3º LIVRO DO ANO

"O CLUBE DO LIVRO DO FIM DA VIDA - UMA HISTÓRIA REAL SOBRE PERDA, CELEBRAÇÃO E O PODER DA LEITURA", WILL SCHWALBE



Nos EUA dos anos 1960, Mary Ann Schwalbe era uma dona de casa, casada,  mãe de três filhos e que resolveu fazer alguma coisa pelo mundo simplesmente porque estava cansada de apenas se incomodar na proteção do seu lar. Então, começou a fazer trabalho voluntário em países africanos em guerra, trabalhou com grupos de refugiados nos EUA - auxiliando em arrumar moradia, emprego e estudo - e decidiu , como projeto de vida, financiar (arrecadando fundos) a abertura de uma biblioteca no Afeganistão por saber a importância dos livros na vida das pessoas. Mas, a vida e o destino - esses fanfarrões - resolveram colocar um câncer em seu pâncreas. Câncer que, por sua peculiaridade, foi tratado como se fosse outra doença até ser de fato descoberto, o que apenas dificultou tudo.

Acompanhamos a partir daí a jornada de Mary Ann e de seu filho, Will. Era ele quem a acompanhava durante o tratamento de quimioterapia. E, meio ao acaso, meio que para aproveitar melhor o tempo juntos (ministrar o remédio podia levar até duas horas por sessão), eles acabaram criando uma espécie de clube do livro de duas pessoas só. Eles escolhiam um livro para ser lido e discutido na próxima ida ao hospital. Nem sempre dava certo, mas quase sempre o livro era lido e discutido... e a mãe de Will sempre tinha um olhar de otimismo e gratidão, seja qual fosse a situação. 

É uma história muito bonita, especialmente pela luta de Mary Ann que não foi retratada de maneira apelativa. Entenda, lutar contra um câncer agressivo aos 73 anos não é fácil e parece uma luta contra o tempo - só por isso já valeria a história: com todos os efeitos colaterais do tratamento, ela seguia preocupada em angariar fundos para a construção da biblioteca, mantinha contato com a família e amigos, recusava-se a ter uma postura de piedade ou de vítima, organizava de maneira prática o que gostaria que fosse feito em seu funeral, viajava para estar com os netos... Até onde ela aguentou, ela manteve-se em pé. É muito bonito de se ler a respeito, mas lógico que sempre tinha aquela tristezazinha no fundo do peito... A gente já sabe o final dessa história, não há grandes reviravoltas. Mas é bonito de ver o reconhecimento que ela recebeu ainda em vida, as homenagens e as preocupações de tantas pessoas que foram tocadas pelas iniciativas de Mary Ann, como professora ou como voluntária. Como as pessoas se importaram em mostrar o quanto a vida dela havia valido a pena. Maravilhoso!

Quanto aos livros comentados, confesso que minha expectativa era grande mas a maior parte dos livros citados eu não li ou sequer ouvi falar ainda - o que vale como indicação, mas por outro lado me decepcionou um pouco (e aí não é culpa do autor, veja bem). Acho que minha expectativa era participar mais efetivamente desse clube... com eles... rs.  Parte dos livros tratava da África e de situações que são vividas cotidianamente lá, muitos deles escritos pelas vítimas. É bonito ver como Mary Ann tinha pressa em ler e sua raiva não era da doença em si, mas sim do tempo e das oportunidades que esta  tirava dela. É comovente, como eu já disse. São citados livros como "A elegância do ouriço", "O senhor das moscas", "O hobbit", "Os homens que não amavam as mulheres" (série Millenium), "O diário de Anne Frank", "O caçador de pipas"... Mas a maior parte dos livros discutidos são uma incógnita para mim. Preciso rever isso...

Não gostei da opção da editora em fazer a "livre tradução" dos títulos dos livros que ainda não foram publicados no Brasil; achei desnecessário e serviu apenas para causar confusão (como "Carol", da Patricia Highsmith que ainda aparece como "O preço do sal") e também alguns erros de tradução que causaram frases sem muito nexo ou mal elaboradas. Eu demorei muito para adquirir esse livro, mesmo ele tendo parecido interessante desde a primeira vez que o vi, acabei comprando-o em janeiro do ano passado (2016) e foi ficando, foi ficando... Então, me decepcionou esse aparente descaso com a edição (não a história em si, fique claro). 

Ao final da edição há a lista de livros citados no decorrer da história, aí sim com o título original.



Leitura leve, um tanto triste mas muito proveitosa pelo exemplo que a mãe do autor nos deixou e por sua belíssima relação com a leitura e os livros.

BOA LEITURA!😊📚


"Há todo tipo de descobertas imprevistas em livrarias, começando com a alfabética: enquanto procura certo romance, você talvez lembre que sempre pretendeu ler alguma coisa de outro autor cujo sobrenome começa com as mesmas duas letra. A visual: a sobrecapa brilhante deste livro talvez chame sua atenção. A acidental: por superstição, quase sempre sinto a necessidade de comprar qualquer livro que derrubo. "
(pág. 126)


"Ao longo de toda a sua vida, sempre que estava triste, confusa ou desorientada, minha mãe nunca conseguia se concentrar na televisão, disse ela, mas sempre buscava refúgio num livro. Os livros focavam sua mente, a acalmavam, a levavam para fora de si mesma; a televisão embaralhava seus nervos."
(pág. 29)

"Por mais cansada que esteja, sempre consigo ler. Mas talvez seja porque criei três filhos enquanto trabalhava em período integral. Acho que me acostumei a estra cansada o tempo todo. Se eu tivesse esperado para ler só quando estivesse descansada, nunca teria lido nada."
(pág. 218)



Comentários

Postagens mais visitadas