4º LIVRO DO ANO

"A INVENÇÃO DE MOREL", ADOLFO BIOY CASARES



A história, contada brevemente em pouco mais de 100 páginas, nos traz a vida do narrador (que não é nomeado) que está em fuga (possivelmente perseguido político) na Venezuela por volta de  1924. Durante a fuga, através de informações aqui e ali, ele fica sabendo de uma ilha desabitada, onde existem construções (um hotel-museu, uma capela e uma piscina) . Corre o boato que uma doença matou os antigos moradores, uma estranha e desconhecida doença que mata "de fora para dentro". Ele arruma um bote e , de forma clandestina, parte em busca da tal ilha. Ele prefere arriscar-se no mar, debaixo de um sol escaldante a enfrentar a pena para seu crime - a morte torturante. 

Sabemos disso logo nas primeiras páginas, quando o narrador nos explica como está vivendo na tal ilha. O que ele encontrou entre natureza e construções, a exploração destas... Como ele seleciona o que quer comer, como sobrevive de raízes e frutos. O livro é escrito em forma de diário, o narrador decide registrar o que está vivendo para a posteridade já que nem ele mesmo acredita que será possível viver dessa maneira por muito tempo. O clima é quente e abafado, ele já está debilitado pela viagem, o sol castiga diariamente... Ele luta para manter a saúde e a sanidade.

Até que acontece uma coisa incrivelmente inexplicável...

Um dia, ele ouve barulhos como vozes, escuta música e conversação. Assustado, resolve verificar e descobre que existe um grupo de pessoas na ilha! Ou seja, seu esconderijo corre risco - ele corre risco. Afinal, quem são essas pessoas? Por que estão ali? Estarão atrás dele?

Ele passa a acompanhar bem de perto o cotidiano dessas pessoas e descobre que eles estão comendo, usando a piscina (que estava sempre suja e cheia de bichos e, repentinamente foi limpa) e dançando alegremente no salão do museu. Ou seja, é como se a ilha fosse uma colônia de férias para esse grupo. Uma mulher em especial chama a atenção do narrador: descrita como bela, de longos cabelos negros, lembrando uma cigana. Ela costuma subir em um morro, de frente ao mar, estender ali sua manta e ficar observando a paisagem ou lendo um livro. E nosso narrador cai de amores por ela. Mas, após algum tempo, nota que ela tem um relacionamento próximo com aquele que parece ser o anfitrião do grupo, de nome Morel. Em dúvida se ela está apaixonada por Morel ou se são somente amigos, o narrador decide então aproximar-se de sua amada... E é aí que ele leva um susto, acontece uma coisa que começa a colocar em dúvida a sua sanidade... E, analisando o que ele já havia presenciado enquanto observava o tal grupo, ele nota que algo muito estranho está acontecendo ali.

O leitor também se perde nas dúvidas do protagonista. Quando ele começa a suscitar certas possibilidades, elas também já foram consideradas por quem está lendo. Não é fácil concluir o que está acontecendo, não é de forma alguma óbvia até porque são inúmeras opções. E, com tudo o que está acontecendo, ainda é preciso lembrar que o narrador está debilitado fisicamente - mal alimentado, assustado... Será que está acontecendo algo ou ele só está sendo vítima de sua mente? O problema é ele ou o grupo visitante? Ou será que a ilha tem alguma coisa de errada? Vamos acompanhando essa espiral e nos colocando ali com ele.

Gostei muito, tanto do desenvolvimento da história quanto de seu desfecho, que dá margem a várias discussões - científicas, filosóficas... Lembrando que a série "Lost" usou este livro como inspiração (mais uma que não acompanhei, mesmo com todo o comentário da época...)

Fica a dica dessa história escrita na década de 1940 e que traz uma ficção científica de primeira!

BOA LEITURA! 😊📚








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