73º LIVRO DO ANO

"PEQUENAS GRANDES MENTIRAS", LIANE MORIARTY



Calma, vamos com calma aqui.

Uma escola. Uma comunidade numa península na Austrália. A comunidade da escola pública local se conhece  muito bem: todo mundo sabe quem é quem, quem é antigo e quem acabou de chegar. Pais excessivamente ativos no cotidiano escolar, eu diria. No dia da orientação do Jardim de Infância (uma espécie de adaptação dos pequenos ao novo ambiente), um menininho - novo no local - é acusado de cometer bullying contra a coleguinha que é filha da mãe mais atuante ($$$) da escola e que passa a fazer de tudo para que o menininho "seja severamente punido pelo o que fez". É necessário entender que nesse lugar tem pessoas muito bem estabelecida$ $ocialmente, gente que está bem mas ainda correndo atrás e gente que ainda está correndo atrás - só. Ou seja, rola também um conflito social... A escola tem uma política rígida de combate ao bullying, mas o problema é que o menininho jura que não fez nada... Conflito instalado.

Aos poucos, você vai sendo apresentado aos protagonistas dessa história e suas famílias: Madeline, mulher de quarenta anos, mãe de três filhos, casada, personalidade explosiva, destaca-se com facilidade em qualquer lugar porque é descolada, comunicativa, bonita, entende de moda, beleza e atualidades. Fácil se apaixonar por ela. Celeste, amiga de Madeline, a mulher perfeita: linda, loira, rica, com o casamento dos sonhos. Seu marido viaja pelo mundo ganhando dinheiro para garantir um excelente padrão de vida à Celeste e aos gêmeos. Jane, jovem mãe solteira que chega à Península de Piriwee com seu filho Ziggy e um passado um tanto problemático. A maneira como elas são descritas confere uma familiaridade aos personagens que você pode facilmente associá-los a uma família vizinha, uma tia ou prima sua. Maravilhoso.

O que vai ligar a história dessas três mulheres é a vida escolar de seus filhos, Chloe (Madeline), Max e Josh (Celeste) e Ziggy (Jane). Conforme vamos conhecendo a vida de cada uma delas, vamos descobrindo peças para um quebra-cabeças maior que é anunciado logo na orelha do livro: o fio condutor dessa história é que, na Noite de Perguntas e Respostas realizada na escola com o objetivo de arrecadar fundos para aquisição de materiais pedagógicos; os pais estão fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis Presley e foi servida bebida alcoólica, alguém morreu. Ou foi assassinado. Não se sabe, mas o fato é que aconteceu uma morte.E você, leitor, simplesmente precisa saber o que aconteceu, quem morreu, o que causou tudo isso! E enquanto você quer desvendar o crime principal, você vai descobrindo coisas nas vidas dessas mulheres e de mais alguns coadjuvantes que vão acrescentar ainda mais ao mistério principal. 

Gostei muito da maneira como a autora insere ao final dos capítulos ou no meio deles  comentários das outras mães da comunidade sobre acontecimentos passados ou futuros. Liane Moriarty consegue expor com maestria o funcionamento da indústria da fofoca na porta da escola. Os comentários "inocentes" que podem terminar prejudicando tantas pessoas, as "panelinhas" de adultos que esquecem as regras básicas de convivência, de altruísmo e empatia. O famoso e milenar "diz-que-me-diz-que".

Talvez o fato de ser professora há quase 20 anos tenha contribuído para que eu curtisse muito essa leitura, afinal conheço bem esse mundinho e alguns comentários realizados por pais ali me soaram muito comuns de se ouvir no ambiente escolar, mas acredito que você que não está nessa área também consiga ter essa mesma empatia pela maneira como a autora conduz a história e seus personagens: é interessante desde os primeiros capítulos. Você chega na metade do livro ainda sem ter muitas informações sobre a morte em si, mas  já tem tanta informação sobre a vida dessas pessoas que você precisa saber o que está acontecendo!  E prepare-se: tem reviravolta e das boas!

Thriller dos bons, boa surpresa. Comecei a leitura sem grandes expectativas mas terminei com uma excelente impressão e vontade de ler mais dessa autora. Recomendadíssimo pra quem curte o gênero!

BOA LEITURA!😄

"Meu pai me ensinou que quando um garoto bate, você revida. Simples assim. Hoje em dia tudo mudou. Um troféu para todas as crianças no jogo de futebol. Um prêmio a cada brincadeira. Estamos criando uma geração de frouxos."


"Foi um erro. Eu sou humana. Cometo erros. Isso se chama erro humano. Esses pais parecem achar que eu sou uma máquina e eles podem exigir um reembolsoo cada vez que a professora comete um erro."


E ainda vai virar série pelo canal HBO:

 https://www.youtube.com/watch?v=_qoVzBTxmSc

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