54º LIVRO DO ANO

"PADDY CLARKE HA HA HA", RODDY DOYLE


Vencedor do  Booker Prize de 1993, "Paddy Clarke Ha Ha Ha" é a obra do escritor irlandês Roddy Doyle. Este professor de Geografia e  Inglês teve outros livros de grande sucesso que chegaram inclusive a virar filme, como seu primeiro romance The Commitments , de 1987 (no Brasil, Loucos pela fama). A capa do livro remete bem àquela coisa de felicidade, de moleque solto na rua que a gente vê cada vez menos hoje em dia... até porquê os conceitos de "moleque" e "rua" estão bem diferentes hoje em dia.

Neste livro, vamos acompanhar o dia-a-dia de Patrick Clarke, o Paddy do título. Ele tem dez anos e estamos no final da década de 1960, na Irlanda.  Tem sua turminha, suas brincadeiras, perturba vizinhos, cria  histórias e maldadezinhas. Em casa, tem três irmãos mais novos, um menino - Francis ou Simbad, mais presente em suas brincadeiras e quem vamos ver crescer e amadurecer junto com o mais velho, e duas menininhas menores. Não temos muitos detalhes sobre os pais, apenas que a mãe é dona de casa e o pai trabalha fora, como a maioria das famílias da época - numerosas e patriarcais. Paddy se diverte pela vizinhança que está passando por mudanças com obras e transformações, casas sendo construídas e ruas sendo abertas. No entanto, vamos aos poucos descobrindo que Paddy tem problemas que muitas crianças também tinham (tem?)  e tenta, a todo custo, manter o controle com uma maturidade que ele ainda não possui. São os momentos mais emocionantes do livro, beiram a tristeza. 

Há também uma boa descrição do que era a escola na época, com exigências absurdas e castigos corporais impensáveis. 

É fácil lembrar da infância quando se lê "Paddy Clarke", especialmente se sua infância aconteceu entre os anos 1970-80. As brincadeiras de rua, a turma, os melhores amigos, as rixas... tudo está aqui. 

Porém... E aqui vou falar de minhas impressões gerais. 

Eu não gostei da narrativa. Ela é em forma de fluxo de consciência, vai acontecendo seguidamente, sem divisão de capítulos. Nos sentimos realmente dentro do pensamento de Paddy: num momento ele está pensando sobre a lição de casa, aí fala do que aconteceu no recreio, aí lembra de uma briga e depois fala do que está acontecendo em casa e se lembra de uma brincadeira que representava um ritual e assim vai... É assim é o livro todo. Em alguns momentos, eu achei cansativo, realmente cansativo. Sei que deve funcionar melhor com outras pessoas, mas comigo não deu muito certo... Eu levei o livro até o final porque queria saber qual era o problema em casa, com a família dele. Mas fiquei o tempo todo com aquela impressão de que estava faltando alguma coisa... Sabe, aquele algo mais que te "puxa" para dentro da história. 

Enfim, não foi a pior leitura, mas também não foi muito proveitosa para mim.

Mas, tem quem goste!

HA HA HA!


Esta leitura foi o livro de setembro da Tag-Experiências Literárias. Olha o marcador... 

Comentários

Postagens mais visitadas