chris foi muito duro com eles, mas para ele havia motivos. Cabe a cada um concordar ou não, mas isso não faz a menor diferença, não é mesmo?

Um livro que eu vou levar para a vida. Uma leitura maravilhosa, encantadora, uma escrita apaixonante. Chris McCandless não é um herói. Talvez nem seja um modelo a ser seguido ou repetido. Até porque nossa sociedade admira muito as figuras que se levantam contra o sistema exatamente porque sabem que são poucas as pessoas que tem coragem para tanto. William Wallace, Nelson Mandella, Joana D'arc, Guy Fawkes são nomes lembrados até hoje como exemplos de luta, mas quem gostaria de sê-los? E, se eles caíram e viraram mártires foi porque não houve tantos assim dispostos a enfrentar o establishment... Viu como uma história pode te levar a pensar muito profundamente? E por que é necessário ler sempre...? Então aproveite!

BOA LEITURA!


"Nada é mais maléfico para o espirito aventureiro do homem que um futuro seguro."

Chris McCandless (1968-1992)

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