67º LIVRO DO ANO

"ÚLTIMO TURNO", STEPHEN KING (LIVRO III DA TRILOGIA BILL HODGES)

Peixinhos do mal...

Stephen King é , para mim, um dos melhores escritores da atualidade. Poderia dizer que ele é o melhor escritor de horror/terror, gênero pelo qual ele ficou mundialmente conhecido, mas isso seria limitar o talento dele. Quando você lembra de alguns contos, como "Shawshank Redemption" ou o livro "A espera de um milagre" (só pra citar dois) é nítido que ele consegue escrever  - e bem - qualquer gênero. Às vezes, a característica do sobrenatural aparece - como em "A espera de um milagre". Mas nem sempre é preciso: King consegue desenvolver uma história usando essencialmente o elemento humano, que pode ser tão ou mais assustador quanto qualquer poder sobrenatural. 

"Último turno" é a finalização da chamada Trilogia Bill Hodges, que tem os livros (I) Mr. Mercedes (que no blog está aqui)  e (II) "Achados e Perdidos" (que no blog está aqui). 

Nesta sequência, voltamos a encontrar o "Assassino do Mercedes", Brady Hartsfield. Conhecemos Brady no livro I quando ele enlouquecidamente atropelou dezenas de pessoas numa fila de empregos usando um Mercedes roubado. Foram nove mortos e outros tantos feridos ou definitivamente incapacitados. Ele não foi capturado e foi a grande frustração para Bill Hodges, que, na época, estava prestes a se aposentar. Depois de anos, quando Bill já estava enfrentando a depressão de estar aposentado e sem grandes ambições na vida, Brady volta a atormentá-lo, o que ao invés de provocar a morte (intenção inicial) de Bill, o trouxe de volta a vida. E capturar Brady tornou-se uma questão de honra. Brady, como saída triunfal, decide explodir-se num show de uma famosa boyband, cheio de crianças e adolescentes que terminou com o providencial encontro da cabeça dele com o Porrete Feliz de Bill, promovido por Holly Gibney (a amiga/sócia/ajudante de Hodges). Brady sobreviveu e foi parar no hospital onde está, até onde se sabe, incapacitado pelo resto da vida. No final do segundo livro, vemos que Bill ainda visitava Brady  depois de um tempo de todo o ocorrido. Brady  não demonstrava avanços motores nem intelectuais. Passa o tempo parado, olhando para a paisagem na janela ou para a tela da TV - mas Bill temia que ele apenas estivesse fingindo para não ir a julgamento. No fim, até Bill desistiu de provocar o bandido e parou com as visitas.

Trilogia completa.😍

Mas, caros amigos, este é um livro de Stephen King. As coisas não são tão simples assim...

Um determinado médico que acompanhava a evolução do quadro de Hartsfield, Dr. Babineau, decide testar secretamente no paciente (que, afinal, não recebe visitas e que é odiado por toda a sociedade) drogas que ainda não foram aprovadas pelo sistema de saúde americano. Depois de um tempo, Babineau não nota qualquer alteração no quadro evolutivo de Brady e decide parar de se arriscar tanto. Só que...

... as enfermeiras que trabalham nesse setor do hospital acham que a ala está assombrada. Elas relatam objetos que caem, a TV que liga sozinha... Algo estranho parece acontecer ali, especificamente no quarto 217...

Você, querido leitor, já consegue compreender que tem algo muito extraordinário ocorrendo ali. Algo  muito  mais profundo e complexo do que se imagina. Surreal.

Brady acordou. 

Enquanto isso...

Bill e Holly tem agora uma agência de investigação chamada "Achados e Perdidos". Bill é policial aposentado e usa de sua inteligência e alguns contatos para localizar devedores, realizar cobranças ... esse tipo de serviço. Ele acaba envolvido novamente no caso do Assassino do Mercedes porque seu antigo parceiro, Pete, acaba falando com ele sobre uma investigação em andamento: vítimas do Assassino do Mercedes estão aparecendo mortas. Suicídio. Estranhamente, era essa a intenção inicial de Brady quando entrou em contato com Bill: induzi-lo ao suicídio. Como é uma estranha coincidência, Pete acaba falando com Bill.  E, mais estranho ainda: um aparelhinho com jogos, desses bem antigos, foi encontrado em duas cenas investigadas. Um Zappit.


A conexão com Brady parece inegável, mas como ele pode estar envolvido nisso tudo se mal consegue abotoar sua blusa e comer seu jantar sem se sujar? Ele nunca saiu do quarto 217... não é?

A história é dinâmica, mantém o ritmo de thriller policial e quem gosta do gênero com certeza vai curtir. Li que houve muitas críticas por conta de acabar tomando um rumo um pouco diferente do que inicialmente aparentava seguir, mas eu particularmente gostei da reviravolta. Talvez o ápice da história tenha sido um pouco acelerado, com alguns clichês próprios de thrillers. Mas eu gostei do desfecho, finalizando mesmo a história dos três livros. 

Fica então a dica de mais um gênero pelo qual se aventura o "mestre do horror". 

BOA LEITURA!😊



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