52º LIVRO DO ANO

"2001 - UMA ODISSEIA NO ESPAÇO", ARTHUR C. CLARKE


"2001 - uma odisseia no espaço" clássico da ficção científica imortalizado na obra do inigualável Stanley Kubrick foi lido por mim nesta edição incrível da Editora Aleph, com a luva que traz "cara" do computador HAL 9000 (outra criação "kubrickiana"). O livro mesmo é...vejam vocês, um monolito!

 Livrinho lindo sendo monolito...Aliás, monolito que me fez entrar em pane quando assiti pela primeira vez o filme.

Este é o tipo de obra que fica impossível não relacionar quase imediatamente com o filme. Mas aqui a coisa não ficará com aquele ar de "competição", do tipo "quem é o melhor". Simplesmente não existe isso, já que ambos, diretor e autor, trabalharam juntos na concepção do livro e do roteiro, um derivando o outro numa relação de simbiose perfeita na qual quem saiu ganhando fomos nós, o público. Seja leitor, seja expectador ou, como eu, ambos.

Eu conheci primeiro o filme e confesso que quando assisti pela primeira vez fiquei com um nó na minha mente quase analítica. De verdade, minha vontade de compreender, de ter certeza do que tinha acontecido ali (essa coisa de tudo ter que ter uma lógica...) fez com que eu não aproveitasse do modo devido a experiência. Traduzindo: eu fiquei muito intrigada com o tal monólito e todo o seu papel naquela história!Sem entender ou achando que eu não tinha entendido... Hahaha! Ridículo! Quando penso nisso agora eu vejo que as coisas estavam ali, explicações e tudo o mais,  mas a mente que sempre pensa igual não conseguiria ter uma ideia diferente, não é mesmo? (esse é o meu mea-culpa com o mestre Kubrick. Espero ter sido perdoada... Não tenho genes geniais...)


 "Os caras". 

Nesta foto ICÔNICA, temos o Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick e o objetivo deles (plenamente atingido comigo...) no set de filmagens em 1968. Essa história é, na verdade, uma mescla do roteiro do filme com a escrita do livro. Clarke disse que considerava a escrita de um roteiro era morosa, lenta e então Stanley sugeriu que ele se entregasse a história que tinha em mente para que, aos poucos, ela fosse sendo transformada num roteiro. Ou seja, a história da história já é um acontecimento digno de nota... Roteiro e livro foram escritos a quatro mãos. As melhores que poderiam escrevê-los...

Essa leitura também aconteceu por conta do desafio do Calendário Literário que, neste mês, sugere a leitura de um livro de ficção científica. Feito! E com louvor.

Já deu para perceber que eu adorei a leitura, então vamos à história: Ela começa na pré-história, quando uma espécie de homem primitivo vive seu cotidiano de caçar, comer, dormir, acordar, morrer e se reproduzir. Aliás, o primeiro capítulo deste livro explica mais sobre o cotidiano pré-histórico do que muitos livros de história por aí. Pois bem, um belo dia esses homens encontram uma "placa retangular, três vezes a sua altura, mas estreita o bastante para abarcar com os braços" (já viu quem, né?)

                                                                       Fan-tás-ti-co!

Depois de alguns acontecimentos que transformam de diretamente a vida desses quase humanos, temos um salto no tempo e já nos vemos em uma estação espacial. Há alguma coisa acontecendo que está sendo escondida (principalmente dos russos), mas é impossível não notar a movimentação e o sigilo de toda a situação. Uma nave chamada Discovery que já está a caminho de Saturno é que envolve todo o mistério... e só vamos descobri-lo mais adiante.

O que importa é que essa nave tem cinco tripulantes, dois acordados -Frank e David, que protagonizarão acontecimentos cruciais - e três em hibernação, além do computador de bordo que pode ser colocado como o sexto tripulante já que é uma avançada forma de inteligência artificial chamada Hal 9000. Hal é , de fato, muito inteligente, quase humano... em tudo. Até nas coisas menos positivas... e é ele quem vai proporcionar os momentos mais tensos dessa segunda parte da história. 

A terceira parte do livro já nos mostra  a chegada ao objetivo, agora com outro olhar depois que David fica sabendo o verdadeiro motivo da viagem. E é aqui que a mágica aconteceu para mim!!

O livro é delicioso de se ler. Não sou fã do gênero e estava esperando que seria uma leitura média, mas não foi : foi uma leitura digna de cinco estrelas! Os capítulos são curtos e a maneira de escrever de Clarke torna a leitura surpreendentemente produtiva : você lê trinta páginas sem perceber que já leu tudo isso. Além disso, a genialidade do autor, seu conhecimento sobre o espaço e todas as suas peculiaridades tornam ainda melhor a experiência. Ele faz menções quanto a "telefones" que se conectam com imagens e livros digitais, conceitos como viagem no tempo pelo tal "buraco de minhoca" de uma forma próxima do comum, tornando a absorção do conceito simples, sem grandes exibicionismos. Recomendo muito para você que já viu o filme e recomendo mais ainda para quem não o viu. Vale a pena cada linha!! Há ainda dois contos igualmente maravilhosos que, segundo o prefácio à edição do milênio escrito pelo autor, foram os que serviram de base ao livro e ao roteiro do filme (são eles "A Sentinela" e "Encontro no Alvorecer"). Maravilhosos!

BOA LEITURA!

(e veja o filme, caso ainda não o tenha feito, ok!)

"Podemos projetar um sistema que seja à prova de acidentes e estupidez, mas não podemos projetar um que seja à prova de maldade deliberada..."
(pág.203)



Veja um pequeno trecho da sequência inicial do filme aqui.. e a música que você vai ouvir durante toda a sua leitura, eternizada com a obra ("Also Sprach Zarathustra", de Richard Strauss)

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