MÊS DO HORROR #8

Hoje resolvi compartilhar uma história que conheci e me impressionou muito quando eu era pequena, contada por minha mãe que ouviu (até onde eu sei) de sua cunhada... Eu sempre fui fascinada por  esses "causos" que se espalham pelo Brasil. Sabe aquelas histórias que quem conta sempre garante que era verdade o acontecido, porque quem contou foi o tio do pai do vizinho da comadre da esposa do homem do açougue... ? Então, essas são as minhas favoritas!




Eu acredito que seja isso o que de mais próximo nós temos como cultura de fato brasileira, criada aqui ao pé do fogão, no meio de uma cozinha cheia de gente ou enquanto a mãe cozinhava e a gente ia perguntando e querendo saber mais sobre histórias "de medo". 

Para mim foi assim. Eu sempre me encantei com o medo, sempre gostei do sobrenatural e, mesmo hoje em dia, que minhas (des) crenças mudaram muito depois de muitas vivências e convivências, mesmo quando eu ainda ouço uma história e sei que pode haver uma explicação plausível para aquilo que está sendo dito, eu gosto de escutar e imaginar que seria legal ter certeza de que existe alguma coisa em algum lugar. 

Minha família por parte de pai é toda mineira e, por parte de mãe, do interiorzão de São Paulo, ou seja: cresci rodeada de histórias. E hoje, vou compartilhar uma com vocês...

Há muitos anos atrás, a cidade era pequena e a vida corria num ritmo mais lento, muito diferente de hoje. Meus avós, assim como a maioria das famílias de antigamente, tinham pouco dinheiro e muitos filhos. Não era fácil sustentar tanta gente, por isso era comum os mais velhos começarem muito cedo a ajudar em casa, logo que podiam trabalhar. E, talvez por isso, também era muito comum a infância se estender por um tempo maior do que o de hoje e ser lamentada quando precisava ser abandonada.
Ainda assim, com muito sacrifício, a casa era boa, num bom terreno e todo mundo tinha comida e teto.
Além disso, era muito bem localizada, perto da escola, da igreja (que era praticamente ao lado da casa)... e era o caminho para o cemitério do bairro. Era comum, naquela época, que os velórios ocorressem na Igreja e o cortejo seguisse, a pé, até o cemitério.
Três de minhas tias mais novas estavam ainda na fase de aproveitar ao máximo a infância. Com pouca diferença de idade entre elas, as traquinagens eram maquinadas sem grandes discordâncias e aconteciam não apenas no quintal da casa como pela vizinhança. O sobrenome da família ganhou certa fama com o trio, "as capetas" do meu avô. Era fácil aprontar com muitos irmãos mais velhos para ajudar a proteger/esconder...
Pois bem, uma das coisas que minhas três tias (uma delas ainda viva até hoje) faziam e que irritava profundava minha avó católica e respeitosa de todos os dogmas da igreja era que, ao ver o cortejo fúnebre, elas corriam para fazer festa para a grande fila que se estendia pela rua (ou não - dependendo do morto, afinal de contas...) Aquela coisa de  criança e bagunça, sabe? Lá vinha o cortejo e lá iam as três para o portão dar tchau e fazer folia... Minha avó advertia: "Isso é falta de respeito, vocês ainda serão castigadas! Isso não agrada Deus!"

Foto da cidade de Tubarão -SC, retirada daqui:  http://www.conhecimentogeral.com/fotos-antigas-da-cidade-de-tubarao-sc/, só como ilustração.


Mesmo assim, a farra continuou até que...
Um dia, conta minha tia, elas estavam no quintal brincando e viram que um cortejo preparava-se para sair da igreja. Obviamente, sem se importar com os avisos da mãe, lá foram as três para o portão acenar e gritar para as pessoas que passavam. Mas, para espanto delas, a morta sentou , virou-se para elas e acenou, respondendo o tchauzinho das meninas!!!


As três saíram correndo, desesperadas, para dentro de casa - mais especificamente, para debaixo da cama. Diz-se que, com as três chorando e rezando, foi quase impossível tirá-las lá debaixo. Minha avó utilizou o fato para o famoso "tá vendo" que toda mãe adora usar quando tem razão e, desde aquele dia nunca mais as três correram para o portão durante os cortejos. Pelo contrário, elas iam era para o "pé da santa", rezar pela alma que partia ali (e tentar garantir que nenhuma assombração apareceria novamente...)
Minha tia está bem idosa hoje em dia, mas até a época em que conheci essa história (uns bons trinta anos atrás...) o que se contava na família era que as três continuavam garantindo que isso era verdade e tinha, de fato, acontecido: as três viram a "defunta" sentar no caixão, inclusive com umas flores enfeitando seu cabelo e acenar de volta para elas....

Pois é... histórias de beira de fogão são sempre as melhores histórias...


Boas Conversas para Vocês!!!









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