25º LIVRO DO ANO

“A FAZENDA”, TOM ROB SMITH


Sabe aquele tipo de leitura despretensiosa, que você pega para dar uma espairecida? Nada muito comprometedor nem que necessite de muita concentração? Pois foi assim que eu cheguei ao livro “A fazenda”, de Tom Rob Smith, que já há algum tempo estava de molho aqui na minha estante. O enredo me atraiu de cara, o típico thriller de suspense que eu curto – e que na época da aquisição do livro, era o que eu lia bastante...

Resumidamente, a história é essa: Daniel é um jovem inglês cujos os pais Tilde e Chris recentemente (ou nem tanto assim...) mudaram-se para a Suécia, terra natal dela. Eles venderam tudo o que tinham e foram morar numa remota fazenda na zona rural de uma cidadezinha sueca, uma paisagem bucólica e isolada do resto do mundo para gozarem da merecida aposentadoria. Toda essa paz e tranquilidade na vida familiar é quebrada quando Daniel recebe um estranho email de sua mãe seguido por mais estranho ainda telefonema de seu pai. Segundo Chris, a esposa não está nada bem. Ela está imaginando coisas, com paranoias que a estão deixando perigosa. Está dizendo coisas terríveis, imaginando coisas horríveis... e acabou sendo internada num hospital psiquiátrico. Daniel, estupefato com a revelação, decide embarcar para a Suécia a fim de ficar ao lado dos pais...  Antes que isso aconteça, no entanto, ele recebe um telefonema de sua mãe. Ela saiu do hospital e está voltando para Londres para encontrar o filho e revelar coisas inacreditáveis que ela descobriu, uma sórdida rede de crimes que acabou envolvendo seu próprio marido. Por isso, ele não deve acreditar em nada do que o pai disse, especialmente se for sobre ela. E que ela não precisa de médico, ela precisa de polícia!

Obviamente, Daniel fica muito confuso. Em quem acreditar? Como ter certeza de quem está falando a verdade? Ele nunca sequer viu os pais brigarem e agora...isso?

Daniel decide então ouvir o que sua mãe tem a dizer. Decide encontrá-la no aeroporto e se assusta com a situação em que ela está: magra, debilitada... muito diferente da mulher com a qual ele estava acostumado a conviver em Londres. Segurando uma bolsa de couro tosca, ela acompanha cheia de ressalvas o filho até o apartamento onde ele vive e começa a contar o que aconteceu nos últimos meses na Suécia, de forma cronologicamente perfeita...
Temos dois narradores, Tilde e Daniel, mas ambos vão dialogando no decorrer do livro, o que pode tornar a narrativa arrastada para alguns. Eu recomendo que você não desista do livro: a maneira como o autor vai destrinchando alguns acontecimentos vão colocando você numa situação em que o próprio Daniel se encontra: acreditar ou não em Tilde? É um ponto de vista a ser acompanhado. Será confiável?

(A partir daqui vou fazer alguns comentários que podem parecer spoiler, então continue por sua conta e risco)


Nem tudo o que parece é...

O fato é que o autor vai tecendo uma trama que envolve o leitor com acontecimentos que vão bagunçar sua cabeça.  O que Tilde está falando, por mais estranho ou absurdo que possa parecer, pode acontecer sim. O que é posto está lá propositadamente para confundir sua mente. O problema é que somente o ponto de vista dela é colocado, não temos como compará-lo com o ponto de vista de outra pessoa... E no final, descobrimos que fomos enganados pelo autor, que na verdade só estava soltando uma nuvem de fumaça, mas com a desculpa que ele arrumou, não haveria de ser diferente. Quando o próprio Daniel decide ir para a Suécia, o leitor vê que alguns detalhes foram ocultados justamente para dar esse “plot twist”.  O fato é que o autor acabou querendo usar a receita de alguns cineastas e colocando fatos que não estavam claros para nós – ou seja, não sabíamos para pode deduzi-los. O que de fato estava acontecendo lá na tal fazenda é um pouco decepcionante no sentido de que poderia ser pressentido no decorrer do livro – aquela estranha, porém constante sensação de que algo estava acontecendo, algo mais, entende? Mas não compromete, na minha opinião. 





Não achei previsível, pelo contrário: me proporcionou bons momentos analisando o que de fato estava acontecendo ali. Gostei da maneira detalhista que o autor usou tanto para Tilde contar os pormenores de sua versão da história quanto da paisagem local, as festas e o ambiente em geral. Escrita moderna, com um bom ritmo.

Eu gostei do livro e recomendo para você que gosta de suspense e drama. Talvez o final pudesse ser um pouco mais detalhado, mas mesmo assim não compromete sua experiência de leitura. Foi uma boa surpresa.

📚BOA LEITURA!📚

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