21º LIVRO DO ANO

"OS IRMÃOS SISTERS", PATRICK deWITT



“Os irmãos Sisters” é um romance western que vai conquistar você desde as primeiras páginas. O enredo é bem simples, bem faroeste: ambientado na época da corrida do ouro (EUA, a partir de 1849; no caso da nossa história, especificamente em 1851) dois irmãos pistoleiros são contratados para assassinar um desafeto do Comodoro, um prospector chamado Hermann Kermit Warm que, segundo informações, encontrava-se na Califórnia. É o caminho entre Oregon City e a Califórnia que vai rechear esse miolo... Mas, mesmo que você -assim como eu - não seja o fã mais ardoroso do gênero western recomendo dar uma chance ao livro porque ele vai muito além . O autor utiliza dessa ambientação para nos apresentar uma narrativa com ritmo, contínua, sempre com alguma ação ocorrendo - mesmo que sejam os diálogos concisos dos irmãos ou os pensamentos do narrador.  O decorrer da história tem diversos momentos que vão alternando entre o riso (às vezes nervoso), a emoção, a reflexão sobre a vida e nossas escolhas mas sem jamais cair no pieguismo. Há os momentos clichês do gênero, mas eles estão tão bem inseridos e contextualizados que isso vai apenas acrescentar. É uma delícia de leitura!

(Essa edição é a do mês de abril da Tag que eu sempre cito por aqui e, mais uma vez, está lindíssima! Capa dura, com luva e marcador, além de um "mimo" e a revista sobre o livro, o autor, o curador... Não tem como não amar!






Os irmãos do títulos são Charlie e Eli. A voz narrativa é a de Eli, o irmão mais novo e, desde o início, nota-se que apesar de estarem sempre juntos, eles são bem diferentes. Eli dá mostras de que questiona essa maneira como vivem – matando por dinheiro – e é mais emotivo, mais passional. Ele tem admiração e amor pelo irmão e se sente muito magoado quando Charlie dá a entender que talvez não corresponda à altura - achei interessante o autor citar na entrevista sobre o livro o termo "caubóis sensíveis", que ele anotou anos atrás em seu caderno e foi ponto de partida para a história. Eli é bem isso: um caubói sensível. Sente remorso, se apaixona, tem empatia... Sua relação com Tub, seu cavalo recebido como parte de pagamento de um “serviço” é engraçada em alguns momentos, fria em outros, mas de uma ligação que vai sendo tecida aos poucos. 

É através dos olhos de Eli que vamos conhecer Charlie, o irmão mais velho que foi visto durante muito tempo como o protetor do mais novo, mas entendemos que ele é pragmático, ambicioso, sarcástico e não se incomoda pela “profissão” escolhida. Em muitos momentos ele é grosseiro com Eli e tem um jeito muito prático de resolver as discussões - violência. Eles são bem opostos e no decorrer da história vamos notar o quanto o sentimentalismo de Eli vai influenciar a vida de ambos. A trajetória da dupla é longa e permeada de encontros que vão acrescentando coadjuvantes de peso, todos com relevância para a história e que também podem ser tratados como simbolismos – a velha na cabana, o homem chorão, a menina arrumadinha com restos de veneno nas mãos... Tudo é muito bem tecido e você se prende ali no meio facilmente.

O final é muito bem amarrado com o gênero e por isso gostei muito. Se fosse diferente me decepcionaria. Não posso falar muito senão estraga a surpresa, mas tem muita coisa boa aqui! São detalhes que vão deixando tudo mais interessante....

A leitura flui muito tranquilamente porque é um faroeste atualizado. Os acontecimentos se sucedem como um filme – é muito fácil imaginá-lo assim. Depois das vinte primeiras páginas não consegui mais largar.

Recomendo!


BOA LEITURA!📚📚📚






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