59º LIVRO DO ANO - MÊS DO HORROR #13

"OS CONDENADOS", ANDREW PYPER



Talvez seja a sedução de uma edição bem feita (DarkSide Books está sendo cruel com os leitores, com edições que dão gosto a começar pela aparência...). Amo capas com esse aspecto de envelhecimento. Talvez seja a coisa de dar a chance... o primeiro livro não foi tão bom assim (aliás com a expectativa que eu tinha, fiquei bem decepcionada o final de "O demonologista") mas pode ser que o segundo seja melhor... O caso é que, mesmo depois da primeira leitura da obra desse autor não ter sido nada como eu esperava, eis-me aqui com "Os condenados".

**Ainda sobre a edição:


Mais uma foto da capa, muito bonita, com efeito envelhecido para combinar com o primeiro lançamento da editora em 2015, "O demonologista".





Olha as duas juntas, que bonitinhas...
(lembro que ano passado houve muitas críticas ao "O demonologista", mas que compensava pela linda capa na estante...rsrs Concordo que não compensa comprar um livro pela capa, mas que são bonitos são, hein?)


 Folha de guarda da abertura do livro...
... e do final do livro. 


O livro conta a história de Danny Orchard, autor de um livro chamado "O Depois" no qual narra sua insólita experiência de quase morte (EQM). Talvez possa parecer , a princípio, como tantas que se vê por aí em programas sensacionalistas, mas a experiência de Danny tem um porém: ele passou por uma EQM mas voltou de lá com o relógio de seu pai em sua mão: o relógio que foi ENTERRADO com sua mãe, morta há seis anos. Ou seja, supostamente ele tem a prova de que existe algo ou algum lugar para onde vamos no pós morte, no "depois"... Isso, transformado em livro, faz com que surjam comunidade e seguidores de Danny que se autointitulam "Reviventes", ou seja, pessoas que, assim como ele, voltaram a vida depois de estarem oficialmente mortos por minutos. 

Danny não participa de todas as reuniões que acontecem primeiro por serem muitas e por todo o país e depois porque Danny é um recluso : aos quase 40 anos é um homem solitário, sem família ou amigos. Conforme a história vai sendo desenvolvida vamos descobrir o motivo desse comportamento. Porém, em uma reunião em que coincidentemente ele participa, uma "revivente" não tem uma história bonita para compartilhar. Ela não fala de luzes brilhantes, abraços emocionados ou reencontros. Ela não foi para onde a maioria das pessoas diz ir... E, pior: não voltou de lá sozinha.

Esse momento da história nos leva ao motivo pelo qual Danny é tão recluso... Ele também não está sozinho. Desde a morte de sua irmã gêmea Ashleigh no dia do aniversário de 16 anos deles. Aparentemente, Ash morre num incêndio numa casa abandonada... A história dos irmãos também é bem interessante: eles vieram ao mundo sem respirarem. No desespero de perder seus bebês, a mãe faz um apelo ao que quer que esteja ouvindo pela vida deles. Quase instantaneamente os bebês começam a chorar, mas a mãe percebe que ela cometeu dois erros ali (essa parte da narrativa é bem interessante, bem legal de ler!). Conforme os bebês crescem, a família percebe que Ash é bonita, perfeita em quase tudo o que faz mas é dotada de uma crueldade que a aproxima do que conhecemos como psicopata. Ela é cruel especialmente com seu irmão, a quem faz questão de humilhar, maltratar e muitas vezes demonstra gostar de que ele observe seus atos de crueldade. No dia de sua morte, foi por Danny que ela chamou, não por arrependimento... Ela não se conforma em ter ido embora e ele ter ficado. 

Alegando que gêmeos começam a vida juntos e não devem ficar separados,  ela volta sempre para assombrar Danny. Por que para ela acabou e para ele deve continuar? Gêmeos sempre sabem... Então ela faz tudo o que está ao seu alcance para atrapalhar a vida de Danny e qualquer relacionamento que ele queira manter.

A partir daí , a história começa a se desenvolver e ter bons momentos de medo, algumas descrições muito bem feitas. A reviravolta da vida de Danny acontece quando ele se apaixona de verdade, tipo amor a primeira vista. A primeira vez. E isso passa a fazer a diferença em sua vida. Willa e seu filho de 10 anos, Eddie passam a fazer parte de sua existência.

Como você pode ver, caro leitor, o enredo do livro é, na minha opinião, bem construído e interessante. O que (talvez) compromete é o desenvolvimento...

Na capa do livro tem um blurb de Stephen King que diz "O medo clássico tem um novo nome." Eu, como fã de King, achei em muitos momentos que o Andrew Pyper parece querer manter um ritmo "Kinguiano", baseado em narrativas detalhadas e com muitas descrições sobre o aspecto psicológico e emocional dos personagens.

Mas não vai.

 Os personagens ficam superficiais, os mais desenvolvidos são Danny e sua irmã Ash e, como  a primeira parte do livro visa mostrar as consequências dos atos de Ash para ela e todos a sua volta, acaba ficando bem insistente para te convencer do que é essa garota (que seria desnecessário, a gente logo enetende do que ela é capaz). Um momento que para mim fica claro que ele poderia ter se detido em mais detalhes é quando entra em cena Willa  e ficamos sabendo o porque de se encontrarem (que é bem breve), qual a experiência de EQM dela (bem contada, ok) e o perfil dela, uma mulher batalhadora, decidida, que sofreu e deu a volta por cima. Mas, de repente, do nada, ela solta uns palavrões lá pelo meio dos diálogos que não combinam com ela ou, pelo menos, não estão bem contextualizados. A gente fica meio espantado, sabe? Não sou nem um pouco puritana, mas achei que ficou meio jogado, meio desnecessário... Eu fiquei pensando se era alguma mudança de personalidade, se tinha alguma pegada sobrenatural relacionada a isso... Mas não tinha. Parece que era  da personagem, mas surgiu de repente. Ficou estranho.

O desfecho também me pareceu arrastado, cheio de explicações que não posso detalhar senão será um spoiler gigantesco, mas ele está em um determinado lugar e anda, corre, se esconde (parece JOGOS VORAZES)  para de repente BUM foi isso, obrigada, volte sempre, de nada. Sim, é mais ou menos isso:próximo do desfecho, ele começa a descrever situações pelas quais Danny passa para, do nada, ele descobrir que ele está no lugar errado e tem que ir para outro lugar... Poderia ter sido mais breve, creio eu. Tive a impressão de que fiquei dando voltas e mais voltas ali antes de ir para onde interessa.

Achei um livro irregular. Tem tudo para ser melhor que O Demonologista, me parece que houve uma leve melhora entre os dois livros, mas para virar uma correria no final com descrições que poderiam ser mais breves. Citando novamente o exemplo do King, ou fala bastante explicando tudo detalhadamente ou deixa pra lá e vamos por cima mesmo pra dar uma alinhada na coisa! Veja bem, não é ruim, mas tem momentos em que você pensa que poderia estar melhor desenvolvido. Achei interessante o desfecho sobre a morte da irmã que encaminhava para uma obviedade e ele conseguiu encaixar uma boa reviravolta... Enfim, tem momentos muito bons e outros meio médios. Não é horrível, mas não crie grandes expectativas que a coisa flui melhor...

BOA LEITURA!

"A MORTE É PREVISÍVEL. O QUE ACONTECE DEPOIS QUE VOCÊ MORRE, NÃO."
(PÁG.264)





Comentários

Postagens mais visitadas