69º LIVRO DO ANO

"QUARTO 502", M. Sardini



"Não apenas as pessoas, mas também os lugares possuem memória"
Autor desconhecido


Segundo o prefácio, "o livro nasceu do blog literário Noite do Bardo, composto por sete contadores de histórias que se uniram para extravasar sua criatividade de uma forma positiva".  Com temas determinados mês a mês, os participantes vão criando contos para serem postados. Este, em particular, prolongou-se até que se transformou num livro (e-book disponível na Amazon e no serviço Kindle Unlimited , por onde eu li). 

O livro é ambientado no Sanatório Warvely Hills, em Louisville, Kentucky. Ele foi construído em uma colina arborizada já que a intenção era cuidar dos pacientes com tuberculose, que na época (1910) tinha uma causa desconhecida. Chegou a sofrer com superlotação, muitos doentes eram simplesmente abandonados ali por seus parentes já que não se sabia o que fazer para curá-los daquela tosse que terminava por arrebentar-lhes os pulmões. Como era de se esperar, o lugar e sua história, mesmo anos depois, carregam consigo toda uma áurea de terror, mistério e sobrenatural. Até hoje o lugar é considerado assombrado,  visitado por curiosos (obviamente a entrada é cobrada: 100 dólares, em média, por pessoa), corajosos e caçadores de fantasmas. Tem muito material sobre o sanatório na internet , como por exemplo:


  • esta matéria do blog Assombrado, bem completa e com muitas fotos e vídeos: http://www.assombrado.com.br/2014/05/o-sanatorio-de-waverly-hills-historia.html ;
  • o vídeo do canal do blog, caso você queira um resumo: https://www.youtube.com/watch?v=7XUtOSg6wA8 ;
  • Muitos, muitos vídeos de caçadores de fantasmas com "provas" da existência de fantasmas;
  • A segunda temporada da série American Horror Story ("Asylum") foi baseada na história desse sanatório.

Para mim, hospital é uma coisa apavorante por si só (sou dessas...) Agora, some a isso o fato de que esse sanatório, especificamente, foi construído com um intuito mas terminou por transformar-se em um depósito apenas. Imagino eu que qualquer lugar em que se amontoe muita gente doente estabelece-se o mote para as mais diversas histórias assombradas. Ainda existe um túnel que foi construído originalmente para facilitar o acesso de medicamentos, mas acabou se tornando um atalho para o necrotério tamanha a quantidade de mortes no local. 





As "notícias" do lugar dão conta de duas aparições consideradas como as mais vistas do local que são de uma criança e sua bola e de uma enfermeira.



Com essa premissa cheia de detalhes horripilantes e que perduram através do tempo - provavelmente sendo modificadas no decorrer dos anos e de cada "registro" de aparições, a autora vai dando corpo ao que até então era só palavra. Um  convite para quem gosta de histórias do gênero terror/ horror, mas não quer ficar muito tempo no mesmo livro (já que este é bem curtinho). E, para ter mais medo ainda, o lugar está muito longe de ser ficcional.

A autora , de um jeito bem simples mas atraente, vai situar o leitor no aterrorizante ambiente do sanatório. Um medo real: a morte, rondando ali a todo tempo.  A protagonista é Mary Ann, a enfermeira-chefe da ala das crianças que está com um problema muito sério para resolver além de todos os seus compromissos diários: ela está grávida. Por ser um lugar distante de tudo e todos, Mary Ann precisa esperar que o inverno passe para poder decidir o que fará de sua vida, mas uma certeza ela já possui: ela terá o bebê. 



Ninguém sabia ao certo o que causava a doença, então alguns procedimentos eram realizados nos pacientes em estado avançado, operações com o mínimo de anestesia. A situação já é por si aterrorizante: muita gente, doente de maneira grave, sem saber direito contra o que estão lutando... gente que tem que cuidar dessas pessoas sem ter sequer certeza do que estão fazendo, sujeitando pessoas a experimentos até (será?) bem intencionados... Já ouviu falar de toracoplastia? Eu não sabia o que era e fiquei bem impressionada com a maneira como era realizada... Horrível!

Mary Ann vai sobrevivendo a cada dia e sua angústia aumentada pela expectativa da gravidez. Fora isso, ainda existe Timothy, um paciente sem ninguém no mundo e a quem todos são muito apegados, pois é uma criança muito meiga e carinhosa. Enfim, a atmosfera de medo já é intrínseca à história. Mas, M. Sardini consegue destrinchar   adequadamente os pormenores contidos e vai nos conduzindo por corredores escuros. O quarto que dá título ao livro, como era de se esperar, existe até hoje no local e é, segundo dizem onde ocorre  a maior parte dos fenômenos sobrenaturais.

"Ao todo, tem-se notícia de que mais de 63 mil pessoas morreram dentro do sanatório Waverly Hills. Não apenas em razão da tuberculose, mas existem muitos casos de suicídio de funcionários que sucumbiam à depressão e ao desespero de vivenciarem tanta morte e sofrimento."




Se você está acostumado a histórias de terror vai conseguir visualizar antecipadamente para onde a história caminhará, mas mesmo assim é uma boa leitura do gênero. Consegue mexer com seu imaginário. E ainda é a oportunidade de ter contato com literatura nacional de suspense/horror, que foi o que mais me chamou a atenção, já que quase não existe nada desse gênero publicado. Você não quer parar de ler!


😊 BOA LEITURA!


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