26º LIVRO DO ANO

“Jantar Secreto”, Raphael Montes




Livro incrível que li no meu Kindle 💖


 
Essa é a imagem do livro no app Kindle para celular.💗


Raphael Montes é um jovem autor brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1990. São de sua autoria “Suicidas” (2012), “Dias Perfeitos” (2014), “O vilarejo” (2015) e “Jantar Secreto” (2016). Destes, o único que ainda não li é “Suicidas”. Os demais, não apenas li como me deleitei... Gosto da maneira como Raphael escreve, gosto de sua linguagem clara, fluida, sem muita enrolação para escrever o que você sabe que o personagem está pensando, por horrível que seja, gosto de ler literatura contemporânea de qualidade (já que às vezes tenho a impressão de que ficou faltando uma revisão ou simplesmente a leitura em voz alta por parte do autor). 

“Dias Perfeitos”, que li anteriormente, foi um (positivo) choque para mim, já que aquele final me pegou desprevenida – juro que eu achava que ia ter o típico “final feliz”, ou melhor dizendo, final esperado, com os devidos castigos sendo distribuídos, malvadinhos sendo punidos e quase bonzinhos sendo recompensados. Ou seja, quebrou minha expectativa – e minhas pernas... “O Vilarejo” são contos ligados aos sete pecados capitais e relacionando tais pecados a sete demônios. Tais contos se complementam, você não precisa necessariamente lê-los em sequência para compreender a história incrível que ele está nos contando ali. Aliás, foi essa a primeira obra que li e que me deixou com muita vontade de ler mais do autor.


...e olha só o mocinho aqui...



E então, finalmente chegamos a “Jantar Secreto”, que li em meu Kindle...

A premissa do livro é ao mesmo tempo grotesca e interessante: Dante e seus amigos Miguel, Hugo e Leitão são o caso típico de juventude que sai de uma cidade pequena no interior do fim do mundo (no caso a fictícia Pingo d´água) para tentar vencer na metrópole (no caso o real Rio de Janeiro). Com muita sorte e eventual ajuda dos pais de Dante, eles conseguem alugar um bom e amplo apartamento num bem localizado bairro e seguem com seus planos. 

Porém, como acontece muitas vezes, as coisas começam a desandar.... Alguns anos depois, eles ainda não conquistaram seus objetivos, ainda estão tentando se estabelecerem profissional e financeiramente. Aliás, as coisas estão bem complicadas: eles estão prestes a ser despejados de casa por conta de uma irresponsabilidade de um dos amigos, encarregado de pagar o aluguel. Com uma dívida enorme e nenhuma perspectiva de como conseguir saldá-la, Hugo tem uma ideia: que tal fazer um "jantar secreto", tipo de evento no qual  gente rica investe em um jantar que eles não sabem onde será nem o que será servido ou preparado por quem? Típica frescura de gente rica que não tem onde enfiar o dinheiro....

Pois bem, eles resolvem levar adiante a ideia já que é uma maneira de conseguir dinheiro em quantidade de um jeito mais rápido....

Mas, no meio do caminho, uma suposta "brincadeira" vira um problema muito sério...


SPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILER


***A PARTIR DAQUI, POSSO ESCREVER 

COISAS 

QUE PODERÃO SER SPOILER PARA OS MAIS 

DESAVISADOS. CONTINUE POR CONTA E 

RISCO***


Numa espécie de “brincadeira”, Leitão (que é o nerd e que vive enfurnado no computador) divulga na internet o tal jantar secreto mas, para atrair mais interessados, diz que será servida carne humana. Isso mesmo, carne de gente. Apesar do desespero inicial de todos, a necessidade(?) – na verdade a ganância – fala mais alto e a quantidade de pessoas e de dinheiro que é oferecida por pelos interessados é muito alta para ser ignorada...

A partir daí os quatro amigos entram em um jogo perigoso e difícil de ser levado adiante. Eles, com a desculpa de necessitar do dinheiro e dele vir relativamente fácil com a ideia em prática caem numa espiral difícil de controlar, afundando cada vez mais em um situação que você pressente que não poderia terminar bem... Afinal, além da questão moral, ética e cultural na qual eles estão profundamente afundados, eles simplesmente não conseguem parar. São jovens, é muito dinheiro, é muito sucesso num círculo restrito e exclusivo... Ou seja, eles estão conseguindo em meses o que em anos foi impossível. É complicado julgá-los, porque em vários momentos o narrador lembra que ele é igual a mim ou você - ou seja, será que o leitor agiria de maneira diferente? Isso vai de cada um... Eu jamais faria o que eles fizeram, simplesmente não conseguiria nunca mais viver em paz (afinal, se você ainda não leu o livro, comece a pensar onde conseguir a matéria prima necessária para levar os jantares adiante, cortá-la e prepará-la devidamente...) Mas eu sou de outra geração, tive as minhas vivências e minhas lutas. Muitas vezes não entendo a cabeça dos jovens de hoje... E esse é o encanto da literatura: o livro é diferente para cada um. Muitas vezes durante a leitura eu pensava: não, não é possível. Não pode ser... Mas era.

Outra coisa interessante/ repugnante que me chamou muito a atenção é que Raphael optou por descrever a carne humana como extremamente saborosa - e viciante... A descrição da preparação da "carne" chega a ser enjoativa. Eu li fazendo careta. Sério. Desossar. Cortar. Armazenar. Descartar. Impossível não visualizar claramente as cenas descritas... Terrível.

*****************FIM DO POSSÍVEL SPOILER***********


Mesmo sendo uma história repugnante, é impossível largar o livro antes de descobrir o que vai acontecer. A escrita de Raphael é muito "visual", ou seja, você vê um filme muito claro se desenrolando durante a leitura... Eu me peguei pensando sobre o que eu tinha lido várias vezes durante meu dia. 

Além disso, é uma linguagem moderna, familiar para nós. O diálogo através de Whatsapp em um momento crucial logo no início do livro é muito engraçada, apesar da tensão! Ele faz referências às mídias  atuais (o que podem datar a obra, mas por outro lado dão um toque jovial/atual a escrita).

Eu consegui descobrir alguns elementos antes do final do livro, mas não por estarem óbvios ou mal escritos mas sim por estar tão imersa naquele universo que chegou um ponto que esses meninos loucos e irresponsáveis eram meio que meus conhecidos... Já éramos íntimos... rsrs

Outra característica dessa história é essa: conforme você se aprofunda nela você percebe que não há heróis, nem vítimas entre os protagonistas. Dante, que é o nosso narrador, reconhece em vários momentos que alguém poderia ter evitado aquilo tudo, alguém poderia ter sido corajoso o suficiente para dizer que era melhor sequer começar aquilo, que era loucura demais. Ou seja, difícil defender essa galera... Todos são vítimas, mas também são culpados.

Não é uma história agradável, gostosa de ler mas é impossível de largar justamente por ser muito bem contada, muito bem tecida. É moderna, é próxima de nós e por isso mesmo é aterrorizante. Parece um bate-papo, como se um amigo te dissesse "você não sabe o que me aconteceu" e começasse a contar...

Se você gosta de thriller ou de literatura policial, este é um livro que você não pode deixar de ler. Super recomendo!

BOA LEITURA!📚

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