56º LIVRO DO ANO - MÊS DO HORROR #3

"A VOLTA DO PARAFUSO", HENRY JAMES


Sempre com o hábito de deixar uma leitura já de stand by no Kindle, baixei alguns para o mês do horror e... um já foi!

"A volta do parafuso" é considerado um clássico da literatura de terror escrito por Henry James e lançado em 1898. É uma história muito tensa, em que a dúvida acompanha o leitor o tempo todo: está acontecendo ou está sendo imaginado? É loucura ou é mesmo temor? É um livro para ser degustado. O enredo vai se desenrolando aos poucos, os personagens são um tanto quanto dúbios, talvez por isso interessantes... Mas o enredo vai sendo desnudado aos poucos, não adianta ter pressa. 

A história trata da ida de uma jovem professora para Bly, em Essex, na Inglaterra. Ela foi contratada por um jovem senhor rico para tutelar seus sobrinhos, cujos pais morreram na Índia. É um encantador casal de crianças, muito belas e educadas (devem ter por volta dos 8-10 anos, sendo o menino mais velho). A única exigência feita pelo contratante é que, sob hipótese alguma, ele seja importunado. Ele não quer receber reclamações sobre o que quer que ocorra ali. Ou seja, ele assumiu a responsabilidade de criar as crianças, mas não quer que estejam por perto atrapalhando a rotina de sua vida. A jovem (que não é nomeada em nenhum momento) chega à propriedade e logo se encanta por Miles e Flora.



Contudo, a jovem logo percebe que há algo estranho no ar, uma certa opressão... Mesmo tendo sido bem recebida pelos empregados, pela governanta e principalmente pelas crianças, a jovem sente a aura de mistério que envolve a casa. E começa a observar as crianças mais atentamente, analisando até que ponto elas são o que parecem ser mesmo ou se estão apenas dissimulando. Mesmo com os empregados do lugar e a governanta, senhora Grose, a professora fica o tempo todo intrigada, observando o que se passa por ali. Até que um dia vê um estranho na propriedade. Como ele não aparece apenas uma vez, ela logo descobre que na verdade, o tal homem é um fantasma.

Com mais alguns acontecimentos sempre envolvendo as crianças e com suas conversas com a governanta, logo a professora descobre que tais aparições - pois também vê uma mulher numa tarde em que passeava no lago com as crianças - são os fantasmas de dois ex-empregados do lugar. A ex-professora e um empregado da casa - srta. Jessel e Peter Quin, ambos já mortos, como afirma a governanta.  Obviamente a mulher fica assustada, mas o que mais a intriga é o fato de como as crianças reagem com indiferença aos fantasmas. Não demonstram medo, na verdade os ignoram, como se não o vissem. Ou fingem ignorar... Sabe-se que, quando vivos e trabalhando ali, ambos eram muito próximos das crianças - Jessel de Flora e Quint de Miles. E, com o passar dos dias, ela presencia situações envolvendo os pequenos em que eles demonstram ver algo. Ou seja, não estão tão imunes às visões assim. Mas então... por que fingem estar?

Perspicaz em suas deduções, logo a professora percebe que de alguma forma os fantasmas e as crianças estão ligados. Ela acredita que tais aparições usam as crianças para se manterem por ali. Mas, o que querem de fato?

Abusando do terror psicológico de forma positiva, há momentos em que Henry James confunde o leitor, pois parece que a professora é meio perturbada. Ou talvez sejam as crianças fazendo uma brincadeira tola. ou talvez seja só o isolamento e a responsabilidade em cuidar sozinha da formação de seus pupilos. O que importa de fato é que você quer saber o que está acontecendo ali e esse mérito é todo da escrita do autor, que mantém o ritmo da história sempre "amarrando" bem os capítulos.

Há um filme baseado neste livro chamado "Os inocentes" (1961), que também foi muito elogiado pela atmosfera de terror psicológico que o permeia todo o tempo.

É um bom livro. Talvez o final tenha deixado um pouco a desejar para mim (fiquei mais curiosa do que com medo...), mas, sim, é um bom livro! Se você não está preparado para algo mais "forte", eu recomendaria este aqui.

BOA LEITURA!


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