62º LIVRO DO ANO - MÊS DO HORROR #18

"DRÁCULA", BRAM STOKER

 
Essas são minhas versões e-reader, no Kindle e no aplicativo Kindle no celular.

Outras edições da obra:





É quase impossível que você, caro leitor, nunca tenha ouvido falar de vampiros. Em nossa época, o mito do morto-vivo que sobrevive tomando sangue dos humanos é muito mais comum do que foi em outrora. A imagem sedutora e demoníaca que perverte homens e mulheres e pode perpetuar a maldição repassando-a já foi retratada de diversas formas em filmes  e livros. Autores como Stephen King, Anne Rice, Stephenie Meyer, André Vianco já contaram à sua maneira  o mito vampiresco. Já vimos vampiros horrorosos ("Nosferatu", de  Friedrich Wilhelm Murnau - filme alemão de 1922) e outros deslumbrantes ("Entrevista com o vampiro", de Neil Jordan, 1994, com Tom Cruise e Brad Pitt nos papeis principais)...  Mais recentemente temos séries sobre os amaldiçoados, como "True Blood" e "The Vampire's Diaries". Mas todos de alguma forma entraram em contato e temeram o mito. 

Este livro, escrito de maneira epistolar, foi lançado em 1897 e marcou o nome do autor na literatura mundial. Causou uma boa impressão a uns, mas também foi repugnado por outros, pelo mesmo motivo: foi considerado muito lúgubre. A edição que li no meu Kindle  traz, além da história em si , um conto introdutório chamado "O convidado de Drácula", que achei muito bom, consegue transmitir bem a atmosfera de medo, dúvida e suspense. 

A história ("Drácula - Uma história de mistério") começa com Jonathan Harker indo para a Transilvânia cuidar dos negócios do Conde Drácula. Ele vive em Londres, mas tendo o conde contatado o escritório de advogados onde ele trabalha coube a Harker viajar para lá. No caminho, Harker observa não apenas a superstição local - os moradores não querem que ele vá até lá, lhe dão avisos, talismãs e crucifixos - mas também modificações no clima e no comportamento dos animais. 

Ao chegar, ele se depara com um senhor de idade bem avançada que vive num enorme e sombrio castelo com aspecto de abandono. Harker é recebido como hóspede e começa com seus trabalhos, mas com o passar dos dias vai percebendo coisas estranhas no local: não há criados, o Conde faz tudo sozinho e não se cansa, mesmo tendo idade avançada. Há cômodos que ele não pode entrar e Harker ouve barulhos estranhos... O Conde parece controlar os lobos, determinando o momento em que devem parar de uivar. Ele começa a ver coisas que o fazem compreender que aquele senhor não é normal, não é sequer humano e, pior : ele não consegue entrar em contato com Mina, sua noiva que ficou em Londres. Suas cartas são interceptadas pelo Conde. Conde que não tem reflexo no espelho e parece se materializar em alguns lugares, pois surge silenciosamente do nada...

Enquanto isso, em Londres, vemos Mina e sua mui dileta amiga Lucy (chega a ser chato o "grude" dessas duas, mas compreendo que devia ser algo comum na época) vivendo a vidinha fútil de damas da sociedade, orgulhosas de já terem sido escolhidas como esposas (no caso de Mina, aguardando Harker voltar para se casarem) ou de estarem sendo admiradas e desejadas ( no caso de Lucy, dividida entre seus pretendentes). Coisas estranhas começam a acontecer com Lucy: ataques de sonambulismo, sonhos estranhos envolvendo lobos... Aos poucos, vamos compreendendo que o fato do conde ter entrado em contato com o escritório de Londres foi só para conseguir chegar ao continente europeu e começar o seu reinado. Lucy será o seu passaporte.

A partir daí, vamos acompanhar através de relatos dos diários do envolvidos no caso o desenrolar dos acontecimentos. A estranha doença de Lucy, a chamada do dr. Abraham Van Helsing - conhecedor profundo de casos de vampirismo - dr. Seward, que trabalha no hospício local  e está acompanhando um estranho caso de devoção sombria, Arthur, o noivo de Lucy... Todos vão, pouco a pouco, tomando consciência do que está de fato acontecendo, mesmo sendo tão inacreditável. O processo de convencimento dos envolvidos é muito bem desenvolvido, muito crível.

A leitura me desagradou especialmente quando estava mais próximo da conclusão. Achei que os três capítulos finais tiveram muita enrolação e explicações desnecessárias quando na verdade eu queria ver o confronto, o momento em que todos aqueles homens pudessem exterminar aquele que se tornou o maior inimigo deles. E quando chega esse momento ele acontece tão rápido que fiquei bem frustrada... Esperava um pouco mais.

Neste ponto, acredito que a adaptação de Coppola foi mais feliz...

Em 1992, Francis Ford Coppola adaptou o livro para as telas. 






Drácula é o vampiro clássico: dorme durante o dia, alimenta-se à noite, pode se transformar em animais como morcego ou lobo, pode ser terrivelmente persuasivo e sedutor e só pode ser morto com uma estaca enfiada no peito e sendo decaptado em seguida. Nos papeis principais temos o excelente Gary Oldman e a mocinha Winona Ryder. O final foi mais de acordo com a lenda de Vladi Tepes,conhecido entre nós como o Empalador, um Conde que viveu na Romênia e era conhecido por sua crueldade com os inimigos. Entre seu povo ele era admirado e conhecido como "Vlad coração de Dragão". E, como para ser "mau" sempre tem que haver justificativa (isso está mudando pouco a pouco, ainda bem), diz-se que Vlad abdicou de Deus quando este não protegeu sua família enquanto ele estava fora, na batalha. Amaldiçoando Deus, tornou-se um morto-vivo.

Livro bom se você tiver paciência. Clássico não tem uma linguagem palatável para todos, não é mesmo? Mas experiência de leitura é uma coisa muito individual. Eu gostei mais da primeira parte do livro do que de sua conclusão...  Mas, cada um cada um.

Enfim, fica a dica.

BOA LEITURA!

"Ele não pode entrar pela primeira vez em algum lugar a menos que haja alguém da casa que o convide (...)"

"Todos os homens são loucos, de um modo ou de outro."

"Omne ignotum pro magnifico. Tudo o que é desconhecido parece magnifíco."


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